Casamento fora de moda

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

 

Véu, grinalda, vestido branco, buquê, igreja, daminhas e pajens. Todos esses substantivos já fizeram parte dos sonhos de muitas mulheres. Mas hoje o tempo é outro e cada vez mais cresce o número de pessoas que não querem casar. O Brasil registrou 1.095.535 casamentos civis em 2016, o que significa uma queda de 3,7% no total de casamentos em relação a 2015. É o que mostra a pesquisa mais recente da Estatísticas do Registro Civil 2016, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda não foi divulgado do ano de 2017.

Medo de perder a liberdade, falta de preparo financeiro e a busca pelo par perfeito podem estar afastando as pessoas do altar. E são os jovens que não querem casar. Um relatório do Urban Institute, de Washington, prevê que grande parte dos integrantes da chamada Geração Y ou geração do milênio, nascida entre os anos 1980 e 2000, chegará solteiros aos 40 anos.

Já os adultos estão formalizando suas uniões mais tarde, e a parcela de pessoas vivendo juntas e criando filhos fora do casamento aumentou significativamente, afirma o estudo. No Brasil, a idade média para o casamento passou de 23 anos para as noivas e 27 anos para os noivos, na década de 1970, para 30 anos para elas e 33 anos para eles, conforme o IBGE. A elevação da idade média ao casar nos últimos anos pode ser reflexo da maior dedicação aos estudos e da busca por salários mais elevados.

Entre os adultos ouvidos pelo Pew Research Center que nunca se casaram, mas que não descartam a possibilidade, 27% afirmam não estar financeiramente preparados para o casamento, e 22% dizem não estar prontos para sossegar. Outros 30% argumentam que ainda não juntaram os trapos formalmente por não terem encontrado alguém que tivesse as qualidades que buscam num cônjuge.

“O dinheiro é um dos motivos pelo qual os casais mais encontram dificuldade para o casamento. Eu diria que o problema não é o dinheiro, mas a forma como o casal lida com ele”, explicou a psicóloga Lívia Tomás. Segundo ela o segredo é trabalhar por meio de um diálogo e entender, verdadeiramente, o significado do dinheiro para cada um, assim há uma possibilidade de encontrar um denominador comum.

Crédito da foto: reprodução/internet.

Morar Junto

Cada vez mais casais optam por viver sob o mesmo teto e adiar ou até abrir mão do casamento. Segundo o IBGE, no Brasil é cada vez mais comum a opção pelo convívio em união consensual e a postergação do casamento formalizado.

A declaração de união estável está sendo uma opção muito procurada pelas pessoas que querem ter acesso aos benefícios das pessoas casadas, como o desejo de incluir o parceiro em planos de saúde e financiamento de imóvel, mas não querem passar por todos os requisitos formais que caracterizam o casamento no civil.

O Novo Código Civil define a união estável como uma “relação de convivência pública entre duas pessoas que é estabelecida com o objetivo de constituição familiar”. Uma novidade no que diz respeito a união estável, que está presente no Código é a não menção a um prazo mínimo de duração da relação de convivência para que ela seja considerada válida. No documento também é citado que não é um pré-requisito as duas pessoas morarem juntas, os declarantes podem morar em casas diferentes.

A principal diferença entre o casamento e a união estável é a partilha de bens em caso de morte, uma vez que o casamento considera a companheira viva herdeira de alguns bens do falecido, mesmo sem a necessidade de testamento, já a união estável não garante isso, é preciso ter um outro documento que ateste essa vontade por parte do casal. Outra diferença está no estado civil: quem está em uma união estável ainda responde como solteiro.

“Em Anápolis, o lixo vira flor”

Texto: Raquel Fernandes

Edição: Vinicius Martins

 

A Prefeitura de Anápolis em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Habitação e Planejamento Urbano, promove ação que transforma resíduos orgânicos em fertilizantes, utilizando-os em hortas, canteiros e jardins da cidade. Estes resíduos – aproximadamente 30 toneladas –, que antes eram descartados no Aterro Sanitário de Anápolis, agora são convertidos em terra preta que atua como um solo bom e fértil para plantações. Desta forma, a chamada Compostagem Municipal aumenta a vida útil do Aterro Sanitário e gera mais economia para a cidade.

Algumas praças em Anápolis já têm utilizado a compostagem como componente de substratos para o cultivo e a produção de mudas. Esta transformação do lixo em flor, como destaca o diretor Antônio Zayek, mostra que o processo melhora a saúde do solo e das plantas, pois permite que organismos e microrganismos nasçam e vivam em meio a subprodutos do lixo. A Praça Badia Daher, no Bairro Jundiaí, é um exemplo de como os resíduos orgânicos podem ser aproveitados como adubo para a plantação de flores.

Canteiro de flores na Praça Badia Daher, plantado com fertilizantes provenientes da compostagem. Foto: Raquel Fernandes.

A compostagem é classificada como um tipo de reciclagem do lixo orgânico, ou seja, o processo biológico de aperfeiçoamento da matéria orgânica seja ela de origem doméstica, industrial, urbana, agrícola ou florestal. Refere-se a um curso natural em que os micro-organismos, como fungos e bactérias, são encarregados pela deterioração de matéria orgânica, transformando-a em húmus, um material bastante fértil e rico em nutrientes. Os compostos produzidos devem apresentar alta qualidade para serem classificados como condicionadores de solo, tendo em vista que a coleta seletiva e a reciclagem de resíduos são uma solução fundamental, pois permite a diminuição do volume de lixo para disposição final em aterros e incineradores.

A compostagem é a meta do plano de resíduos, pois, se tratando do meio ambiente, é necessário compostar o material orgânico para se ter uma melhor destinação do lixo, convertendo-o em solo. Outro aspecto que valoriza a economia da cidade, é que as podas de árvores realizadas em Anápolis, por exemplo, eram levadas diretamente para o aterro sanitário. Agora, elas são moídas e compõem a matéria da compostagem, aumentando o seu volume e consequentemente a quantidade de solo produzido.

Em entrevista ao Araguaia Online, o diretor de Meio Ambiente, Antônio Zayek, afirma a importância da compostagem para a economia e para a saúde do solo das praças da cidade, além de exaltar Anápolis como a única referência neste processo no Centro-Oeste. Sobre a realização do processo de compostagem, Antônio Zayek explica que “o material coletado no mercado do produtor e nas feiras de Anápolis, que antigamente entrava no aterro sanitário, valia por tonelada R$ 41,50 pagos pela Prefeitura. Estes insumos contaminam muito o aterro, gerando gases e criando chorume devido à matéria orgânica. Então nós pegamos este material e compostamos em composteiras, que são leiras de aproximadamente dois metros de altura, e cobrimos com palha para manter a umidade. Desta forma, os microorganismos transformam os compostos orgânicos em solo. Este processo é realizado à beira do aterro, criando uma terra preta muito rica em nutrientes para as plantas.”

Já sobre a importância da compostagem para a cidade de Anápolis, o diretor destaca que “além da economia gerada, há também o ganho ambiental, pois se começa a produzir solo sem a necessidade de se comprar insumos. Com este material os jardins adquirem uma qualidade muito boa. Por este motivo, as flores da Praça do Planetário e da Praça Badia Daher estão tão bonitas. O processo é recente, tendo começado em junho, mas já produzimos aproximadamente 150 toneladas de composto. Sendo assim, a cidade se beneficia com uma ação correta, em que a vida útil do aterro sanitário não é diminuída, há uma economia ao não precisarmos comprar insumos, e passamos a ter jardins muito mais bonitos.”

Aedes aegypti: o poder da água sanitária

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

Resistentes, os ovos do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, chinkungunya e zika vírus, podem sobreviver por um ano inteiro, sendo transportados a grandes distâncias, em recipientes secos. Eles ficam esperando só um pouquinho de água para eclodir. Por isso, o clima chuvoso e quente é tão perigoso para a formação das larvas e, depois, do mosquito.

O Aedes gosta de colocar os ovos nas paredes de criadouros com água limpa e parada, o que requer uma boa desinfecção com água sanitária (hipoclorito de sódio com concentração de cloro ativo entre 2,0% e 2,5%).

O poder do cloro no combate de possíveis criadouros do Aedes aegypti já foi comprovado cientificamente.  O produto também é capaz de matar a maior parte de germes e bactérias causadores das doenças transmitidas pela água contaminada das enchentes, como leptospirose, hepatites do tipo A e E e gastroenterites.

A ação do produto é reconhecida pelo Ministério da Saúde e foi comprovada por estudo do Laboratório de Radiobiologia e Ambiente do Centro de Energia Nuclear na Agricultura -CENA, da Universidade de São Paulo (USP). Encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Cloro, Álcalis e Derivados (Abiclor), o estudo mostrou que o hipoclorito de sódio é quase 100% eficaz para este uso.

Segundo o estudo, a higienização das casas para eliminar as larvas do mosquito é um hábito a ser incorporado na rotina das famílias e empresas, considerando-se que 80% dos focos estão dentro de casa.

Dengue mata

A dengue é uma doença de origem viral, que pode ser assintomática, leve ou grave, levando à morte, especialmente nos indivíduos que apresentam fatores ou condições de risco para as complicações da infecção.

Conforme registros do Sistema de Informação de Agravo de notificação (SINAN), do Ministério da Saúde (MS), no Brasil, em 2017, foram notificados 251.711 prováveis casos de dengue, com registro de 33 óbitos confirmados.

Já em Goiás, no mesmo ano, foram registrados 60.668 casos prováveis de dengue, com oito óbitos. O Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), por meio do seu Núcleo Hospitalar de Vigilância Epidemiológica, notificou 374 casos em 2017, sendo confirmados 277, com três mortes. Nos registros de 2015 até 31 de julho de 2018 foram 1.712 casos prováveis de dengue, entretanto, 2018, ano que ainda não acabou, foi o com maior número de notificações, com 584 prováveis casos.

De acordo com o infectologista Alexandre Costa, o vírus da dengue possui quatro subtipos, de 1 a 4. Porém, os sintomas são os mesmos: febre alta, manchas na pele, dores no corpo, nas articulações, na cabeça e nos olhos. “Também existem os sinais de alerta, que é quando a doença pode evoluir para forma mais grave, que além da febre e dor no corpo, o paciente pode ter dor abdominal intensa, plaquetas muito baixas, com menos de 100 mil e tonteira, hemoconcentração”, pontua o médico.

Segundo o infectologista, uma vez infectada por um dos vírus da dengue, a pessoa fica imune a este vírus. “Se teve dengue tipo 1, não terá mais. No entanto, pode ter a do tipo 2, 3 ou 4”, salienta Alexandre. O tratamento é basicamente repouso e hidratação. “O paciente deve ingerir grandes quantidades de líquidos e monitorar os sinais vitais. Em alguns casos, pode ser necessário a internação da pessoa e fazer a hidratação com soro por meio da veia. Além disso, analgésicos e outros sintomáticos podem ser prescritos para aliviar as febres e dores. O importante é procurar um médico para avaliar o caso”, afirma.

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Dicas práticas de uso da água sanitária

Ralos: Despeje solução de água sanitária na proporção de uma colher de sopa por litro de água em ralos de pias, banheiros e cozinha. Atenção: Faça a limpeza das pias e dos ralos à noite, antes de dormir, para que a água sanitária possa agir por mais tempo.

Plantas: Essa mesma solução (água sanitária na proporção de uma colher de sopa por litro de água) também pode ser usada para a rega de plantas, particularmente  que acumulam água entre as folhas, como as bromélias. Esta solução não faz mal às plantas e evitará o desenvolvimento da larva do mosquito.

Vaso sanitário: Coloque o equivalente a duas colheres de hipoclorito de sódio por litro de água no vaso sanitário, nos ralos do banheiro, cozinha e a área de serviço. Esse é um cuidado que se deve ter antes de viajar, quando a casa fica fechada por algum tempo.

Piscina: Mantenha a piscina tratada, mesmo que a mesma não esteja sendo usada. Com o tempo, o cloro pode evaporar, e a piscina se tornar um foco da larva do mosquito. Durante o inverno, por exemplo, é comum deixar a piscina coberta. Nesse caso, não deixe acumular água de chuva na lona de cobertura, pois pode ser um foco do mosquito.

Caixas d’água:  A limpeza deve ser feita a cada seis meses. Feche a entrada de água e esvazie a caixa quase toda. Deixe sobrar água suficiente para lavar, com uma escova, as paredes e o fundo da caixa. Não use produtos de limpeza nessa etapa. Enxágue bem e esvazie toda a água suja, dando repetidas descargas no vaso sanitário. Depois de limpa, encha a caixa novamente e adicione um litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água. Espere duas horas e esvazie novamente a caixa, abrindo todas as torneiras, para limpar os canos da casa, até sair água limpa. Depois, encha com água potável e tampe.

Uma em cada seis mulheres terá câncer

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

Uma das doenças que mais preocupam as mulheres é o câncer. E essa preocupação não é à toa, visto que no mundo, uma em cada seis mulheres terá câncer em algum momento da vida, de acordo com o relatório mais recente da Agência Nacional de Pesquisa Contra o Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre os tipos de câncer mais comuns nas mulheres estão o de mama e o de ovários. Fatores como estilo de vida e idade avançada pesam na incidência da doença. Estima-se que 75 a 80 % dos casos de câncer de mama originem-se em mulheres sem fator de risco genético para a doença. Mas para aquelas que já têm predisposição ao câncer por fator genético da mãe ou do pai, o que corresponde a 5% até 15% dos casos, é possível prevenir o aparecimento de tumores malignos fazendo um teste genético simples.

Contudo, já existem hoje, testes que identificam em uma pessoa se ela tem alguma uma provável chance de ter a doença. O exame, feito por meio de coleta de sangue ou saliva, identifica mutações nos genes BRCA. Laboratórios particulares no Brasil já fazem o teste, que custa entre R$ 1.500,00 e R$ 2.000,00. Mas ainda não está disponível no SUS.

“As portadoras de mutação BRCA1 apresentam risco cumulativo de desenvolvimento de neoplasia de mama, de cerca de 72 %; e de 44% para neoplasia de ovário; além de 40% para câncer de mama contralateral.  Já as pacientes com mutação BRCA2 apresentam risco cumulativo de cerca de 69% para câncer de mama; e de 17 % para câncer de ovário e câncer de mama contralateral. As mulheres com mutações nesses dois genes possuem 40% mais chances de vir a ter câncer no futuro”, afirma a ginecologista e mastologista Juliana Pierobon.

De acordo com a especialista, os genes BRCA 1 e 2 impedem a proliferação de células tumorais, agindo como freios. Quando um desses genes sofre mutação, perde esta capacidade protetora, deixando o organismo mais suscetível ao surgimento de tumores malignos, especialmente os de mama e ovários.

“É importante salientar que ter uma alteração nos genes BRCA não representa um diagnóstico final da doença, mas sim uma séria indicação de risco, de acordo com a análise hereditária. Esse estudo genético normalmente é indicado para mulheres que já têm casos de câncer na família. Sabendo dessa predisposição, o quanto antes for identificada a mutação BRCA, maiores serão as chances de redução dos riscos”, explica a ginecologista.

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Prevenção

A médica Juliana Pierobon alerta ainda que, em caso positivo de mutação dos genes, somente um profissional especializado pode dar as orientações necessárias e definir, junto com a paciente, qual a melhor estratégia para prevenção e tratamento, como a cirurgia para retirada dos seios ou ovários, levando em conta fatores de risco e o estilo de vida da mulher.

Nesses casos, uma das estratégias usadas na prevenção ao câncer é a cirurgia profilática, que passou a ser mais conhecida depois que a atriz Angelina Jolie se submeteu ao procedimento de retirada total dos ovários e das mamas devido à mutação BRCA e ao histórico familiar e da grande probabilidade que tinha de desenvolver tumores nesses órgãos.

Porém, caso a mutação genética seja diagnosticada somente após a descoberta de um câncer, há diversas opções de tratamento além da tradicional quimioterapia.

As cirurgias redutoras de risco podem prevenir o aparecimento de tumores na outra mama, por exemplo. Além disso, a depender do subtipo tumoral, as terapias hormonais e as chamadas terapias- alvo, que atacam diretamente o tumor com mutação genética, podem ser usadas como alternativas ou complementares à quimioterapia.

“A terapia-alvo tem sido uma nova grande arma da medicina para aumentar as chances de sobrevivência dessas mulheres que apresentam certos tipos de tumores, como os HER2. Além disso, permitem que a paciente seja tratada sem que perca sua autonomia e qualidade de vida, quando comparada à quimioterapia tradicional”, afirma a médica.

As verdades e mentiras sobre a depressão

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

Os paradigmas envolvendo a depressão e o risco de suicídio são muitos e, por isso, o assunto ganhou um mês de conscientização para ser amplamente discutido pela população, o Setembro Amarelo. O Ministério da Saúde divulgou nesse ano os novos dados sobre tentativas e óbitos por suicídio no país. Os números apontam que entre 2006 e 2017, foram registradas 106.374 mortes por suicídio no Brasil, sendo que a taxa chegou a 5,8 por 100 mil habitantes em 2016, com a notificação de 11.433 óbitos por essa causa. O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios.

Segundo o psiquiatra José Alberto Del Porto, o suicídio, em quase 100% dos casos, está associado a uma doença mental, como a depressão. Pare ele, apesar dos altos índices de casos, essa doença ainda é estigmatizada pela população, que, desconhece, por exemplo, que a enfermidade pode apresentar uma forma resistente, quando não responde a pelo menos dois tipos de tratamento.

Para o médico, a depressão e o suicídio é uma questão de saúde pública que tem se agravado no país, principalmente porque há ainda um grande preconceito das pessoas. “Conversar sobre como agir nessas situações é fundamental para quebrar os mitos que existem hoje. A sociedade precisa estar orientada em relação as modalidades de tratamento para que as pessoas possam ter o cuidado de acordo com a necessidade clínica”, explica.

O psiquiatra José Alberto Del Porto. Crédito da foto: reprodução.

Mentiras

Muitos acreditam que a pessoa com depressão pode melhorar apenas com a força de vontade, o que é um mito. Conforme o psiquiatra, é possível atingir a remissão dos sintomas da depressão. “Para isso, é essencial que a pessoa que apresente o distúrbio procure o apoio de um profissional de saúde para fazer uma avaliação individualizada, começando imediatamente o tratamento, após o diagnóstico”, orienta.

Conforme o especialista outra mentira muito comum é sobre o tratamento da depressão e da pessoa em risco de suicídio. Há quem afirma que são os mesmos, o que é falso.  O diagnóstico final da pessoa deprimida e também o risco de suicídio exige uma investigação criteriosa por parte dos profissionais de saúde, para, então, ser definido qual o protocolo ideal em cada caso.

“O tratamento da depressão pode ser realizado com a utilização de medicamentos, psicoterapia ou a combinação dos dois. Entre os tipos de terapias atuais no mercado estão os antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos. Especificamente para o suicídio, o lítio possui evidências na prevenção em longo prazo, talvez por atuar sobre o estado de ânimo e reduzir a impulsividade inerente a esses atos”, revela José Alberto.

Entretanto, ele explica, que uma parte dos pacientes com depressão pode não apresentar melhoras após o uso de pelo menos dois desses medicamentos. Nesse caso, passam a ser diagnosticados com depressão maior resistente ou depressão refratária.

Há ainda questionamentos sobre falar ou não sobre o assunto, e que isso pode incentivar a pessoa depressiva a cometer suicídio. Para o psiquiatra isso é totalmente uma farsa. Conversar com a pessoa que apresenta sinais de depressão pode abrir espaço para o paciente falar sobre o tema e servir como ferramenta de prevenção ao suicídio.

Verdades

Já o psiquiatra garante que é verdade que o tratamento contínuo tem impacto positivo na qualidade de vida do paciente. Conforme ele, a pessoa com depressão possui diversas opções de tratamento e os cuidados adequados como uso de terapias médicas e acompanhamento psicológico permitem a retomada das atividades cotidianas e a remissão completa dos sintomas.

Também é fato, de acordo com ele, que a depressão é uma das principais causas de suicídio. “Os transtornos do humor (depressão ou transtorno bipolar) são responsáveis por aproximadamente 36% dos casos de suicídio. Além disso, os pacientes com a doença apresentam cinco vezes mais chances de cometer o ato”, afirma o médico.

José Alberto assegura que existem diversos outros fatores de risco para o suicídio, entre eles: tentativas prévias de cometê-lo, histórico familiar e genética, impulsividade, desesperança e sentimento de desamparo, doenças clínicas não psiquiátricas (doenças graves e sem cura, por exemplo), eventos adversos na infância e na adolescência (como maus tratos e abusos sexuais) e poucos vínculos sociais.

Goiás tem uma farmácia aberta a cada 27 horas

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

 

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cada 27 horas, uma drogaria ou farmácia é aberta em Goiás. Só entre julho de 2017 e junho deste ano, 315 novos estabelecimentos do tipo abriram as portas no Estado. Neste período, Goiânia ganhou mais 55 empresas do segmento, somando farmácias de grandes redes e drogarias de bairro, independentes. O levantamento é do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Goiás (Sincofarma-GO).

Com 4.195 lojas em funcionamento, Goiás tem uma farmácia ou drogaria para cada 1,6 mil habitantes. A média nacional é de uma loja para cada 2,7 mil pessoas. Goiânia, onde há 982 empresas desse segmento, tem média ainda menor, de uma farmácia ou drogaria para cada 1,5 mil moradores.

Para o presidente do Sincofarma-GO, João Aguiar Neto a expansão do setor se dá como reflexo da alta competitividade nesse tipo de negócio e pela própria demanda da população do Estado. De 2010 para cá, o número de habitantes em Goiás cresceu 15%, saltando de 6 milhões para 6,9 milhões de pessoas.

Alerta

Porém, esses números também revelam outro fator,  o crescimento do uso inadequado dos remédios. “O medicamento, se utilizado de forma inadequada, pode causar mais danos do que benefícios”, alerta a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma das consequências mais frequentes de atitudes como essas é a intoxicação.

“Medicamentos são produzidos para beneficiar as pessoas, mas se não forem utilizados corretamente podem desencadear reações indesejáveis e até causar riscos severos à saúde”, explica Lorena Baía, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO).

Consumir medicamentos de forma inadequada ou usá-lo de forma irracional também pode causar dependência e reações alérgicas. Além disso, a combinação errada de medicamentos diferentes também oferece riscos à saúde, já que um medicamento pode anular ou potencializar o efeito do outro. “A automedicação leva ao agravamento da doença, já que a utilização inadequada de medicamentos pode esconder determinados sintomas e fazer com que a doença evolua de forma mais grave”, observa a Anvisa.

Os danos causados por medicamentos, além de graves, custam R$ 60 bilhões ao ano para o Sistema Único de Saúde (SUS). A cada real investido no fornecimento de medicamentos, o governo gasta cinco reais para tratar as morbidades relacionadas a remédios. As mais onerosas são as causadas por reações adversas, 39% dos gastos, pela não adesão ao tratamento que são 36%, e pelo uso de doses incorretas, 16%.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 70% dos pacientes com hipertensão, diabetes ou dislipidemias, em sua maioria, usuários de vários medicamentos, não conseguem controlar suas doenças mesmo tendo diagnóstico e prescrição de médicos.

Em outro estudo, o órgão apurou que 82% dos pacientes que utilizavam 5 ou mais medicamentos de uso contínuo o faziam de forma incorreta ou demonstravam baixa adesão ao tratamento.

Um em cada três pacientes abandonou algum tratamento, 54% omitiram doses, 33% usaram medicamentos em horários errados, 21% adicionaram doses não prescritas e 13% não iniciaram algum tratamento prescrito.

Segundo a professora Julieta Mieko Ueta da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, em entrevista ao Saúde sem Complicações, uma dor de cabeça pode ser resolvida com a automedicação, mas o médico deve orientar qual é o mais indicado para o paciente, principalmente para grupos de risco, como idosos e crianças. “É preciso conhecer o que o seu corpo permite e qual substância pode fazer mal”, explica.

Brincar estimula o desenvolvimento do córtex das crianças

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

 

Não é segredo algum a importância das brincadeiras no desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças. Porém, o que se observa é que os pequenos estão cada vez com menos tempo para brincar. As agendas da infância no mundo contemporâneo são assoberbadas em atividades extracurriculares e deveres escolares.

O ato de brincar agora está no segundo plano e a preocupação dos pais recaí, sobretudo, em saber se os filhos estudaram ou não, sem perceberem que nenhuma criança desenvolverá todo o seu potencial se a brincadeira não fizer parte da sua vida. Essa é a afirmação da pediatra Denise Katz.

Segundo a médica, brincadeiras contribuem para o desenvolvimento do córtex e cria conexões cerebrais nas crianças. “O desenvolvimento cognitivo da criança depende da boa desenvoltura de funções como a linguagem, coordenação motora e suporte afetivo-emocional. Para garantir que a criança tenha uma boa evolução, estimule o seu filho desde cedo, ainda no primeiro ano de vida, com brincadeiras, jogos, leituras e conversas”, explica. Essas atividades ainda auxiliam no desenvolvimento motor, muscular, ósseo e articular. E oxigena os pulmões e aumenta a força.

A Organização Mundial de Saúde recomenda que as crianças façam pelo menos 60 minutos de atividade física diária, moderada ou intensa. Conforme a pediatra Denise Katz, brincar é uma atividade completa. Ajuda a criança a se socializar e desenvolve habilidades que são muito importantes para a vida adulta.

“E se a brincadeira for ao ar livre, a luz solar ajuda a regular o metabolismo e o sono. A atividade física para agradar a criança deve ser algo lúdico, deve estimular a brincadeira no esporte para que isso seja prazeroso e não uma obrigação”, afirma a médica.

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Leitura, escrita e desenhos

De acordo com a médica, durante toda a infância é importante estimular atividades e brincadeiras lúdicas nas crianças, pois elas contribuem para o desenvolvimento da linguagem, atenção, imaginação, curiosidade, concentração e memória, além de fortalecer o vínculo entre criança e pais.

“Bonecos de dedo tornam o ato de contar histórias mais interessante; desenhar, escrever e pintar sobre personagens preferidos da criança contribui para a adesão da brincadeira. Este tipo de atividade é indicado para crianças a partir dos 5 anos de idade”, aconselha.

Jogo da memória

Os jogos como de memória, xadrez e quebra-cabeça estimulam habilidades como concentração, lógica, formulação de estratégias e autoconfiança. As atividades lógicas contribuem para que a criança seja capaz tomar decisões em situações que exijam raciocino rápido, promove a vontade de vencer e a vivência com vitórias e derrotas. Este tipo de atividade é indicado para crianças a partir dos 7 anos de idade.

Esconde-esconde

Pega-pega e queimada, conforme a pediatra, são brincadeiras que estimulam a coordenação, noção de espaço e perspicácia da criança, que cria estratégias para não ser pego, além de estimular que a criança se supere fisicamente.  Por ser uma atividade realizada em conjunto com outras crianças, motiva a socialização com os colegas. Ela orienta que os pais estimulem seus filhos a conhecer amigos da vizinhança e pratiquem as brincadeiras em lugares seguros.

“A brincadeira em qualquer idade ajuda a moldar o cérebro, fortalece as relações socioafetivas, promove a criatividade e a imaginação. Nas crianças maiores, o brincar explora aspectos como autocontrole, cooperação e negociação, estabelece regras e limites, e estimula que a criança aprenda a lidar com derrotas. Além das brincadeiras, é importante que os pais cuidem da alimentação dos pequenos para um desenvolvimento completo, alimentos ou suplementação ricos em Ômega 3, comprovadamente auxiliam na formação de sinapses cerebrais.  As crianças que tiveram boa alimentação e suplementação de DHA vão ter sim melhor capacidade de aprendizagem, melhor linguagem, melhor memória e melhor percepção”, esclarece.

As brincadeiras ideais para cada faixa etária

Algumas recomendações de especialistas sobre as brincadeiras mais adequadas para cada faixa etária. Porém, é importante ressaltar que o desenvolvimento infantil é individual. Todas as atividades devem ser desenvolvidas sob supervisão de um adulto e nos ambientes adequados.

Até os 2 anos:

Nesta fase, a brincadeira tem que estimular os sentidos. Correr, puxar carrinhos, escalar objetos, jogar com bolinhas de pelúcia são atividades recomendadas.

3 a 4 anos:

Começam as brincadeiras de faz de conta. As crianças respondem a brincadeiras de casinha, de trânsito, de escolinha e de outras atividades cotidianas.

5 a 6 anos:

Os jogos motores (de movimento) e os de representação (faz de conta) continuam e se aprimoram. Surgem os jogos coletivos, de campo ou de mesa: jogos de tabuleiro, futebol, brincadeiras de roda.

7 anos acima:

A criança está apta a participar e se divertir com todos os tipos de jogos aprendidos, mas com graus de dificuldade maiores.

FACULDADE ARAGUAIA REALIZA 2ª EDIÇÃO DO PRODUCOM

Texto: Raquel Fernandes

Edição: Vinicius Martins

 

A Faculdade Araguaia promove no dia 20 de novembro, a segunda edição do Prêmio Producom FARA, que tem por objetivo condecorar os melhores trabalhos práticos realizados pelos alunos dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda em 2018. O evento irá premiar os vencedores em cerimônia no auditório da instituição, das 18h30 às 22h, contando com uma atividade cultural em comemoração à Semana da Consciência Negra.

Os acadêmicos podem inscrever quantos trabalhos quiserem numa mesma categoria e também podem concorrer em mais de uma categoria. Para cada trabalho, uma ficha de inscrição deve ser preenchida e enviada dos dias 25 de outubro a 6 de novembro. Os itens a serem avaliados são: inovação, experimentalismo, criatividade, qualidade – linguística e estética – e originalidade. Os projetos serão adequados de acordo com a proposta da disciplina.

Os trabalhos serão divididos em cinco categorias para cada curso. No Jornalismo, são elas: Audiovisual, Fotografia, Web, Impresso e Assessoria de Imprensa. Já para Publicidade e Propaganda, as categorias são: Audiovisual, Fotografia, Web, Impresso e Mídia Exterior e Alternativa. Os trabalhos selecionados foram avaliados e julgados por uma comissão formada por docentes dos cursos envolvidos no evento. A coordenação do Producom ficou a cargo dos mestres Joseane Ribeiro e José Antônio Cirino.

 

Professora Joseane Ribeiro, coordenadora do Prêmio Producom FARA 2018. Foto: reprodução.

Professor José Antônio Cirino, coordenador do Prêmio Producom FARA 2018. Foto: reprodução.

 

10 prêmios serão entregues para as categorias em geral, e 2 especiais para cada curso. Os vencedores de cada categoria receberão certificado de premiação valendo 10 horas, além de um kit prêmio.

Para Viviane Maia, coordenadora dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, o evento é significativo para todos os integrantes da Faculdade Araguaia. Para o corpo docente e discente, a importância do PRODUCOM está em se apresentar e avaliar a produção laboratorial e técnica. A premiação é relevante para se fomentar a produção dos alunos, os incentivando a produzir e terem seus trabalhos destacados. Já para a instituição, o PRODUCOM é importante para dar visibilidade à Faculdade Araguaia nas mídias sociais e na imprensa, agregando valor à própria instituição e aos seus alunos.

SERVIÇO

Premiação do Producom Fara

Data: 20 de novembro (terça-feira)
Horário: 18h30 às 22h
Local: Auditório da Faculdade Araguaia do Setor Bueno
Endereço: Av. T-10, 1047 – Setor Bueno, Goiânia – GO

Animais de estimação também são fumantes passivos

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

Crédito da foto: reprodução/internet

 

Os danos causados à saúde pelo cigarro são muitos, comprovados pela ciência e de conhecimento de boa parte da população. De acordo com o Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), o número de mortes causadas pelo tabagismo no Brasil chega a 156 mil ao ano. Mas o que muita gente não sabe é que os riscos de problemas cardiorrespiratórios e pulmonares também atingem os animais que convivem com fumantes.

De acordo com a médica veterinária Tatiana Braganholo, muitos estudos têm reforçado as constatações de que a proximidade dos pets com a fumaça do cigarro pode ser tão prejudicial a sua saúde como é para os humanos. Um levantamento da Universidade de Glasgow, por exemplo, mostra que os animais de estimação podem ter até mais chances de desenvolver problemas decorrentes do fumo passivo do que os humanos.

Isso acontece porque além de inalar a fumaça, os bichos podem ingerir os vestígios de nicotina presente em seu pelo durante sua rotina de limpeza, quando costumam se lamber. “Em muitos casos os cães desenvolvem câncer de pulmão ou de cavidade nasal. Já os gatos têm mais chances de ter linfoma”, explica a veterinária.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa o oitavo lugar no ranking de número absoluto de fumantes, cerca de 11 milhões de homens e sete milhões de mulheres. E ao mesmo tempo, 44% dos domicílios brasileiros possuem ao menos um animal de estimação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Gatos sofrem mais

Alguns estudos também apontam que os gatos correm mais riscos quando se trata do fumo passivo. Há algumas teorias que explicam o porquê, entre elas está o fato desses animais conviverem em outros lares quando criados livremente, o que pode fazer com que tenham contato com fumantes mesmo quando o tutor não tem o hábito de fumar.

Uma outra linha de pesquisa afirma que, por serem animais mais territorialistas, os felinos tendem a passar mais tempo em casa do que os cães, já que esses são criados muitas vezes na área externa. Isso também proporcionaria aos gatos um aumento do contato com a fumaça.

“Os danos em longo prazo são inegáveis para todos os animais. Alguns podem inclusive apresentar alergia ou doenças de pele por causa do contato constante com a fumaça”, afirma Tatiana. Segundo ela, se o tutor não consegui parar de fumar, o ideal é que mantenha o animal distante da área em que costuma fumar.

Intoxicação

É importante lembrar que as cinzas e restos de cigarro devem ficar fora do alcance dos animais, já que quando ingeridos podem causar intoxicação. Provocando tremores, espasmos ou convulsões, salivação excessiva, pupilas dilatadas, alucinações auditivas e visuais, excitação, taquicardia, vômitos e diarreia nos animais. “Alguns pets, principalmente os de pequeno porte, chegam a entrar em coma se consomem grande quantidade de tabaco”, alerta Tatiana.

Tratamento

Os tratamentos para linfoma nos animais variam de acordo com a complexidade de cada caso ou estágio da doença. A boa notícia é que procedimentos cirúrgicos e sessões de quimioterapia podem curar a enfermidade. No entanto, o custo é bastante alto: chegando a até R$ 7 mil.

Goianos não conhecem o perigo da diabetes

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

Crédito da foto: Pixabay

 

Problemas cardiovasculares são a principal causa de morte em pessoas com diabetes. No entanto, essa informação ainda é pouco ou totalmente desconhecida. Pesquisa inédita do Instituto Datafolha, intitulada “Conhecimentos sobre o diabetes”, aponta que nenhum dos entrevistados da população brasileira na região Norte e Centro-Oeste conhece a associação dos problemas do coração com o diabetes. A pesquisa foi encomendada pelo Movimento Para Sobreviver, que visa justamente trazer o alerta do risco cardiovascular no diabetes, principalmente em idosos.

A maioria das menções feitas sobre o grau de conhecimento dos respondentes sobre o diabetes na região são relacionadas à doença crônica (9%), morte (8%), cegueira ou problema de visão (5%), amputação (2%) e dificuldade de cicatrização (2%).

“É preciso que as pessoas se aprofundem mais em relação ao diabetes, uma doença crônica que cada vez mais acomete a população mundial. É imprescindível que as pessoas, principalmente quem cuida do idoso com diabetes, entenda a importância de proteger o coração, para dar melhor qualidade de vida e prevenir as doenças cardiovasculares especialmente o infarto do miocárdio”, explica o endocrinologista Fadlo Fraige Filho.

Questionados, os brasileiros entendem que proteger o coração de quem tem diabetes (86%) é igualmente importante como ter cuidados para se evitar amputação e a cegueira (86%). No entanto, pouco se discute sobre a prevenção de doenças cardiovasculares em pessoas com diabetes e mais de 65 anos. A doença cardiovascular em pessoas com diabetes mata mais que HIV, tuberculose e câncer de mama na população mundial. E até 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 morrem em decorrência de problemas cardiovasculares.

Cuidado específico

O diagnóstico do diabetes tipo 1 acontece geralmente na infância e adolescência, o que aumenta a responsabilidade familiar. Aqui, englobam-se alimentação saudável, controle da glicemia, condução da insulinoterapia, identificação e ação perante episódios de hipoglicemia. “A atenção especial da família ao processo de transição, conforme a criança cresce e chega à adolescência, é fundamental para que a conscientização e o autocuidado se ampliem naturalmente”, afirma o médico.

Já o diabetes tipo 2 surge, em geral, na fase adulta e está ligado à resistência à ação e diminuição da produção de insulina no pâncreas, ação deficiente de hormônios intestinais, dentre outros. A obesidade, dislipidemia (elevação do colesterol e triglicerídeos), hipertensão arterial, histórico familiar da doença ou de diabetes gestacional, e o processo de envelhecimento são os principais fatores de risco.

O tratamento demanda mudanças no estilo de vida, ao receber o diagnóstico do diabetes, as adaptações da rotina devem ser intensificadas, sobretudo na eliminação de alimentos inadequados e do sedentarismo. Principalmente nesse caso, a família também pode ter impacto tanto positivo quando negativo na qualidade de vida.

“O envolvimento proativo da família aumenta o comprometimento de quem recebeu o diagnóstico, seja criança, adolescente, adulto ou uma pessoa idosa, e motiva um seguimento com mais chance de êxito resultando em melhor controle, mais qualidade de vida e menor frequência de complicações. Além disso, favorece o engajamento a associações de pessoas com diabetes, para buscar melhorias para o tratamento nas esferas governamentais e, claro, em campanhas de alerta para prevenção”, diz o especialista.

Faculdade Araguaia lança projeto de rádio experimental

A rádio Araguaia On é mais um desafio realizado por alunos da instituição.

Texto: Giselle Vieira

Edição: Vinícius Martins

 

Equipe de alunos responsáveis pela rádio Araguaia On. Crédito: divulgação.

Na próxima quinta-feira, 4 de outubro de 2018, a Faculdade Araguaia inaugura seu mais novo projeto radiofônico: a rádio Araguaia On.

Os idealizadores da proposta são acadêmicos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. “O objetivo é praticar o que foi abordado em sala de aula na teoria, preparando o aluno para o mercado de trabalho”, explica a aluna Dilma Zago, uma das responsáveis por esse trabalho.

O objetivo é transmitir para os estudantes da instituição informações de eventos que acontecem na faculdade de forma prática e descontraída. Os programas são curtos e tem linguagem fácil.

A programação será gravada e transmitida todas as quintas-feiras, no período noturno.

O material veiculado será disponibilizado em uma plataforma online. Todos os alunos da faculdade ainda poderão participar das sugestões de pautas e na construção de matérias.

 

Mesa-redonda discute as pesquisas eleitorais

Texto: Samantha Henrique

Edição: Profa. Viviane Maia

 

Seguindo o tema norteador do semestre, a coordenação dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Faculdade Araguaia promove na próxima segunda-feira,17 de setembro, a mesa-redonda intitulada Comunicação e Pesquisa em Período Eleitoral. O evento será das 18h30 às 22h, no auditório da unidade Bueno. A entrada é gratuita e o evento é aberto à comunidade em geral.

O debate contará com a participação do publicitário, pesquisador, especialista em marketing político e eleitoral e doutorando em Comunicação Marcos Marinho; coordenador do curso de pós-graduação em Inovação em Mídias Interativas da Universidade Federal de Goiás, professor Wagner Bandeira da Silva; e o pesquisador, mestre em Cultura Visual e professor do curso de Publicidade e Propaganda da UFG, Marcilon Almeida Melo. A mediação ficará a cargo do jornalista e professor da Faculdade Araguaia, Altair Tavares.

Professor da Faculdade Araguaia, Altair Tavares será o mediador do evento.

Os debatedores foram convidados por terem a mesma linha de trabalho com pesquisa e manejo de dados. Serão discutidos pontos importantes e que merecem destaque neste momento oportuno em que o Brasil se encontra. O foco do debate será voltado para a realização das pesquisas políticas, a maneira adequada de se usar dados de pesquisas e a confiabilidade desses dados. A instituição acredita que é importante colaborar para a formação crítico-reflexiva dos alunos.

“Em um país que vem vivendo momentos turbulentos e controversos com relação à política e que está em campanha eleitoral, discutir a influência das mídias, em especial as mídias digitais, é primordial,” enfatiza a coordenadora dos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo da FARA, Viviane Maia.

Convidados vão discutir a realização das pesquisas políticas e a utilização adequada destes dados.

SERVIÇO

Mesa-redonda: Comunicação e Pesquisa em Período Eleitoral

Data: 17 de setembro
Horário: 19h às 22h
Local: Auditório Bueno da Faculdade Araguaia
Entrada franca

Uso das mídias digitais e tradicionais em período de campanha eleitoral

Apesar do uso intenso das mídias sociais nas campanhas, a mídias tradicionais ainda são as plataformas que recebem mais atenção

Texto: Avelino Mateus

Edição: Profa. Viviane Maia

 

Em tempo de eleições, na contemporaneidade, as mídias sociais são uma realidade instaurada, seja por meio de sites, blogs ou redes sociais, as discussões estão cada dia mais afloradas. Com as novas regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2017, a plataforma digital se tornou um meio ainda mais atrativo para as campanhas eleitorais, os candidatos poderão pagar para impulsionar propagandas nas redes sociais, além disso, poderão receber doações de eleitores por meio das chamadas vaquinhas virtuais.

Apesar do meio virtual estar ganhando cada vez mais espaço, as mídias tradicionais – televisão, rádio e impresso – ainda são as plataformas que recebem mais atenção para a propaganda política. A imagem do candidato seja talvez a maior preocupação nessas eleições, com os últimos escândalos de corrupção e a revolta da população, o brand dos candidatos volta-se principalmente para campanhas institucionais, a figura do não-político cresce constantemente, sugerindo aos candidatos que reposicionem suas marcas.

Para discutirmos melhor essa relação entre mídia e eleições, conversamos com o pesquisador em comunicação política, professor, consultor de marketing e comunicação, Marcos Marinho, que ministrou a aula magna do semestre 2018/2 para os alunos de Jornalismo e Publicidade e será um dos debatedores da mesa-redonda Comunicação e Política em Período Eleitoral, na próxima segunda-feira, 17 de setembro, das 19h às 22h, no auditório da unidade Bueno. Confira a entrevista a seguir.

 

Araguaia On Line –  Com a ascensão das mídias sociais nos últimos anos, elas se tornam mais importantes em campanhas eleitorais ou a mídia tradicional ainda é a principal plataforma de propaganda?

Marcos Marinho – Vivemos um novo paradigma da comunicação onde as multiplataformas devem ser observadas e utilizadas como forma de acessar, conquistar, mobilizar e engajar os eleitores. A comunicação deve ser pensada de acordo com as características de cada canal e do target (alvo) que se pretende acessar. É ultrapassado, na minha opinião, esse debate sobre quem é mais importante.

 

Até onde a influência das mídias sociais pode afetar o resultado final das eleições?

Até onde elas forem bem planejadas, integradas às outras plataformas de comunicação e ações de campanha e, principalmente, trabalhadas de modo estratégico e profissional, com conteúdo bem feito e adaptado aos canais em uso. Quem não entende as funções reais das ferramentas da web acaba por atribuir a elas uma expectativa inalcançável.

 

Tem se vendido a imagem do “não-político”. Você acha que a fadiga do eleitor e uma busca pela renovação colaboram para que os candidatáveis reposicionem os discursos?

A imagem do não-político é sim um mote que está em uso. Porém, a meu ver, não cola para todos os cargos e já não tem o mesmo apelo que teve em eleições passadas.

 

As eleições deste ano terão um curto tempo de campanha. O que mais conta na imagem do político para conquistar adeptos? E qual a melhor estratégia de comunicação considerando o tempo de campanha?

O que mais conta é o trabalho prévio de apresentação e consolidação de imagem. Com o tempo mais curto, candidatos pouco conhecidos possuem menos chances de serem eleitos. A imagem e o discurso devem ser alinhadas à significação que o candidato possui junto aos seu target e, fundamentalmente, coerente com o contexto em que ocorre o pleito. A melhor estratégia é não deixar para fazer o trabalho só durante o período da campanha.

O pesquisador e consultor, Marcos Marinho. Foto: acervo pessoal.

Goiás tem maior crescimento em transplantes renais do país

O procedimento é uma opção de tratamento para os pacientes que sofrem de doença renal crônica avançada. Até agosto de 2018 foram realizados 92 transplantes no HGG

Texto: Maria Planalto

Edição: Profa. Viviane Maia

 

Créditos da imagem: Deccan Chronicle

A doação de órgãos é um ato nobre que pode salvar vidas. Muitas vezes o transplante pode ser a única esperança ou a oportunidade de um recomeço para uma pessoa. O Serviço de Transplantes Renais do Hospital Estadual Alberto Rassi (HGG) registrou, no primeiro trimestre de 2018, um crescimento de 100% no número de transplantes renais realizados na unidade. O comparativo é em relação ao mesmo período do ano passado. Até agosto de 2018, a unidade registrou um total de 92 transplantes de rins.

Goiás e outros quatro estados (Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará) apresentaram o aumento deste tipo de procedimento. Contudo, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, o Brasil registrou uma queda de 10% no número de transplantes renais no primeiro trimestre de 2018, quando comparado ao mesmo período de 2017.

Para coordenador do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do HGG, Marcelo Rabahi, além dos bons resultados em relação ao número de transplantes realizados em Goiás, é importante que os processos sejam satisfatórios. A avaliação dos casos transplantados no ano de 2018 mostra que 92,3% dos pacientes obtiveram sucesso com o procedimento. “Esses dados trazem a certeza que a decisão de implementação do serviço de transplante renal foi acertada e o trabalho multidisciplinar desenvolvido na instituição deve continuar”, explicou.

Gastos

A prevalência de doenças renais crônicas vem crescendo na maioria dos países, consequentemente também existe um aumento de internações e consumo de recursos financeiros. O Sistema Único de Saúde (SUS) é o responsável pelo financiamento de 90% dos tratamentos de pacientes que se encontram em terapia renal substitutiva, como a diálise, que inclui a hemodiálise e diálise peritoneal.

“O transplante renal representa uma alternativa custo-efetiva para o tratamento das doenças renais crônicas, por isso, devemos investir cada vez mais tanto no incentivo da doação de órgãos quanto no investimento dos serviços de transplante no setor público”, avaliou Marcelo Rabahi.

Em Goiás, existem mais de 190 pessoas na fila de espera por um transplante de rim. O número de doares no Estado é baixo se comparado à média nacional. Ao fim do primeiro semestre deste ano, a taxa foi de 7,2 doadores por milhão de população, sendo a média nacional de 16,2 por milhão, conforme dados da Secretária Estadual de Saúde de Goiás.

O profissional por trás do transplante

Entre a retirada e o transplante de um órgão existem uma série de etapas. Para que isso seja possível, é necessário que o órgão corresponda a uma série de exigências até chegar ao novo corpo. Essas etapas vão desde as mais simples, como a verificação do tipo sanguíneo, até uma série de análises realizadas pelo Médico Patologista. Este profissional é o responsável por verificar se o órgão está em pleno funcionamento para desenvolver sua função em um novo organismo.

“Para que um órgão seja aceito em um corpo diferente, precisamos levar em conta não só a classificação sanguínea, mas o tamanho e a capacidade de desenvolver suas funções, pois em casos de mortes por infecção, por exemplo, o transplante pode ser descartado”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Dr. Clóvis Klock. A equipe médica, além desses especialistas, também é responsável por encontrar um destino com critérios de proximidade, considerando o tempo útil do órgão fora do corpo, gravidade do paciente e o tempo na lista de espera.

“Quando há um alerta de possibilidade de doação, tudo tem que acontecer com muita rapidez, partindo da conversa com os familiares, passando pela busca por um paciente compatível. Todo o processo deve acontecer respeitando o tempo limite de sobrevida de um órgão, que pode variar. Um coração pode ficar parado por até 4 horas, já um fígado resiste até 12 horas fora de um corpo e um rim aguenta 36 horas sem circulação sanguínea”, contou o Dr. Klock.

Quero ser Doador de Órgãos. O que fazer?

Se você quer ser doador de órgãos, avise a sua família.

Para ser um doador, basta conversar com sua família sobre o seu desejo de ser doador e deixar claro que eles, seus familiares, devem autorizar a doação de órgãos.

No Brasil, a doação de órgãos só será feita após a autorização familiar.

Dois tipos de doador:

1 – O primeiro é o doador vivo. Pode ser qualquer pessoa que concordo com a doação, desde que não prejudique a sua própria saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão. Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Não parentes, só com autorização judicial.

2 – O segundo tipo é o doador falecido. São paciente com morte encefálica, geralmente vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral).

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes.

 

A campanha ‘Setembro Verde’ é uma das iniciativas que incentiva a doação de órgãos. Créditos da imagem: Espaço Rafah

Faculdade Araguaia discute as relações entre a Ditadura Militar e a mídia

Texto: Raquel Fernandes

Edição: Vinícius Martins

 

Foi realizada na última quarta-feira (29), a primeira sessão do Projeto de Extensão Cineclube Araguaia 2018/2, como parte da programação da Semana de Integração Acadêmica. Na ocasião foi exibido o filme O Dia que Durou 21 Dias, para relembrar a ditadura militar no Brasil e os 50 anos do Ato Institucional nº 5.

A Semana de Integração da Faculdade Araguaia reuniu calouros e veteranos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, além de grandes nomes da comunicação, como o Professor Renato Dias, a jornalista Glória Drummond e o coordenador do curso de Jornalismo da PUC-Goiás, Antônio Carlos.

O evento apresentou o documentário AI-5 – O Dia Que Não Existiu, dirigido pelo jornalista Paulo Markun, que mostra a crise política que motivou a decretação do Ato Institucional nº 5, levando ao extremo o autoritarismo do regime militar, em 1968. Por fim, a mesa redonda composta pelos convidados discutiu suas experiências com a ditadura militar, além dos efeitos que a mesma causou na imprensa brasileira.

Para entendermos o contexto

Quando falamos em ditadura, nos referimos a qualquer regime de governo autoritário em que todos os poderes estão sob autoridade de um indivíduo ou de um grupo. No caso de uma ditadura, ou regime militar, que é aquele composto por militares, o grupo que detém o poder quase sempre chega a ele por meio de um golpe de Estado.

As ditaduras militares que não contam com o apoio popular são marcadas pela crueldade, por perseguições e torturas aos defensores da oposição, e pelo desrespeito aos Direitos Humanos. Um golpe de Estado consiste no derrubar de um governo legítimo, podendo apresentar características pacíficas ou violentas. Portanto, o controle do Estado passa subitamente das mãos de um governo constitucionalmente eleito para outro grupo de governantes. No caso de uma ditadura militar, esse controle é exercido por uma equipe de militares.

Uma das características destes regimes, é que eles geralmente se apresentam como apartidários, ou como um partido “neutro” que pode trazer a liderança necessária para a sociedade em tempos de crise. Eles também tendem a retratar civis como políticos corruptos e ineficazes.

Em casos extremos, e como demonstração desta liderança, o militar, ou conjunto de militares no comando, implantam um sistema de leis denominado lei marcial. Este sistema consiste na suspensão de todas as (ou parte das) liberdades fundamentais do cidadão, como o ato de se deslocar, se reunir e principalmente manifestar sua opinião.

Ditadura militar no Brasil

No Brasil, o regime militar ocorreu entre 1964 e 1985. Também conhecido como Quinta República Brasileira, o país permaneceu sob a influência de sucessivos governos militares durante mais de 20 anos. As tensões políticas se destacaram no Brasil na década de 1950 quando importantes círculos militares, os quais adquiriram grande poder político após a vitória na Guerra do Paraguai, se aliaram a ativistas de direita na tentativa de impossibilitar que presidentes como Juscelino Kubistchek e João Goulart tomassem posse, devido à sua concordância com ideologias comunistas.

Em 1961, Goulart foi autorizado a assumir o cargo, sob um acordo que diminuiu seus poderes como presidente com a instauração do parlamentarismo. No entanto, este sistema durou somente um ano dando lugar ao presidencialismo, o que fez com que os poderes de Goulart crescessem e o fizessem propor a implementação de políticas de esquerda, como a reforma agrária e a nacionalização de empresas em vários setores econômicos.

Com o receio de que o Brasil se unisse a Cuba como parte do bloco comunista da América Latina, políticos influentes, setores conservadores da Igreja Católica, os latifundiários, a burguesia industrial e uma parcela da classe média solicitaram uma “contra-revolução” por parte das Forças Armadas para afastar João Goulart do governo. O golpe se consolidou na madrugada de 31 de março de 1964, quando tropas militares, sob o comando do general Olympio Mourão Filho, se mobilizaram para o Rio de Janeiro, onde Goulart se encontrava, o que o fez partir para o exílio no Uruguai.

O primeiro Presidente da República no regime militar foi o marechal Castelo Branco, o qual afirmava que a intervenção era apenas temporária e tinha caráter corretivo. No entanto, as Forças Armadas, lideradas pelo general Artur da Costa e Silva, não tinham como prioridade o caráter moderador, mas sim estipular a linha dura de reprovação às atividades políticas esquerdistas, consideradas pelos militares golpistas como “terroristas”.

Imediatamente após a tomada de poder pelos militares, foram estabelecidos dezessete Atos Institucionais, que eram conjuntos de normas e decretos utilizados como mecanismos de legitimação e legalização das ações políticas dos militares, designando para eles próprios vários poderes extraconstitucionais. Por meio das normas estabelecidas por estes atos, o governo militar tinha o poder de alterar a constituição, cassar leis legislativas, instituir eleições indiretas para presidentes da República, dissolver todos os partidos políticos existentes no país, estabelecer regras para a reforma agrária, banir do território brasileiro as pessoas consideradas “perigosas para a segurança nacional”, entre outros.

Um dos Atos Institucionais que mais merece destaque é o AI-10, que atingiu direta ou indiretamente os cargos administrativos, as instituições de ensino e as organizações consideradas de interesse nacional, por meio de cassações e suspensões de direitos políticos. Por este motivo, mais de 500 pessoas foram atingidas com punições, entre elas membros do Congresso Nacional e das assembleias estaduais e municipais, jornalistas, militares, diplomatas, médicos, advogados e professores.

Em 13 de dezembro de 1968, entrou em vigor o mais duro golpe na democracia que deu poderes quase absolutos aos militares, o Ato Institucional número 5. Este se tornou o maior marco da repressão durante o regime militar. Chamado de “golpe dentro do golpe” pelo jornal Correio da Manhã, esse decreto marca o período denominado “anos de chumbo”, que vai do governo de Costa e Silva até o fim do Governo Médici.

O estopim para a implantação do AI-5 ocorreu no contexto das manifestações estudantis, com a morte do estudante Édson Luís Souto durante um protesto contra o atraso das obras no restaurante estudantil Calabouço, no estado do Rio de Janeiro.Em resposta, o deputado Márcio Moreira Alves, do Movimento Democrático Brasileiro, discursou no Congresso sugerindo que a população sabotasse o desfile de 7 de Setembro e que as mulheres não se relacionassem com oficiais que fossem coniventes com a violência operada pelos militares. Por isto, o AI-5 passou por cima da Constituição elaborada pelos próprios militares e deu amplos poderes ao Executivo para perseguir e punir seus opositores retirando-lhes qualquer garantia constitucional.

Dentre as medidas decretadas pelo AI-5, estava o fechamento do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas, a permissão para o governo federal, sob pretexto de “segurança nacional”, para intervir em estados e municípios, a ilegalidade das reuniões políticas não autorizadas pela polícia causando diversos toques de recolher em todo o país, o cancelamento do habeas corpus por crimes de motivação política, a suspensão dos direitos políticos dos cidadãos considerados subversivos, privados por até dez anos da capacidade de votação ou de eleição, e a censura da imprensa e de todo tipo de arte, como teatro, música, cinema e televisão, mesmo por motivos vagos como a subversão da moral ou dos bons costumes.

Manchete do Diário de São Paulo sobre a interrupção do Congresso após a implantação do AI-5.

 

O AI-5 se instaurou no país por 11 anos, e durante os seus primeiros meses, a população vivia um terror. Vários servidores foram aposentados ou cassados, intervenções foram realizadas na diretoria de sindicatos a fim de excluir lideranças de oposição, estudantes, professores e demais funcionários das universidades também foram alvo dos militares que, a partir do Decreto nº 477, passaram a suspendê-los por considerarem que praticavam “atividades subversivas”. Além disso, militares perseguiram, prenderam e torturaram milhares de pessoas, levando centenas a óbito, algumas cujos corpos até hoje não foram encontrados.

Em um contexto de euforia nacionalista e milagre econômico, o AI-5 teve espaço amplo de atuação, gerando reação contrária de resistência que fortaleceu os movimentos de oposição e a luta armada.

Ditadura militar e a imprensa

O regime militar atingiu direta e violentamente a imprensa brasileira. Os jornais O Estado de São Paulo e Correio da Manhã foram invadidos pela polícia e suas edições impedidas de circular. Antes mesmo que o AI-5 fosse divulgado através da Hora do Brasil, a polícia já havia prendido milhares de pessoas consideradas um perigo para a segurança nacional. Com a implantação deste ato, o país viveu uma censura aos meios de comunicação jamais vista no país. Novelas, peças de teatro, livros e até mesmo o Balé Bolshoi foi proibido de se apresentar no Brasil, por ser russo.

Diversas personalidades públicas foram forçadas ao exílio após a edição do AI-5, dentre elas os músicos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque de Holanda. Durante o regime militar, alguns periódicos, como O Estado de S. Paulo, ainda tentaram preservar sua autonomia, no entanto o governo passou a utilizar a figura do censor para supervisionar a redação desses jornais, tentando manter o máximo controle possível sobre as informações veiculadas.

A censura aos meios de comunicação impressos tradicionais levou um grupo de profissionais a investir numa outra vertente, que foi chamado de imprensa alternativa, ou nanica, e se tomou o principal meio de denúncia das barbaridades cometidas pelos militares. O idealizador e criador da imprensa alternativa foi o humorista Millôr Fernandes, que produziu a revista Pif-Paf, em maio de 1964. A revista reuniu um grande número de artistas, cujo objetivo era criticar os valores da sociedade burguesa e as excessivas perseguições políticas, desaparecimentos e torturas do recém-instalado regime militar.

A bipolaridade invadiu os meios de comunicação no Brasil, deixando de um lado as mídias que apoiavam o Golpe, as quais tinham guarida legal e muitas vezes apoio econômico para operar, e de outro as mídias que eram opostas à ditadura. Neste período os estudantes, os intelectuais, os engajados políticos e os comunicadores foram as principais vítimas do sistema que contestavam.

Em 1970 foram criados os DOI (Departamento de Operações e Informações) e os CODI (Centro de Operação e Defesa Interna). O DOI-CODI na prática era uma máquina de repressão e tortura, utilizando seus porões para violentar os prisioneiros com choques elétricos, afogamentos, palmatórias, e em alguns casos, até mesmo a morte. Um dos casos mais enfáticos de tortura e morte no DOI-CODI foi do jornalista Vladmir Herzog, o qual foi encontrado com um cinto amarrado ao pescoço, e dado como suicida pela imprensa que apoiava a ditadura.

Mestres e historiadores falam sobre a Ditadura

Em entrevista ao Araguaia Online, o historiador Renato Dias destaca as conseqüências políticas, sociais e econômicas do regime para o Brasil, e dá a sua opinião sobre a maior ameaça à democracia do país.

Confira a entrevista:

ARAGUAIA ONLINE: Qual a sua visão sobre a Ditadura Militar no Brasil?

RENATO DIAS: Um golpe de Estado civil e militar depôs, em 1 e 2 de abril de 1964, o presidente da República, João Belchior Marques Goulart. Um nacional-estatista. Em sua versão trabalhista, Jango queria executar as Reformas de Base para construir um país menos desigual e mais democrático. Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica-, com o aval do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, além da cobertura negativa intensiva dos grandes conglomerados de comunicação e financiamento dos Estados Unidos, sob Lyndon Johnson, instalaram uma ditadura que durou 20 anos. Com milhares de presos, torturados, exilados, mortos, desaparecidos e demitidos. A economia produziu elevado endividamento externo, inflação, fome e desemprego. Com censura.

AO: O que significa para o país o marco de 50 anos da época mais violenta de sua história?

RD: 50 anos depois. O Brasil sofre, em 2016, um golpe pós-moderno. Líquido. Frio. Sem tanques e com togas. Com o aval de um Congresso Nacional financiado por recursos ilegais. Com o suporte dos EUA e dos monopólios de mídia. Controlados por apenas sete famílias. Um impeachment sem crime de responsabilidade. O resultado? 27,7 milhões de desempregados e desalentados; 36 milhões no mercado de trabalho informal ou invisível, sem renda fixa, direitos trabalhistas ou previdenciários; 19,5 milhões de pessoas na pobreza extrema, com consumo de menos de um dólar por dia. Com 63 mil homicídios em 2017. Maior do que a Guerra na Síria. Retrocessos políticos e sociais. Triste. Trágico.

AO: O Brasil ainda tem características deixadas pela Ditadura?

RD: O Brasil não puniu os responsáveis por prisões ilegais, torturas e desaparecimentos. O racismo, a homofobia, o sexismo, a misoginia, a xenofobia e a violência nas ruas, delegacias e no sistema prisional, constituem heranças das ditaduras do Estado Novo – 1937 à 1945 – e civil e militar – 1964 à 1985.

AO: No atual cenário político e econômico em que o país se encontra, qual seria a maior ameaça para um possível retorno do regime militar?

RD: O capitão do Exército na reserva Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas para a Presidência da República é, hoje, a maior ameaça para a frágil democracia do Brasil.

O professor, historiador e jornalista Renato Dias.

A professora Viviane Maia, jornalista e coordenadora dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Faculdade Araguaia, reitera a importância da discussão sobre a ditadura militar, não só nos cursos de comunicação social, mas em todas as outras graduações. Ela afirma que existe a necessidade do conhecimento deste capítulo negro e recente da nossa história, por parte dos alunos.

“O que a gente propõe aqui na faculdade com esta discussão, é resgatar o que foi este período no Brasil, o que ele representou para o país e de que forma ele impactou na vida das pessoas e no jornalismo.” Viviane ainda destaca a importância de todo brasileiro conhecer a sua história e este capítulo da ditadura, para que não hajam clamores por parte da população para que estes dias se repitam.

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