Cursos de Comunicação da Faculdade Araguaia alcançam nota 4 em avaliação do MEC

Os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda são os melhores entre as instituições privadas de Goiás

ANNE KAROLINE RIBEIRO, CAMILA PEDROSO E KAMILLA LEMES

Os cursos de Comunicação Social – Jornalismo e Publicidade e Propaganda – da Faculdade Araguaia (Fara) alcançaram nota 4 em avaliação do Ministério da Educação. As graduações ainda são destaques entre as instituições do Estado de Goiás, ficando nas primeiras posições na avaliação do Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade).

O Ministério da Educação avalia anualmente os cursos superiores do Brasil, através do Enade. O exame é aplicado no início e no final de cada curso, e tem por objetivo analisar o aprendizado dos alunos quando entram e quando deixam a Instituição de Ensino. Além disso, a estrutura física das instituições, os recursos disponibilizados aos alunos e o número de professores mestres e doutores são quesitos avaliados pelo MEC. As notas variam de 1 a 5.

Para a diretora pedagógica da Fara, Rita de Cássia Del Bianco, a boa colocação no Enade exalta o trabalho feito pela direção, coordenação dos cursos, professores e alunos. “Assumimos aqui na faculdade a responsabilidade coletiva pelo desenvolvimento e desempenho positivo dos cursos. Não é um trabalho novo, pois ele vem sendo realizado desde 2004 com a implantação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior”, afirmou.

Rita Del Bianco destaca a importância da diretoria pedagógica para a instituição. (Foto: Anne Karoline Ribeiro).

O curso de Jornalismo está em segundo lugar no ranking que inclui as instituições privadas e públicas, atrás apenas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Já a graduação de Publicidade e Propaganda está em primeiro lugar na classificação geral.

A professora de ambos os cursos da Fara, Joseane Ribeiro, destacou o desenvolvimento dos conteúdos extracurriculares. “Temos trabalhado intensivamente em questões que são exigências do MEC e, de certa maneira, são o diferencial da metodologia de ensino da Fara. Além disso, o preparo dos professores e suas qualificações são fatores que contribuem para as boas notas dos cursos, juntamente com o aprendizado dos alunos”, destacou.

Joseane Ribeiro exalta o trabalho desenvolvido pelos professores e alunos da Fara. (Foto: Anne Karoline Ribeiro).

Com a globalização e o maior nível de exigência do mercado de trabalho, as Instituições de Ensino Superior têm buscado melhorar a qualidade do ensino e, principalmente, se aproximar do aluno, com a finalidade de compreender quais são as suas expectativas a respeito dos cursos disponibilizados pela Faculdade.

Mesmo já atuando na área da Comunicação há 26 anos, o aluno Fred Silveira não dispensou cursar Jornalismo e acredita que estudar em uma faculdade que tenha uma boa colocação faz a diferença e é fundamental na busca de emprego. “Nós mesmos passamos a nos sentir mais seguros, engajados e disciplinados, com relação aos conteúdos que iremos adquirir. Ficamos mais respaldados também, quanto ao mercado de trabalho. Naturalmente, esses resultados pesam na categoria. Mas no modo geral é uma honra ser um pedacinho dessa conquista da Fara”, frisou.

Mesmo já atuando na área, o aluno Fred Silveira não abriu mão de conquistar o diploma em Jornalismo. (Foto: Anne Karoline Ribeiro).

Além de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Gestão Comercial e Pedagogia da Faculdade Araguaia também alcançaram nota 4 na avaliação do MEC.

Escolhas e desafios da profissão de jornalista

DOUGLACIEL DE JESUS

O último levantamento realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revela que o número de jornalistas com registro profissional no Brasil dobrou, em relação aos 20 anos anteriores, e alcançou cerca de 145 mil registros até o ano 2011.

Segundo Evandro Andrade Teixeira, estudante do 7º período do curso de jornalismo da Faculdade Araguaia, formado em Filosofia e com especialização em Narrativas Audiovisuais, a motivação na troca de curso foi a possibilidade que a profissão proporciona. “O jornalismo é um grande campo de trabalho, vi algo com possibilidades de carreira”, explica. Assim como Evandro, vários estudantes procuram no jornalismo um emprego para fazer o que ama, se expressar através das palavras e narrações.

Antônio Carlos Pedrosa, do 6º período de jornalismo na Faculdade Araguaia, informa que optou pelo curso por conta do sonho de ser radialista. “Tinha perspectiva sobre jornalismo, mas na minha cidade, no interior da Bahia, não tem o curso, ai vim parar em Goiânia. A profissão e seus desafios foram além do que eu imaginava. Jornalismo não é somente informação ou um veículo midiático. É cidadania, participação da comunidade”, diz.

Antônio Carlos Pedrosa, estudante de jornalismo. Foto: Douglaciel de Jesus.

Para o estudante, Marcos Antônio de Souza, aluno 1º período de jornalismo da Faculdade Araguaia, jornalismo é um sonho se realizando. “Vejo-me como repórter de TV, não sei a emissora ainda, mas vou estudar empenhado nesse objetivo”, relata.

O jornalismo mudou com o passar dos anos, hoje os novos e antigos profissionais precisam acompanhar essa realidade. Os meios tradicionais como impresso e TV ainda possuem seu espaço, mas a produção digital e as mídias sociais se consolidam como meio importante de comunicação. Daí o interesse de muitos jovens por essa área.

Ana Flavia Santos, 25 anos, se formou em 2014 e conta que sua paixão por redes sociais a motivou a escolher o jornalismo. “Sempre amei escrever nas redes sociais, e nunca pensei em ser advogada, arquiteta ou coisa do tipo, só gostava de escrever e me interagir, então escolhi o jornalismo como profissão. Hoje tenho um blog com mais de 5 mil seguidores e amo o que faço”, conclui.

Um campo aberto para várias áreas seja na TV, no rádio, impresso ou agora na área digital, o que percebemos que a pessoa que escolhe jornalismo como opção de futuro escolhe por que amam e buscam sua realização profissional.

Estudo aponta mudanças no comportamento de jovens na internet

ANA PAULA BARREIRA, ANNE KAROLINE BORGES, BRUNA DE CASTRO, CAMILA PEDROSO, DOUGLACIEL DE JESUS E KAMILLA LEMES

Sociólogo Guilherme Borges analisa formas de comportamento de jovens.

O comportamento de jovens brasileiros na Internet mudou. Isso é o que aponta pesquisa realizada com 3.665 pessoas em todo País, pelo Instituto Qualibest. Segundo resultados do estudo, cerca de 76% dos internautas brasileiros acessam as redes sociais pelo smartphone; 62% por computador ou notebook e 14% pelo tablet, resultado da evolução dos equipamentos eletrônicos. O infográfico feito por Fernanda Pelinzon para a cartilha Consumidor Moderno, aponta os resultados da pesquisa. Confira:

Pesquisa revela os assuntos mais compartilhados pelos usuários da internet. Fonte: Fernanda Pelinzon, cartilha Consumidor Moderno.

Atualmente, as redes sociais exercem um grande poder na vida dos usuários, principalmente porque a internet possibilita que cada um publique ou compartilhe aquilo que deseja. O sociólogo Guilherme Borges explica que muitas pessoas passam por uma sociedade onde há novas formas de relações sociais que irão construir outros elementos e modificar este indivíduo. “Antes ele estava enraizado por conteúdos locais, e a partir do processo de globalização, o sujeito se relaciona com outras formas de interações e elementos culturais”, destacou.

Segundo a abordagem do teórico e especialista em geopolítica José William Vesentini em seu livro “Geografia: Geografia Geral e do Brasil”, as identidades do indivíduo pós-moderno não são naturais e eternas, mas sempre mudam com o tempo e de acordo com as circunstâncias. De acordo com o sociólogo Guilherme Borges, a globalização é um dos fatores responsáveis pelo processo de deslocamento do conceito de identidade. “A desaprovação do outro internauta pode gerar em alguns usuários uma crise identitária, fazendo com que ele não se sinta pertencente ao meio social e ao mundo globalizado” detalhou.

As redes sociais são ferramentas que possibilitam o contato social e favorecem a comunicação. Entretanto, a psicóloga comportamentalista, Cléia Queiroz, frisa que o uso excessivo das redes sociais pode causar transtornos psicológicos e afetar as relações face a face com familiares e amigos. “Na maioria das vezes, os internautas mais dependentes perdem a noção de convívio social e passam a se relacionar apenas no meio virtual”, alertou.

Nesta linha, Cléia Queiroz destacou que a dependência pela internet e redes sociais é ocasionada devido à falta de comunicação e acompanhamento dos pais em relação ao que os filhos fazem em suas vidas virtuais. “A internet é um meio em que o indivíduo e, principalmente o adolescente, encontra para se refugiar da realidade. Porém, isso passa a ser um problema quando a pessoa troca a vida real pela vida virtual”, avaliou.

A psicóloga Cléia Queiroz alerta os riscos do uso excessivo da Internet. Foto: Anne Karoline Borges.

Para o sociólogo Guilherme Borges, para haver um equilíbrio entre as relações interpessoal e virtual, é necessário que o adolescente tenha o apoio e a educação familiar, que funciona como um método preventivo. “As pessoas criam um mundo ideal na internet e quando não alcançam seus objetivos elas se frustram. Muitas vezes não percebem que estão com problemas e, quando percebem, o usuário ou a família dele busca terapias e análises psicológicas”, refletiu.

Centro de Recuperação de Alcoólatras promove inclusão social

Entidade realiza palestras para a comunidade em geral, a fim de orientar. Quantos aos malefícios do álcool.

ANTÔNIO CARLOS E DOUGLACIEL DE JESUS

Reunião de Cerea. Foto: Douglaciel De Jesus.

Homens e mulheres de todas as classes e idade, que compartilham experiências, forças e esperanças a fim de resolver seu problema em comum, o alcoolismo, e estimular a cidadania uns com os outros a se recuperar. O trabalho é feito através de reuniões com palestras, não tem nenhuma mensalidade para permanecer no projeto, basta ir às reuniões.

O Centro de Recuperação de Alcoólatras realiza um trabalho de reabilitação de  dependentes do vicio do álcool, isto ocorre graças ao esforço voluntário tanto das pessoas que aderiram a esse movimento quantas aquelas que sofreram com vício. O centro é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, e conta apenas com ajuda dos próprios membros e também do público em geral que conhecem o movimento. Todavia eles almejam um alcance melhor desse trabalho na sociedade.

Para o jovem Adiel júnior Conceição da Silva, 28, Estudante, seria fundamental importância tanto um apoio Governamental com também midiático. “Falta um apoio maior do governo, falta incentivo, por parte deles, eles só estão preocupados com o consumo venda de bebida alcoólica. E com certeza a mídia, ela ajudaria e muito se começasse a divulgar mais o trabalho, que a meu ver não faz mal a ninguém, pelo contrário é uma ação muito benéfica”.

As Palestras

As reuniões ocorrem em grupos espalhados por vários bairros da Grande Goiânia e no interior de Goiás, os membros do Cerea,  desde 1988, começaram a atuar dando palestras. Coordenador do Cerea unidade Trindade-Go, Sebastião Rubens revela que viveu cerca de 40 anos no alcoolismo e depois que conheceu o trabalho da entidade a 15 anos pode sentir parte da sociedade novamente.“Fui consumido pelabebida alcoólica por 40 anos, graças ao Cerea hoje faço parte novamente da sociedade livre da discriminação, sou “Cereano” com orgulho afirma

Coordenador do Cerea de Trindade, Sebastião Rubens. Foto: Douglaciel de Jesus.

Á  ação social, que é   executada pelo Cerea, Com base no que afirmam os entrevistados, há uma necessidade de apoio significativo, que contribua para divulgação dessa instituição que ajuda pessoas a mais de 40 anos, mas que precisa alcançar uma visibilidade maior, visto que a entidade. é para todo tipo público, que trabalha em prol dessa ajuda mútua.

Objetivo do Movimento

Na cartilha do Cerea, há um conteúdo informativo, com seguinte frase “Esta entidade só possui vínculo com ser humano e sua recuperação ”. Dessa forma eles frisam que o Centro de Recuperação de Alcoólatras, tem a finalidade de compreender pessoas com problemas de alcoolismo de ambos os sexos e qualquer idade. A ação é  feita com medidas preventivas de recuperação, isto é, pelo modo de conscientização para aqueles que não consomem bebida alcoólica, e também recuperando aqueles que de uma forma ou de outra, já utilizam com dependência o consumo do álcool. O atendimento, na instituição é realizado por um grupo de voluntários, como experiência e vivência familiar que se dispõe a ouvir e ajudar á  quem adere esta causa, afim de contribuir para sua recuperação.

Manguear

A tentativa diária de moradores de rua para serem inclusos e vistos como cidadãos.

FABIANA SOUZA

Moisés posa para a foto ao lado de sua cadela, Madeira. Foto: Álvaro Menezes.

A pele negra, cansada, denunciava o estado da alma: lânguida. Os ossos salientes, os pés inchados nos chinelos sujos contavam o caminho. “Meu nome é Moisés, eu moro aqui na rua, mesmo”.

Moisés abriu o sorriso sem dentes quando viu a câmera, “Eu vou passar na televisão?”, e não soube disfarçar a insatisfação quando soube que não passaria. Os olhos curiosos pra câmera, para a repórter. Impôs que só aceitaria ser fotografado se sua cadela saísse na foto, “é Madeira, o nome dela. Eu passo lá no depósito [de materiais recicláveis] e ela vem correndo atrás de mim. E ela é braba, viu?”.

Assim, a foto é registrada: Madeira, Moisés e seu carrinho cheio de garrafas e latas vazias, “isso aqui [materiais recicláveis] não dá nada não, é 20, 30 conto por dia. É melhor manguear.” e pedindo esmola, Moisés passa por cima dos absurdos do mundo, “eles me perguntam se eu fumo droga, se eu bebo cachaça. E eu não bebo, não. Nem fumo”. Sorrindo, sem perceber a gravidade do problema, o herói das ruas conta, “eles falam: “Eu vou te dar, mas é pra você beber, se você for beber eu dou”, e eu digo “vou! Vou beber bem ali” e pego o dinheiro e guardo”.

Moisés faz parte das 351 pessoas que estão em situação de rua, hoje, em Goiânia. O número foi divulgado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e só tem crescido nos últimos anos. Assim, centenas e centenas de homens e mulheres “magueam” pelas ruas da capital. E claro, nem todos atrás somente de comida, como Moisés.

“Eu não quero ficar na rua. Os cara da [avenida] Goiás quer roubar meu carrinho, quer me bater, quer furar eu. Tudo pra roubar os trem da gente e comprar droga. Isso lá é vida?”

Sentado na calçada, ele conta das frustrações dos últimos dias. Roubaram seu carrinho, o ameaçam, o agridem, “eu não sou de briga”. Justo, Moisés cresceu nas ruas, mas é adepto do “é melhor pedir do que roubar”.. No bolso, uma carteira do Goiás, “é meu time!”. Ali dentro, nada além de seu RG. “NÃO ALFABETIZADO”, diz o carimbo ao lado de sua foto 3×4. “Toma, eu não sei ler, mas você sabe”, a repórter conta a ele sua idade, “tenho 49, é? E que dia é o meu aniversário?”. Fica no ar o questionamento: Qual foi a última vez que alguém parou para falar com aquele homem? Seu aniversário é em agosto. 17 de agosto.

Em meio a conversa, Moisés, que tenta parecer forte, desabafa: “Cê podia me ajudar a ganhar um barraco, que é pra eu sair da rua. Eu não quero ficar na rua. Os cara da [avenida] Goiás quer roubar meu carrinho, quer me bater, quer furar eu. Tudo pra roubar os trem da gente e comprar droga. Isso lá é vida?”. A saliva desce feito pedra. Moisés nem se lembra quando foi que teve uma vida para chamar de vida, “morreu todo mundo, minha mãe, meu pai… Meu pai morreu com uma ferida na perna. Não cheirava, não bebia, não fazia nada. Ia pra Igreja “Deus é amor”? Sabe, a Deus é amor? Pois é, e morreu por causa de uma ferida.

Moisés, 49, sem casa, família ou escolaridade, dá uma aula de simpatia, apesar da dura realidade. Foto: Álvaro Menezes.

O homem de sorriso sem dentes esmorece e só volta a sorrir quando fala de seu amor. “Eu tenho uma namorada. Ela mora bem ali, depois daquelas árvores”, e aponta esperançoso para o fim da rua, “eu quero arrumar um barraco pra eu morar com ela. Não posso largar minha mulher, não. Se eu largar a mulher, que dia que eu vou ter um filho com ela?”. Queimado do sol impiedoso, marcado das ruas traiçoeiras, ele ainda acredita no amor e se recusa a ir para abrigos, “morar sem minha mulher? Cê tá doida?”, questiona à repórter.

Moisés, com as roupas sujas e o cabelo despenteado, se torna cada dia mais invisível àquelas calçadas. Negro, analfabeto, sem família ou conhecidos. Mais um para a estatística que a sociedade criou, matou e deixou agonizando no sinal. Quando a repórter se despede, Moisés faz seu último pedido: “Põe eu na televisão, fala com o governo pra mim. Eu quero sair da rua”. Os ouvidos de quem escuta ardem, as pernas pesam. Os braços e a cabeça doem. O coração chora. Enquanto isso, Moisés sorri, “eu não tenho pressa”.

Vício: a ferida social

Os passos cambaleantes, lentos, seguiam ao acaso. A cabeça baixa, os cabelos desgrenhados e a barba por fazer escondiam o olhar cerrado, arredio, “cê quer o quê?”. Conversar, apenas conversar. A primeira pergunta foi o nome, que veio completo, de pronto, sem pausas, “José da Silva Santos”. Ao seu lado, um colchão enrolado e um cobertor sujo. “Eu bebo cachaça, e não é pouca”.

José, visivelmente embriagado, tem o olhar vago e fala com dificuldade, “só hoje eu já bebi 10 carotinho [cachaça] ou mais”. O bafo fede à vergonha, tristeza, “sou mais viver na rua do que ficar dando vergonha pra minha família. Eu não quero dar trabalho pra eles como eu já dei, não”. Em Goiânia há 23 anos, José, de 38 – que bebe desde os 15 – perambulava pelas ruas há cerca de 15 dias. “Eles [família] não sabem que eu tô morando na rua, não. Se soubessem, iam ficar revoltados demais. Eu não vim pra cá pra ficar nesse mundo imundo”.

As palavras de Zé, até então arrastadas e de difícil compreensão, ganham um outro tom. “Eu quero ir pra uma casa de recuperação, recuperar minha vida”, vida essa, que não foi arruinada apenas pela bebida, “deve ter umas 3 horas que eu fumei [crack]”, questionado sobre o seu estado em relação à droga, a resposta vem em forma de deboche, como se fosse óbvia, “eu não sinto porra nenhuma, não, doido. Não dá ilusão nenhuma mais não”, e, indignado detalha sua trajetória ao lado dela, “eu comecei na maconha, depois cheirei pó, depois veio a porra da merla, fumei merla, depois veio a merda do crack, e eu tô fumando crack”.

José chora ao contar sua trajetória com as drogas. Foto: Álvaro Menezes.

Sobre o problema de José, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde — e em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça — realizou um levantamento que revelou que, cerca de 370 mil brasileiros de todas as idades usaram regularmente crack e similares (pasta base, merla e óxi) nas capitais brasileiras durante pelo menos seis meses em 2012. Esse número corresponde a 0,8% da população das capitais e a 35% dos consumidores de drogas ilícitas nessas cidades. E um agravante, desse total, 14% têm entre 8 e 18 anos, isto é, crianças e adolescentes.

Eu só não sei por que eu não largo essa pinga e essa droga. Mas eu sou inteligente, moleque, não sou bobo, não”

Vejo na expressão de José o esforço para conter o choro, que sai mesmo assim, teimoso. O sofrimento é convertido em lágrimas. Ele limpa o rosto e estende as mãos molhadas de dor, “tá vendo esses calos, aqui? Eu sou borracheiro, eu sei montar e desmontar um carro, tá ligado? Se hoje você precisar de um pedreiro, eu sei como fazer da base até o acabamento”, revoltado, ele vocifera que teve pouco estudo, mas desse pouco, era um dos melhores, “eu nunca tirei menos de 90 [pontos] nas minhas provas”. O homem bêbado continua chorando.

José fala de ser “sujeito homem”, de voltar pra escola e pra casa da família. O único problema é que o vício não deixa, “eu só não sei por que eu não largo essa pinga e essa droga. Mas eu sou inteligente, moleque, não sou bobo, não”. Ali se mostra o início da fagulha, o desejo de viver. José, que já tinha se despido da vergonha, responde de pronto ao questionamento sobre procurar uma casa de apoio, “se você quiser me levar, eu tô pronto pra ir”, a resposta sai quase como um clamor. O rosto da repórter arde, as mãos tremem. Sobre onde ficarão as suas coisas, José é claro e objetivo: “Minhas coisas vão ficar bem aí onde estão”. Percebe-se então, que aquela conversa não poderia acabar ali. José saiu acompanhado da equipe de reportagem.

No caminho para a Casa de Apoio Metamorfose, no Setor Campinas, José se olha no espelho do retrovisor do carro, “eu tô feio pra caralho, hein?”, ainda chocado com sua aparência, ele conta como foram os últimos dias, “eles [polícia] passam aí e pegam todo mundo. Só não pegam eu, porque eu não devo nada, tô sempre puxando meu carrinho. Não devo nada pra justiça, pra ninguém. Nunca roubei e nem matei”. Em meio à conversa, com José um pouco mais descontraído, ele muda de assunto, “sou geminiano” e brinca “sabe que eu até tenho vontade de arrumar uma mulher?! Mas a gente tem ter capacidade pra ter elas. Dentinho limpo, roupinha bonitinha… Se for pra ter essas da rua é fácil. Aí eu não quero”.

Entramos no Metamorfose e, em todo momento da conversa com o diretor da Casa, que pediu para não ser identificado, José afirmava “eu quero mudar, eu quero sair dessa vida”. Daquela parte em diante, já não era mais com a repórter. José beijava a mão de todos da equipe e agradecia. Ninguém sabia o quê dizer. A repórter sai dali diferente. O peito cheio, os olhos lacrimejando sem saber se choravam ou se sorriam, mas isso não importa.

José pode começar uma nova vida, agora.

Número de idosos no mercado de trabalho diminui em Goiás

Questões relacionadas à saúde são um dos motivos alegados pelas empresas para não contratar pessoas com mais de 60 anos.

CAMILA PEDROSO E KAMILLA LEMES

Rufino exerce função de serviços gerais no CRCGO. Foto: Camila Pedroso.

O número de idosos inseridos no mercado de trabalho em Goiás diminuiu no terceiro trimestre de 2016, segundo estudo divulgado pelo Instituto Mauro Borges (IMB). O número passou de 25%, no mesmo período em 2015, para 23% no ano de 2016, totalizando cerca de 190 mil pessoas idosas trabalhando.

No ano retrasado, havia um percentual maior de idosos sem condições de trabalho. Entretanto, possuíam a menor taxa de desocupação, ou seja, aqueles que, até então, estavam no mercado de trabalho conseguiram emprego.

Cada vez mais o idoso encontra dificuldades na busca de emprego. Muitas empresas se recusam a contratar e manter funcionários da terceira idade, alegando questões relacionadas a saúde, dificuldade de se adaptar às novas tecnologias e falta de profissionalização.

Pensando nisso, a Secretaria de Direitos Humanos, em parceira com Ministérios da Federação, criou em 2015 o Guia de Políticas, Programas e Projetos do Governo Federal Para a População Idosa, que determina como dever do Poder Público a criação e estímulo de projetos de profissionalização especializada, além de preparação dos trabalhadores para a aposentadoria. As ações contribuem para inserção da pessoa idosa no mercado de trabalho.

Embora haja, da parte do idoso, dificuldade em encontrar uma ocupação, existem empresas que optam pela permanência de funcionários após completarem 60 anos de idade. Há quase 30 anos, Rufino Modesto, 66, desempenha a função de serviços gerais no Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO). Mesmo aposentado, ele não abre mão de trabalhar com carteira assinada. “Se for para ficar em casa eu fico doente. O trabalho me distrai e me faz querer aprender mais. Os idosos devem sempre buscar um emprego e ocupar suas cabeças, mesmo que as dificuldades apareçam”, afirmou.

Assim como grande parte dos idosos, Rufino não conhece as normas estabelecidas no Estatuto do Idoso, criado pela Lei nº 10.741 de 1º de outubro de 2003. O Governo Federal garante à pessoa idosa o direito ao exercício de atividade profissional, respeitando os seus limites físicos, psíquicos e intelectuais. Ainda garante a criação de mecanismos que impeçam todo e qualquer tipo de discriminação do idoso, no que se refere a sua participação no mercado de trabalho, seja ele público ou privado.

O diretor do CRCGO, Saulo Gonçalves, defende a inserção e permanência de profissionais idosos no mercado de trabalho e busca manter um bom relacionamento com o colaborador acima de 60 anos. “O idoso passa para a empresa confiabilidade, e compromisso, além de estar sempre buscando tirar dúvidas sobre suas atribuições. A maior dificuldade é no que diz respeito às mudanças na metodologia de trabalho e em algumas atividades mais perigosas”, detalhou.

Saulo e Rufino se cumprimentam em frente à sede do CRCGO. Foto: Kamilla Lemes.

No comando da Gerência de Proteção de Direitos da Pessoa Idosa da Secretaria Cidadã, Luciana Amorim, destaca a baixa procura de idosos com exigências ou reclamações relacionadas ao mercado de trabalho. “A não abertura de oportunidades profissionais desencadeia outros problemas de saúde, como dependência química, sensação de impotência e abandono, alcoolismo e diversas outras”, refletiu.

Abandono Animal, Violência e os desafios de ONG´S protetoras

LUCIANA FERNANDES

ONG´S Protetoras resgatam animais abandonados e vítimas de maus tratos. Foto: Luciana Fernandes.

Quem disse que a vida animal é fácil? Eles também sofrem com a dor e o abandono por pessoas que não tem os cuidados devidos para criar um animal de estimação.  Segundo a Médica Veterinária, Silvia Schultz, cães e gatos são os animais que mais preenchem as necessidades físicas e emocionais das pessoas. No entanto, cuidar de um animal exige tempo, paciência, amor e muita responsabilidade, principalmente estrutura física e, muitas vezes, as pessoas acabam por abandonar estes animais.

Infelizmente a atuação do governo é praticamente nula, tratando-se da ausência de parcerias que promovam a adoção destes animais e leis mais duras para quem comete crime de maus tratos. Diante de um problema de cunho social é que Organizações não governamentais unem forças para resgatar animais abandonados. Muitos são encontrados em caixas deixadas nas ruas; outros vagando sem rumo e sem alimentos; cães acorrentados em lotes baldios e casas sem moradores.

Segundo N. S, voluntária em uma ONG para animais abandonados, em Goiânia, não quis se identificar e pediu para não divulgar o endereço da ONG devido à quantidade expressiva de animais que são abandonados na porta do abrigo e outros são jogados pelo muro sem a preocupação de que o animal vá se machucar.

Angustiada com o extremo descaso da população e do governo, N.S desabafa:

Tenho um trabalho de anos na proteção animal, antes como não precisava, porque tinha uma vida financeira estável e tinha um número bem menor de resgatados, não pedia ajuda alguma e ninguém ficava sabendo de nada, de quanto eu gastava em clínicas, castrações, rações, além de ajudar muitos grupos e alguns protetores e além de ajudar muitas pessoas também” .

A protetora de animais também enfatiza a saga enfrentada para que estes animais recebam cuidados até encontrar um novo lar.

Tenho hoje 120 animais entre cães e gatos e aqueles em situação extrema dormem comigo no meu quarto, cerca de seis cães que não tiro os olhos deles porque são cegos, paraplégicos ou com lesão neurológica.  O restante fica no abrigo. Cuido da limpeza, medicação, banhos, alimentação, tudo isso com a ajuda do marido”, e explicou: “Além desse trabalho, somos representantes comerciais. Depois que perdi minha empresa, não vivo à custa de resgates ou dos animais e tão pouco do pouco das ajudas que recebo com muito carinho dos meus amigos”.

N. S também conta que os desafios da ONG vão além do resgate e de ajudas financeiras, mas principalmente lhe dar com as críticas de quem não se compadece dos casos. ”Eu vejo pessoas falando mal do meu trabalho, dizendo que sou uma faixada e que minhas fotos com animais são para eu aparecer e receber ajuda. Sinceramente, não sei o que é pior, perder tempo vendo essas coisas de pessoas sem respeito ou lutar todos os dias sozinha e com dívidas imensas das clínicas, ração, vacinas, com pedreiros e materiais de construção.Tenho animais paraplégicos, cegos, com problemas psicológicos de traumas”, e arrematou dizendo, “Aparecer eu não preciso, mas, receber ajuda com essa quantidade de animais e com casos difíceis, sim…eu preciso mesmo, porque a responsabilidade social é de todos nós!”.

O Desafio de ONG´s é um processo contínuo desde o resgate ao tratamento  do animal até a recuperação e o encontro de um lar. Muitas, contam com a divulgação dos casos nas redes sociais  e a colaboração das pessoas que se comovem e se  identificam com a causa.

Conheça as ONG Protetoras de Animais em Goiás

Conheça as Leis contra Maus Tratos aos Animais

Saiba como cuidar do seu Pet

ABANDONO NO BRASIL

Segundo a Organização Mundial da Saúde, com estatísticas de 2013, a média de animais abandonados no Brasil chega a 30 milhões. Este número compõe gatos e cachorros sendo  que em cidades de grande porte, para cada cinco habitantes há um cachorro. Destes, 10% estão abandonados. No interior, em cidades menores, a situação não é muito diferente. Em muitos casos o numero chega a ¼ da população humana.

LUTA PELA MORADIA EM GOIÂNIA AINDA ACONTECE EM GRANDES PROPORÇÕES

Famílias vivem em condições sub-humanas nos bairros Parque Eldorado Oeste e Residencial Itaipu

EVANDRO ANDRADE

Com o crescimento dos grandes centros urbanos, ocasionado pela migração de famílias camponesas, o preço de casas ou terrenos para moradia inflacionou. Hoje muitos trabalhadores não conseguem adquirir um local para morar. As pessoas do campo que migram para as grandes cidades, às vezes, por falta de qualificação não conseguem um emprego. Famílias, sem ter onde morar, por falta de alternativas abrigam-se nas ocupações urbanas.

No Parque Eldorado Oeste, dezenas de famílias estão à espera de uma casa, enquanto o sonho da conquista da moradia não chega, muitas pessoas vivem em condições sub-humanas, acampadas em barracões de lona, quando chega o meio dia o calor no interior das barracas é insuportável.

Virgílio Batista da Silva, 60, morador do local, conta que em breve conquistará a casa “há mais de um ano que vivo nessas ocupações tentando conseguir uma casa, mas essa empreitada aqui é a última que pretendo enfrentar, pois tenho fé em Deus e nos candidatos a prefeitos, pois eles vão nos deixar ficar aqui nesse loteamento”, disse.

Lidiane da Silva, 35, também é moradora da ocupação do Parque Eldorado Oeste, ela mostrou o local onde está passando a noite, com colchão no chão, no meio do tempo, encostada em uma cerca. “Meu filho saiu hoje para vigiar carros pra ver se ganha umas gorjetas para nós comprar comida, até agora não comi nada”, afirmou.

Na data desta entrevista ocorreu uma reunião na ocupação, no Residencial Itaipu, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), comparece 300 pessoas. Na atividade foram discutidas estratégias de luta do movimento, técnica de resistência nas ocupações, grito de guerra e, cadastramento de novos integrantes para fazer parte da luta por moradia.

O Dirigente estadual e membro do movimento nacional MTST, Rogério da Cunha explicou que “o objetivo é fortalecer o poder popular, mostrar às famílias que elas têm direitos, inclusive à moradia digna. O nosso maior desafio é mostra que a forma dessas famílias conseguirem seus objetivos é lutando por eles, não é pagando propina, nem depositando à esperança de um futuro melhor nas mãos de candidatos. Disse,  finalizando com um grito. MTST, a luta é pra valer”.

Muitos daqueles que estão acampados tem profissão, mas reclamam da falta de vagas no mercado de trabalho e, atualmente vivem de doações de alimentos, roupas, remédios. Virgílio Batista tem um problema na perna e, por isso não tem condições para trabalhar.

Eronildes da Silva Nascimento é uma veterana na luta por moradia. Participou da ocupação Sonho Real, no Parque Oeste Industrial, em 2004, que foi a maior ocupação urbana de Goiânia. Eronilides estava presente na desocupação feita pela Polícia Militar, em fevereiro de 2005, que resultou na morte de seu esposo, Pedro Nascimento da Silva, e de outro morador,  bem como 80 feridos por arma letal e, 800 presos.

Eronildes aconselha Rogério da Cunha na lida com o MTST e, faz duras críticas à mídia goiana, “na época, a mídia pregoava uma imagem de que na ocupação só existia marginais, isso pode ter influenciado a justiça a conceder um parecer favorável à desocupação. Assim que saímos do Parque Oeste fomos para abrigos, todo mundo amontoado em ginásios, as condições eram insalubres, muitos morreram, adoeceram”, avaliou.

Atualmente as famílias do Parque Oeste Industrial estão morando em casas populares construídas pelo governo estadual, no Residencial Real Conquista, são mais 2,5 mil famílias que agora têm casa. Mas o problema de moradia em Goiás esta longe de ser resolvido. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Goiás tem um déficit de 161, 29 moradias.

Projeto esportivo disponibiliza aulas de Karatê gratuitas

O projeto Educando através do esporte atende pelo menos 60 crianças e adolescentes no setor Cristina em Trindade.

JOÃO MESSIAS DE SOUZA

Com oito anos de existência, o projeto Educando Através do Esporte, do empresário e professor de karatê Welinton Ribeiro de Barros (Xexeu), já atendeu pelo menos 200 crianças e adolescentes na região leste de Trindade e formou 22 atletas faixa preta. O projeto começou em 2008, quando Welinton ainda competia com a faixa marrom, e hoje funciona com pelo menos 60 crianças e adolescentes, que treinam gratuitamente. A sede fica localizada na Academia Deay Fit, no Setor Cristina em Trindade.

Na academia, onde funciona o projeto, também treinam atletas que pagam mensalidade. Para participar de forma gratuita, o responsável pela criança ou adolescente precisa comparecer na sede do programa e conversar com Welinton, o candidato à vaga no programa tem de estar estudando e comprovar que é de baixa renda.

O programa é vinculado à Federação Esportiva Educacional Goiana de Karatê (FEEGK), que tem como presidente, Wellington Ribeiro. Ele explica que hoje por ser presidente da federação está menos burocrático para os atletas competirem nos campeonatos estaduais e nacionais, mas ressalta que o projeto precisa de incentivo e patrocínio de empresas privadas e principalmente do poder público.

“Precisamos de materiais esportivos e patrocínio para os atletas competirem em campeonatos nas outras cidades, além da necessidade deste projeto ser estendido para outros setores”, ressalta Xexeu. Ele diz que começou outro projeto de aulas gratuitas no Setor Maísa, em Trindade, e que teve participação de pelo menos 80 pessoas, mas acabou porque dava aula e tinha que cuidar do projeto no Cristina e era muito corrido.  “No começo, eu pagava um professor para dar aula, mas depois não pude pagar mais e fui dar aula, e estava muito corrido aí tive de fechar. Se tivéssemos apoio do poder público municipal teríamos continuado”, esclarece Wellington.

A Secretaria Municipal de Esporte Cultura e Lazer de Trindade afirmou que o projeto Educando Através do Esporte não recebe verba municipal, pois a secretaria ainda não foi procurada para dar entrada nas partes burocráticas necessárias. O professor rebate, e diz que já apresentou o projeto junto à prefeitura, mas até hoje não teve resposta.

A academia espera levar pelo menos um atleta do projeto para disputar as Olimpíadas no Japão em 2020. Segundo o professor Xexeu, por ter atletas que já ganharam vários campeonatos há chances de algum da FEEGK estar na lista da Confederação Brasileira de Karatê Interestilos (CBKI).

A escolha dos atletas para representar o País nos campeonatos internacionais é feita pela CBKI, em que a Confederação Brasileira faz um Ranking dos atletas que ganharam campeonatos estaduais e nacionais, além disso, o atleta tem de estar inscrito em alguma federação estadual vinculada à CBKI. Camila Santos de Souza, estudante e faixa marrom, é atleta do projeto e conta que “seria um sonho disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio”, ela compete no projeto desde 2011, com 15 anos e hoje com 20 já ganhou vários campeonatos de Karatê, entre Goianos e Copa Trindade.

FAZENDO POLÍTICA PARA AJUDAR A SOCIEDADE

Exercer cidadania no próprio bairro pode ter seus obstáculos, porém, quando coloca a política à frente de interesses pessoais, realizações acontecem quando políticos agem em prol da sociedade.

BRUNELLE PORTELA E LETÍCIA COSTA

O cenário político brasileiro hoje está um caos, é possível perceber brasileiros perdendo a esperança, o que é difícil quando se trata de nossa nação. Imagine como é então fazer parte do governo, ajudar a quem mais precisa sem pedir nada em troca, apenas amizade. João Araújo sempre quis fazer parte desse mundo político, nasceu no interior da Bahia e veio com a família morar em Goiânia. A partir de seu irmão, o Vereador Djalma Araújo pode ter um contato verdadeiramente com a administração política.

Desde que chegou à capital goiana, foi morar na Região Norte, no Setor Itatiaia, percebeu que aquele lugar precisava de cuidados, principalmente com crianças que não tinham onde ficar para os pais trabalhar, e não poderiam ir para a escola. Foi aí então que lutou para construção de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), se esforçou para que o governo municipal olhasse para aquela região que estava carente de atenção.

Logo após perceber que apenas enfrentando os mais fortes poderia conseguir fazer cidadania de verdade, João Araújo decidiu entrar na política. ‘‘Eu sabia que deveria começar por baixo, precisava que todos da minha região me conhecessem antes dar um passo mais alto e tentar entrar na Câmera de Vereadores, então consegui ser funcionário público’’. Após entrar como cargo comissionado na Prefeitura de Goiânia, João começou olhar para sua região que estava esquecida.

As dificuldades existem principalmente no âmbito político, mas quando se trata de cidadania, sabe-se que é oferecer condições melhores para qualquer cidadão, ter alguém que faça isso pode ser mais fácil. ‘‘Fazer o bem, estender a mão sem olhar a quem e unindo forças para proporcionar uma melhor qualidade de vida para a população da minha região, se não fosse a política não havia conseguido tantos feitos. Me candidatei a vereador de Goiânia, porém não fui eleito, mas garanto que ainda sim vou possibilitar políticas públicas para a sociedade’’. Cidadania sem política não funciona, ambas caminham juntas, independente de gênero, cor, religião e classe, todos tem o direito de exercer seus direitos como cidadão, entre ele, emprego, moradia, estudo, saúde. Podendo existir certo bloqueio quando se fala de cidadania, é inevitável não guardar na memória o que o outro pode fazer para ajudar quem mais precisa, e muita gente tem essa necessidade, entrar na política pode ter suas objeções, mas quando tem a oportunidade de oferecer cidadania e ajudar para que coisas boas aconteçam pode valer. A intenção de política e cidadania andar juntas é justamente para auxiliar e realizar o que deve ser feito pela região e pelo outro, sem nada em troca apenas fazendo com que os direitos de cada cidadão sejam cumpridos.

Propondo mudanças e gerando transtornos

LEOMAR SILVESTRE

Recentemente tivemos eleições municipais em todo o País, elegendo novos prefeitos e vereadores. Todos os candidatos, como já é de costume, demonstram inteira preocupação e se dispõem a lutar pela saúde, educação e meio ambiente. Isso mesmo, meio ambiente. Será que para obter votos é realmente necessário lotar as ruas de propaganda? Nessa matéria, mostrando o ponto de vista de três estudantes que estão em etapas diferentes da vida: Ensino médio, curso pré-vestibular e graduação.

Charge: André Santos.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, em Goiânia temos 957.161 mil eleitores ativos e haverá segundo turno para a eleição de prefeito. A importância das eleições diretas é indiscutível, foi um direito conquistado e permite que cada cidadão possa fazer parte da mudança que deseja. E é justamente esse poder de mudança que vou mostrar para você. Então, vamos refletir, como você considera a forma de política vigente?

Luiza Seeman, 17, estudante de curso pré-vestibular para medicina: “Creio eu que a forma política atual tem muita divulgação somente em prol do candidato, mais como forma de propaganda do que qualquer coisa. Existe uma grande manipulação de dados para divulgar o que possa beneficiar ou prejudicar certo político. Ainda falta uma mídia mais desaparelhada do Estado, comprometida realmente com a divulgação de verdade do que apenas propor sua ideologia”.

Pedro Victor, 17, fazendo o último ano do ensino médio: “A forma de fazer política atualmente ainda é muito arcaica e sem qualquer revisão ou aprofundamento, normalmente são promessas em que o divulgador não possui autoridade para executar!  As campanhas são muito genéricas, pois é comum ver o mesmo discurso em lugares totalmente diferentes”.

Luana Rosa, 28, cursando graduação em jornalismo: “A divulgação da campanha é perfeita. Muito marketing, utilizam de áudio, carros de som, TV, rádio, mas seria bom se eles quando eleitos cumprissem o que dizem. Todos sabemos que nem a metade dos políticos cumpre suas promessas”.

Esses são pontos de vista diferentes, mas provavelmente se assemelham aos de grande parte da população. O Código Eleitoral vigente, através da Lei 12.034 estabelece restrições à propaganda política, não admitindo mensagens que incitem a guerra, atentados, desobediência civil, ofertas ou promessas de dinheiro ou vantagens, inclusive sorteios. Mas, a fiscalização dessas restrições não é sempre feita por completo, em partes cabe à população, indiretamente, se conscientizar e lutar por seus direitos.

A mesma lei citada, que foi alterada em 2009 diz que com o objetivo de diminuir a poluição visual e ter maior cuidado com o meio ambiente, o que antes era permitido com a colocação de cartazes, placas, estandartes e faixas ou assemelhados em postes, viadutos, passarelas, paradas de ônibus, pontes e outros equipamentos urbanos, hoje está proibido. Mesmo que tais propagandas sejam removíveis e não causem dano, dificultem ou impeçam o bom andamento do tráfego. Nestes casos, a multa varia de R$ 2 mil a R$ 8 mil, se o bem não for restaurado após a notificação da Justiça Eleitoral. A política feita atualmente causa algum dano ambiental?

Luana Rosa: “Sim. Tanto na poluição sonora quanto na divulgação impressa, com jornais e panfletos. Geralmente um dia antes das eleições, eles espalham esse material nas ruas de forma totalmente incorreta”.

Luiza Seeman: “Não é o principal problema, mas a falta de consciência e responsabilidade ambiental colabora com ela.  Com tantos santinhos distribuídos, as pessoas acabam descartando na rua e sujando a cidade, o que pode provocar outros problemas, como o entupimento de bueiros e as consequentes enchentes. Além de prejudicar a estética da cidade”.

Pedro Victor (17 anos, fazendo o último ano do ensino médio): Sem dúvidas, principalmente no dia eleitoral onde as ruas são infestadas de santinhos e panfletos. Sem contar que o uso de papel ainda é intenso em ano eleitoral.

O nome santinho aparentemente vem de uma prática relacionada à Igreja Católica. Antigamente os padres distribuíam pequenos papeis com imagens coloridas de santos, que eram chamados, na época, de “Santinho”. Até aí sem problemas, mas a poluição é gerada pela quantidade exacerbada de santinhos. Um exemplo; se a cidade tem cem mil habitantes, não é necessário ter duzentos mil santinhos. Esse excedente é feito para justamente despejar nas ruas e fazer “boca de urna” indireta.

Mas essas atitudes não devem acabar com seu conceito positivo sobre a política. Nosso país é democrático, logo, precisamos dela para adquirir melhorias de vida. Quem você elege deve te representar nos mais diversos níveis de poder existentes, tudo depende literalmente do seu voto. Após vencer uma eleição, a pessoa que ocupa o cargo se torna um servidor público. Devendo prestações de contas para toda a população. Então, na sua opinião, qual a importância da política para a sociedade? Ela cumpre o seu papel na realidade ou apenas na teoria?

Pedro Victor: “A política brasileira teria tudo pra dar certo se a base teórica fosse respeitada, infelizmente não podemos culpar os cidadãos pela má educação política, mas sim tentar meios cabíveis para promover um ensinamento melhor do exercício da política”.

Luiza Seeman: “A política tem um grande peso para a sociedade. Por meio dela que temos nossa representatividade e a de nossos interesses, coletivos e individuais, no cenário nacional, estadual e municipal. Na situação atual do Brasil, o papel central é cumprido, mas não da forma ideal. Existem muitos cidadãos, se podemos chamá-los assim, que não dão valor ao seu direito e dever, que elege ou não e tem o poder de tirar e colocar quem for o melhor”.

Luana Rosa: “O papel dos políticos seria administrar a vida pública, representar o cidadão e trabalhar pela melhoria e o bem-estar da comunidade. Não, eles não cumprem o dever que lhes é confiado”.

Para concorrer a um cargo público é necessário atender aos atributos mínimos exigidos pela Constituição Federal, conforme especificado no vídeo. Mas, para ser um bom governante é preciso de muito mais. Um governante deve ter noções consideráveis de administração pública e uso das verbas arrecadadas. Precisa manter contato direto com todas as parcelas da população, inclusive aqueles que não o elegeram, para atender as suas necessidades. E também receber aqueles que precisam. A política é mais que uma série de acordos almejando fins próprios, essa mudança começa com seu voto. Quais as características fundamentais para um bom governante? Você considera que votou corretamente?

Luiza Seeman: “Um bom governante, a meu ver, deve ser bem instruído, com o mínimo de honestidade que não permita ser facilmente corrompido, cumprir ao máximo suas promessas de campanha e saber liderar, gerenciar e coordenar alianças que favorecem aprovar projetos mais rapidamente e facilitem seu governo. Apesar de já ter 17 anos, escolhi não fazer título de eleitor para essas eleições municipais. Minha cidade [Palmeiras de Goiás] é muito polarizada e prefiro evitar um cenário que pode gerar represálias violentas”.

Pedro Victor (17 anos, fazendo o último ano do ensino médio): Acho que a principal característica de um governante deve ser a racionalidade, para que ele trabalhe de acordo com as leis e não com sua vontade própria. Ele deve conhecer os problemas do sistema, e ser capaz de resolvê-los ou minimizá-los, afinal é o cargo que ele deverá exercer. A ideia que ele deve ter em mente e que ele trabalha para o povo. Não sei se votei certo, mas confiei nas promessas de meu candidato e estou pleno de que se ele não as realizasse poderia recorrer ao judiciário”.

Luana Rosa: “Bons governantes seriam aqueles que tivessem seus interesses voltados para o bem de todos e não somente dele. Eles não deveriam roubar, se corromper, mentir. Deveriam ser exemplos para todos. Infelizmente não é esse exemplo que temos dos políticos no nosso país. Nestas eleições votei em um candidato que considerei ter as melhores propostas. Para vereador, votei em quem já conhecia o trabalho, ficha limpa e que realmente trabalha a favor de todos”.

Com essa leitura, diversas questões foram levantadas em sua mente, provavelmente reflexões próprias e julgamentos de valor social. Tenha consigo que, desde o início dos tempos nossa sociedade evoluiu com pequenas ideias que se tornaram grandes mudanças. Esse assunto já foi abordado de tantas formas que até pode parecer clichê. Mas, acredito que só podemos parar de discutir um problema depois que ele foi totalmente resolvido. Busque em seus pensamentos se ele realmente foi. Espero que as opiniões e fatos abordados aqui tenham feito você sair da sua “zona de conforto”, pois nada de bom acontece quando se está nela.

Cultura ocupa o centro de Goiânia

Prédios e espaços públicos de Goiânia tem se tornado lugares para intervenções artísticas e culturais

NATANAEL GONÇALVES DIAS

Mais uma vez o “Grande Hotel” é ocupado no domingo com uma intervenção cultural. Dessa vez o evento “Dropei – criança viada” foi direcionado ao público LGBT e população em geral. A inspiração do evento foi o dia das crianças, devido à proximidade dessa data. O objetivo foi de promover entretenimento gratuito ou de baixo custo para a população.

O prédio no estilo Art Déco construído na década de 1930 em plena avenida Goiás no centro de Goiânia que a princípio foi o “Grande Hotel”, impressiona pela beleza e simplicidade.  O local foi considerado um dos mais importantes daquela época, já que reuniões de negócios eram realizadas no local e pessoas mais influentes que vinham a Goiânia se hospedavam. O hotel tem o título de Patrimônio Histórico de Goiânia, desde 18 de novembro de 2003. Atualmente, funciona no prédio um centro cultural.

O Edifício tem se tornado, cada vez mais, palco de intervenções como atos políticos, eventos artísticos e culturais. O projeto tem o intuito de levar música eletrônica, funk, música pop e diversão de forma mais acessível para a população.

“Um evento cultural de rua abrange muitas pessoas que não tem condição e com isso estamos dando oportunidade para quem não pode pagar para ir a uma boate”

Evento “Dropei – Criança viada” no pátio do Grande Hotel. Foto: Natanael Gonçalves Dias.

Em uma pacata e quente tarde de domingo, um evento que faz parte desse projeto reuniu pessoas das mais variadas tribos, estilos e contou com a presença de DJs tocando música pop, funk e eletrônica. A estudante, Natália Costa, 19, foi uma das participantes e defende o projeto “Eu acho além de legal, muito importante. Porque ajuda a disseminar a arte e cultura que nós temos aqui em Goiânia”.

O promoter Ítalo Dorotheo, 20, destaca a importância dos eventos gratuitos e mais acessíveis para a população “Aqui é um evento feito para o povo, é um evento aberto, não tem valor fixo e cada um contribui com aquilo que pode. A nossa inspiração é a galera”.

A DJ e organizadora do evento, Barbara Novais, 24, reivindica ao prefeito de Goiânia projetos na área da cultura.  “Eu espero que ele invista mais e faça mais vista grossa para reclamações pequenas como o barulho. Um evento cultural de rua abrange muitas pessoas que não tem condição e com isso estamos dando oportunidade para quem não pode pagar para ir a uma boate” ressalta.

Portadora de deficiência encontra no vôlei a chance de mudar de vida

Maranhense integra a equipe de vôlei sentado em Goiânia e chega a paraolimpíadas.

ANA CAROLINE SOUZA

Pâmela Pereira nasceu em Balsas no Maranhão. Veio pra Goiânia em 2011 com 25 anos. Faz dois anos que ela  sofreu um acidente de moto e perdeu parte da perna esquerda. Pâmela viu no esporte a chance de dar a volta por cima, no início ela diz que foi difícil, doloroso, por ser um esporte que joga sentado.

Com o esporte ela diz que a oportunidade de não entrar na depressão, e ao invés de lamentar ela iria somente agradecer por não ter morrido. Pâmela diz ter recebido o convite para jogar vôlei quando estava em um supermercado.

Casada com um filho, ela fala da batalha do dia a dia no esporte.” Não é fácil, o vôlei exige bastante de mim, treino quatro vezes por semana, cada treino dura aproximadamente três horas. Tenho que treinar bastante, mesmo com a falta de bolsa atleta que deveria receber do governo, eu não desisto.”

Pâmela está sem receber a bolsa atleta, segundo ela, o governo alega que uma vez que ela é “encostada” pelo INSS, ela não tem direito a bolsa.  Ela acaba de chegar do Rio de Janeiro foi convocada para as paraolimpíadas, onde conseguiu a medalha de bronze.

Animada e feliz com a medalha do Rio de Janeiro ela faz um convite aos portadores de deficiência física, o time de vôlei está precisando de mais atleta. “Você que é portador de deficiência, venha jogar com a gente, descobri um mundo novo, descobrir coisas novas se motivarem, quero passar para todos a experiência de ter participado e conquistado essa medalha no Rio.

Ofício em jogo

NATANAEL GONÇALVES

A profissão de árbitro de futebol, tem a finalidade de marcar gols feitos pelo time opositor e, claro, sendo aquele com mais gols o vitorioso. Pode atuar, também, como juiz que anuncia com o apito o início e o final de uma partida. Faz o cumprimento das regras esportivas como, cobrança de faltas, pênaltis, expulsões, escanteios e outros. A participação do árbitro é indispensável, já que sem ela o jogo não começa.

Francisco de Assis que prefere ser chamado de “Tito”, 39 anos, casado, padrasto de dois enteados e pai de uma garota de 13 anos, tem pouco mais de 1,70 m de altura e por volta de 80 kg. Natural de São Miguel do Tocantins – TO, foi tentar a vida ainda jovem na cidade de Gurupi – TO, lá jogou futebol de campo e futebol de salão com alguns campeonatos vencidos ao longo de sua carreira e, também, foi o lugar onde começou a apitar jogos e conheceu sua esposa Oneide com quem é casado há 17 anos.

Francisco de Assis se divide entre a profissão de árbitro de futebol, microempresário e sapateiro.

Mas, para quem sonha em exercer a profissão de árbitro é preciso muito mais do que gostar de futebol. Já que, além do bom preparo físico, bom senso, moralidade, honestidade, muita paciência, autoridade, capacidade, conhecimento das regras do jogo, imparcialidade e capacidade de liderança são fundamentais.

Apesar de tocar uma pequena distribuidora de bebidas e ainda trabalhar como sapateiro. Francisco atua como árbitro amador há mais de 15 anos e tem no ofício uma paixão na sua vida. Quando chamado dificilmente recusa os bicos para apitar jogos que normalmente ocorrem nos finais de semana e feriados. Na pequena e simples sapataria onde trabalha, em meio a vários sapatos e malas para consertar. Francisco relata o início de sua carreira nos campos “ Por influência de amigos. Amigos meus que trabalhavam na empresa comigo. E aí eles foram me incentivando. Aí eu fiz o curso e gostei do trabalho e até agora estou nesse ramo”.

A esposa Oneide, mesmo concentrada em seu trabalho de dona de casa, se sente preocupada com o marido e opina sobre a profissão dele “ Acho muito perigosa as vezes. Tem agressão no meio de campo, das pessoas e dos jogadores”.Outra personagem importante que não hesitou em me dar uma entrevista, é Jennifer, de 13 anos, que faz questão de acompanhar a rotina do pai. A menina, estudante do ensino fundamental, diz que o ofício do pai há muitas discussões, brigas e xingamentos tanto por parte dos jogadores quanto dos torcedores. Tito dá uma boa dica que segundo ele é essencial e de ouro para se tornar um bom árbitro “Eles falam muito que juiz é ladrão, arbitro é ladrão. E se tem uma pessoa que precisa ter nome limpo é arbitro de futebol”.

Mesmo tendo almejado várias vezes a carreira profissional de árbitro, Tito ainda consegue expor a sua satisfação por ter uma pequena empresa de bebidas, por trabalhar como sapateiro e, claro, demonstra orgulho por ter na arbitragem não só um esporte, mas uma profissão que, mesmo sendo, um baixo complemento de renda para o sustento próprio e de sua família o deixa realizado por fazer o que ama.

Mais que um hobby

Uma história de amor com o futebol.

LUANA BERNARDES E LUCIANA FERNANDES

Por termos o título de “Brasil, o país do futebol”, muitas crianças crescem com o pensamento de crescer e ser jogador de futebol. É uma das principais brincadeiras nas escolas, nas ruas, dentro de casa, etc. O futebol desperta paixões. É um amor passado de pai para filho, geração em geração.

Para contar esta história, voltamos para os anos 80. Vamos contar um pouco da história de Adair Júnior. Um pequeno com um grande sonho…

Os pés descalços não cansam de correr atrás da bola. O sol forte de Goiânia parece não intimidar a brincadeira das crianças. A felicidade é visível, para aqueles pequeninos que só se imaginam como os grandes cracks dos gramados. Enquanto joga, uma janela da imaginação se abre e Adair se vê ao lado de Zico, tocando a bola, recebendo de volta e marcando um gol. Acorda desse sonho com um grito de seus amigos para que chute logo a bola.

Apesar de sua vontade de ser um crack do futebol se estender até a adolescência, Júnior se viu distante de seu sonho de ser jogador de futebol. Aos 16 anos, Adair se adaptava à nova realidade: ter que cuidar de seu irmão mais novo, já que sua mãe, solteira, tinha de trabalhar para garantir o sustento de todos. Ele não poderia mais jogar bola depois da aula.

No começo era difícil ver seus amigos brincando e não poder desfrutar da brincadeira. Agora troca fraudas, serve inúmeras mamadeiras. Entre banhos e mais mamadeiras, Júnior aos poucos via seus objetivos indo embora. Ainda podia contar com as aulas de Educação Física, mas não era a mesma coisa.

O tempo passou, se formou no ensino médio, se casou, teve um filho, ingressou no curso superior. Depois que a vida adulta chegou não lembrava mais de futebol. Havia deixado seu sonho adormecido em um canto de sua memória. Adair não imaginava o que estava por vir.

Em uma tarde de outubro de 2013, em seu trabalho, Adair sente um desconforto. Uma dor forte no peito. Ele se levanta, vai ao banheiro, molha o rosto, dá uma volta e bebe um gole de água. Engana-se pensando que vai passar, que é uma indisposição qualquer. Não imaginava que um infarto estava por vir. Sua pressão arterial chega à 17X14, muito alta. Júnior acorda na emergência do hospital com este diagnóstico. Segundo o médico este problema era decorrente de uma vida sedentária, má alimentação, estresse. Assustado, pensa em como essa doença poderia ter começado, mesmo ele sendo tão jovem, com apenas 30 anos. Pensa na vida que poderia estar chegando ao fim. Lembra de seu filho, sua família, em quanta gente poderia estar deixando para trás. Doenças não escolhem pessoas, cor ou idade. Elas aparecem. Mas ele estava disposto à lutar por sua vida.

Para Adair, esse susto bastou para que ele acordasse para outra realidade. Afinal, ele sabia o que fazer para manter uma vida saudável. Não fazia por falta de tempo. Com o tratamento e alimentação adequados, agora era a hora de voltar a praticar alguma atividade física. Sair do sedentarismo era fundamental para sua recuperação.

Foi quando se lembrou dos tempos de criança. O futebol sempre o fez feliz e sentiu vontade de jogar futebol, chegou a hora de voltar à correr atrás da bola. No começo, o médico recomendou uma atividade mais leve. De início a caminhada, depois corrida. Após dez meses de treinos leves, estava liberado seu futebol.

“Nunca mais deixarei de jogar. Estes dias em que me encontro com meus amigos para jogar nossa “pelada”, renovam minha mente. O cansaço vai embora. As dores nas articulações acabaram”, diz Adair Júnior.

Hoje, com 32 anos, volta aos gramados. “Me sinto um novo homem. Sinto mais energia, voltei a ser feliz! Nos dias que não têm futebol, faço minha caminhada, sempre

alternando com a corrida! Hoje me vejo como uma grande inspiração para minha família e amigos. Minha esposa passou a frequentar as aulas de musculação, cinco vezes por semana. Meu filho joga na escolinha do Goiás Futebol Clube. Hoje, me sinto mais feliz, de bem comigo mesmo. Espero que minha história sirva de exemplo para outras pessoas. O futebol é mais que um hobby pra mim, porque me proporciona alegria, saúde, bem-estar. Eu amo jogar futebol”, diz Adair Júnior.

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