A maravilhosa bênção de ser mulher

Texto: Raquel Fernandes

Edição: Vinicius Martins

 

Dizem que todo dia é dia da mulher, portanto, nada melhor que falar sobre nós após oito meses da data oficial. Creio que um dos maiores privilégios da vida é poder ser mulher. Nós não somos mulheres apenas por termos nascido assim. Nós somos mulheres porque podemos e conseguimos ser. Porque não é fácil – ah, não é fácil mesmo! – Cada dia é um desafio a ser concluído, a começar pelo cabelo bagunçado e criticado mentalmente ao nos olharmos no espelho pela manhã, até o processo árduo de retirada de maquiagem do rosto antes de se deitar.

Neste meio, passamos por banhos, roupas, sapatos, maquiagens, refeições preparadas por nós – pois na maioria das vezes não temos quem as faça –, encarar os pedais do carro calçando os saltos que vão ficar nos nossos pés durante o dia todo, a preocupação constante em checar se o cabelo está arrumado, se o batom ainda está na boca, se a calcinha está aparecendo por baixo da calça, se ainda resta algum traço do perfume passado após o banho matinal, e além de tudo isso, ainda se preocupar com o que as pessoas ao seu redor estão pensando de você.

Concluímos o dia de trabalho com a postura e elegância de quem acabou de começar, voltamos para o trânsito que nos permite pensar naquilo que ainda temos a fazer, vamos para a faculdade com a força que nem nós sabemos de onde vem, e encaramos a volta pra casa com a certeza de que o fogão e outras obrigações nos esperam. Tiramos aquela armadura de super poderosas que nos incomoda e nos aperta e finalmente vamos para as tão aguardadas horas de descanso, as quais não são inteiramente aproveitadas, pois, ao colocarmos a cabeça no travesseiro, o dia seguinte já vai sendo todo traçado e planejado na nossa mente.

E por mais exaustivo que isso pareça, ainda conseguimos ser mães! Se pararmos pra pensar, seria inimaginável colocar todas estas obrigações e adicionarmos uma, duas ou mais crianças no cotidiano de uma pessoa só. Acho que foi exatamente nisso que Deus pensou e, vendo que Adão não daria conta do recado, decidiu criar Eva. Mães (casadas e especialmente solteiras) deveriam receber troféus e estátuas em sua homenagem.

Além disto, existem aquelas coisinhas que só nós temos a capacidade de realizar. Ir ao salão, por exemplo, e ficar horas a fio sentadas em frente a um espelho nos submetendo a vários procedimentos, só porque somos morenas e queremos ficar loiras – ou vice versa –, temos cabelos longos e queremos que eles fiquem curtos, ou são enrolados e trabalhosos então a partir de agora ficariam lisos.

Também temos a missão convidadas ou madrinhas de casamento, onde além de toda uma tarde visitando cabeleireiros e manicures, ainda ficamos uma noite inteira em meias e vestidos apertados, penteados imunes a água e sapatos de salto que sempre nos deixam uma lembrança no calcanhar e dedos para os dias seguintes.

Nossa instabilidade emocional tem uma permissão natural, chamada TPM. Nela, ou até mesmo durante o período menstrual, podemos assistir a um filme e chorarmos o quanto quisermos sem a reprovação de quem está ao nosso lado, ficarmos um dia inteiro deitadas e medicadas sofrendo de dores insuportáveis, e revezarmos os dias em tristezas, alegrias, raivas, excitações, choros, e comilanças.

A vida de uma mulher é tão desafiadora e ao mesmo tempo maravilhosa, que boa parte das produções hollywoodianas são baseadas no sexo forte – e não sexo frágil –. Sandra Bullock, em Um Sonho Possível; Kate Winslet, em O Leitor; Meryl Streep, em O Diabo Veste Prada; Cameron Diaz, em Uma Prova de Amor. Estes são alguns exemplos de filmes que retratam mulheres sofridas, porém fortes; trabalhadoras e ainda sim lindas e perfumadas; mães que dariam sua vida pelos filhos; mulheres que lutam e sofrem com doenças em si próprias ou na família; profissionais que colocam o trabalho à frente de tudo e ainda sim têm seu lado humano e maternal.

Sandra Bullock vive uma mãe que adota como filho um rapaz negro da periferia. Imagem: Reprodução.

Temos, sim, vários defeitos, sejam eles poucos ou muitos. Mas as qualidades que nós temos, ou nos esforçamos para ter? Ah! Estas são infindáveis. Tantas mulheres, belezas únicas, vivas, cheias de mistérios e encanto. Guerreiras que deveriam ser lembradas, amadas, admiradas todos os dias. Feliz dia, todos os dias, aos maiores soldados das guerras da vida.

Faculdade Araguaia realiza feira de troca

Crédito da foto: divulgação

A Faculdade Araguaia realiza nesta sexta-feira, 23 de novembro, em Goiânia, a primeira Feira Trocaê para resgatar e ressaltar o prazer da leitura, além de estimular o intercâmbio cultural por meio da troca de livros e outros produtos. O evento que acontecerá na Unidade Bueno, das 18h30 às 22 horas, será aberto ao público.

Para participar basta levar no mínimo dois produtos culturais, sendo um para troca e outro para doação a instituições de caridade. Não será cobrado valor para entrada. Poderão ser trocados livros, Cds, Vinis, gibis e outros elementos configurados como produtos culturais.

De acordo com a instituição, promover um evento que valorize a experiência da leitura e a doação de livros é de extrema importância para apresentar aos alunos e a comunidade em geral a importância da cultura, que é fonte de conhecimento e capaz de desenvolver a imaginação e o domínio das possibilidades comunicativas da linguagem verbal.

“Aproximar a população goiana das ações de responsabilidade social desenvolvidas pela Faculdade Araguaia. Discutir a importância da literatura na contemporaneidade, propiciar a formação de novos leitores através da doação de livros, estimular o consumo consciente de bens materiais e tornar a academia um espaço de discussões que envolvam a sociedade como um todo e não um gueto, que produz conhecimentos que não extrapolam os muros dos centros de estudo são os objetivos do evento”, afirma a coordenação da feira.

A feira será produzida no formato “Mercado de pulgas”, nome dado às antigas feiras parisienses onde os cidadãos se reuniam para comercializar bens antigos, usados e outras mercadorias, inclusive de fabricação artesanal. Os participantes da Feira Trocaê poderão utilizar cangas ou as mesas para organizar os livros e iniciar os processos de troca.

Feira Trocaê

Evento será realizado na unidade Bueno da Faculdade Araguaia. Objetivo é discutir a importância da literatura na contemporaneidade. Crédito da foto: divulgação.

SERVIÇO

Feira Trocaê

Data: 23 de novembro de 2018 (sexta-feira)
Horário: 18h30 às 22h
Local: Faculdade Araguaia – Unidade Bueno
Endereço: Av. T-10, 1047 – St. Bueno, Goiânia – GO
Entrada gratuita (levar produtos culturais para troca)

Feira Trocaê

Paulo Andrade: “o maior desafio da carreira de um narrador é conseguir misturar emoção e técnica”

Texto: Raquel Fernandes

Edição: Vinicius Martins

Paulo Andrade, narrador e apresentador dos canais ESPN. Foto: reprodução.

“Porque, para ele, não basta ser um grande profissional, você tem que ser um grande homem, um cara de grupo.” Foram estas as palavras ditas por Paulo Andrade em sua edição do Credencial ESPN, como características fundamentais exigidas por José Trajano ao contratar um profissional para trabalhar com ele. E Trajano acertou em cheio. Desde outubro de 2003 e durante quatorze anos, Paulo Roberto de Andrade, ou só Paulo Andrade como é conhecido, vem trilhando um brilhante caminho de sucesso como um dos maiores narradores de futebol do Brasil.

Nascido em São Paulo em 31 de janeiro de 1979, formou-se em publicidade, mas acabou por seguir a carreira jornalística ao comandar um programa de samba em uma rádio comunitária da região. De forma voluntária, atuava apenas como comentarista de jogos de futebol, já que a narração nunca havia passado por sua cabeça. No entanto, seu dom foi descoberto de uma maneira “acidental” quando o narrador da rádio faltou em dia de jogo, e Paulo se viu obrigado a narrar uma partida. E desde então, nunca mais parou.

Durante alguns anos e passagens por algumas emissoras de TV, reuniu seu material para tentar ingressar em uma grande emissora. Foi então que, em 2003 com a inauguração do Departamento de Esportes do SBT (fato que soube através do Programa da Hebe), conseguiu, após várias tentativas frustradas, um teste para narrar um jogo da Holanda. Paulo narrou, agradou e foi contratado.

Agradou tanto que, mesmo ficando por pouco tempo na emissora, já que o departamento se dissolveu em quatro meses, José Trajano quis o narrador para a sua emissora. “O Paulo do início do SBT, e não do fim” disse Trajano.

Com a cara e a coragem, fez seu teste logo de cara narrando um jogo entre Leeds United e Arsenal. E o fez brilhantemente. Foi aplaudido e ovacionado após a narração, fazendo com que o contrato que seria de alguns meses, se estendesse pra um ano. E por quatorze anos. Desde então, se destaca pela união de segurança, informações precisas, conhecimento e empolgação na medida certa em suas narrações. Sua especialidade é o futebol, no entanto, já demonstrou as qualidades citadas em outras modalidades nesses anos de ESPN: Futsal, Tênis, Boxe, Handebol, Basquete etc. Além disso, Paulo é apresentador dos programas Linha de Passe, Futebol no Mundo – em parceria com Alex Tseng – e algumas edições do Sportscenter.

Em suas narrações, não deixa seu perfeccionismo passar despercebido. Sempre com muitas folhas de sulfite à mão, quase sempre coloridas por seus marca-textos e escritas à mão, Paulo narra os jogos como se possuísse uma enciclopédia sobre os jogadores e os times em campo. Não é à toa que, em várias ocasiões, os fãs de esporte (como são chamados os espectadores da ESPN), se pegam na dúvida de como ele tem tantas curiosidades e dados estatísticos à mão. Resultado de suas horas de estudo anteriores às transmissões, sua dedicação e autocrítica. “Aqui, você não pode dar um “migué”. Se você quer dar informação, estude. Chutar não pode.”

Paulo Andrade e Paulo Vinícius Coelho, o PVC, durante transmissão da ESPN. Foto: reprodução.

Sua história com o esporte é marcada predominantemente por sua ligação com o futebol internacional. A ele, Paulo dedica sua base como profissional, a construção de sua família e seu sucesso como narrador. “O futebol internacional é tudo na minha vida”, diz ele. E é claro, um gênio que se preze não trabalha sozinho. Se dizem por aí, que para todo Xavi há um Iniesta, então, para todo Paulo Andrade existe um Paulo Calçade, por exemplo. Ou um Mauro Cezar Pereira, ou um Rafael Oliveira, ou um Leonardo Bertozzi. Seja como for, está sempre em boa companhia. O fã de esportes nunca fica decepcionado.

Quando a Liga dos Campeões era transmitida pela ESPN, Paulo era o principal nome das narrações. Era de se esperar. O maior torneio entre clubes do mundo necessitava de um grande nome para guiá-los na TV. E ele o fazia com maestria. Não havia outra possibilidade de se acompanhar um jogo da Liga dos Campeões em outra emissora. Até que chegou o dia em que fomos forçados a encarar essa ruptura. Difícil naquele momento, difícil até hoje. Questão de tempo. A UCL está, temporariamente (espero!), com direitos exclusivos tidos pelo Esporte Interativo. E friso aqui o “temporariamente”, pois a torcida é enorme, e sempre válida.

Uma das maiores provas de seu profissionalismo impecável, veio em uma das (várias) edições de Copas do Mundo que já participou. Em 2014, Paulo foi um dos responsáveis por narrar o tão conhecido e desastroso 7×1. Foi o que melhor o fez. Para ele, estar no comando da transmissão da pior derrota da maior seleção de todos os tempos foi um grande desafio. Conseguir encontrar o tom correto, não deixar transparecer a decepção para quem assistia, manter igual postura em todos os gols da Alemanha e até mesmo no único gol do Brasil. “Se houvesse uma única pessoa em casa torcendo pela Alemanha, eu precisava narrar pra ela. E narrei. Mas foi a mais difícil da minha carreira.”

Na prática do esporte, Paulo passou pelas bases do Corinthians, Portuguesa e outros times. Parou para estudar Publicidade. Hoje em dia, é zagueiro e capitão do time da ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo). E até nisso se considera extremamente perfeccionista. Esteve, nos últimos cinco anos, presente em quatro finais do campeonato. E finalmente, pra acalmar seu lado competitivo, o título veio na última semana.

O Arsenal, para o narrador “o melhor da era moderna da PL, e um dos maiores da história do Campeonato Inglês de todos os tempos”, foi o protagonista de sua primeira ligação com o futebol internacional. Recentemente, o narrador completou 15 anos de ESPN. Em entrevista à Raquel Fernandes, Paulo relembra aquele 1º de Novembro de 2003, onde narrava o primeiro capítulo de sua vitoriosa trajetória.

Confira a entrevista:

ARAGUAIA ONLINE: Desde que começou a atuar como jornalista em rádios comunitárias, até os dias de hoje em que trabalha em uma das maiores emissoras de esportes do país, qual o maior aprendizado você carrega consigo?

PAULO ANDRADE: Muito difícil determinar apenas um grande aprendizado. São tantas coisas que surgem pelo caminho, mas acho que, para definir um que considero fundamental, é necessário estar sempre aprendendo. Humildade, autocrítica, determinação, e dedicação me levam sempre a achar que posso melhorar, evoluir, estar perto daquilo que considero um bom trabalho. E agradar a mim mesmo é o mais difícil, pois sou absolutamente perfeccionista em relação ao que faço.

AO: Partindo do princípio que é muito difícil separar o que é TV aberta e TV fechada no que diz respeito à transmissão de futebol, já que quem assiste à ESPN assiste também às emissoras “X” e “Y”, como você se sente sendo considerado um dos maiores narradores do Brasil juntamente com outros nomes importantes?

PA: Primeiramente, obrigado pelo elogio imputado na pergunta. Bem, eu acho o reconhecimento muito importante. Claro que sei que jamais agradarei a todos, e nem tenho essa pretensão, mas receber um elogio, uma mensagem carinhosa, um abraço sincero daqueles que gostam do meu trabalho é extremamente gratificante. Agora, como me sinto? Mais pressionado (no bom sentido) a continuar melhorando, aprendendo e me dedicando para agradar mais e mais àqueles que me acompanham.

AO: Você preza muito a chamada “narração técnica”, a qual exige certa entonação de voz, o uso de palavras adequadas de acordo com o momento, e um começo, meio e fim nos lances de gol. Dois destes (o do Vardy contra o Liverpool e o do Neymar contra o Villareal) foram marcados por uma emoção incontida. A partir de que momento fica difícil medir a técnica e a emoção em uma narração?

PA: Já disse algumas vezes, acho que o maior desafio da carreira de um narrador é conseguir misturar emoção e técnica num mesmo trabalho, e na medida certa. Não acontece do dia para a noite. Ao menos, comigo, não aconteceu. A experiência me trouxe essa possibilidade. Eu comecei a narrar prezando muito pela construção técnica do meu estilo, a informação durante os jogos, a agilidade, e etc, mas aos poucos, com o alcance de mais de firmeza, confiança em mim mesmo e muita dedicação, eu consegui me “deixar levar” por momentos especiais que tive o privilégio de acompanhar e relatar ao fã da ESPN, sair da narração técnica e soltar a voz, usar termos diferentes, e falar com o coração. E digo: essas narrações mais emocionantes são as que mais marcam a minha carreira e ficam na lembrança dos que puderam ouvir, o que também é uma honra muito grande.

AO: Além de narrador, você pratica o futebol como diversão. Você, ao jogar, se imagina narrando aquela partida em que participa, ou se desliga totalmente do seu ofício?

PA: Me desligo absolutamente. Sou muito competitivo, confesso. Dificilmente jogo por brincadeira. Acho que pode ser um pouco da síndrome do “boleiro que não deu certo”, já que tentei ser jogador profissional até os 19 anos, antes de desistir. Mas o Paulo profissional é um, o “jogador” é outro. Quem me assiste jogar e conhece o meu trabalho costuma ligar as duas coisas, é inevitável. Claro, aceito as brincadeiras, numa boa. Agora, jogar futebol e ter feito boa parte da vida nas categorias de base de clubes importantes, me ajuda bastante nas narrações, no momento em que é necessária uma intervenção ou opinião mais embasada. Da pra dizer que, jogar futebol melhora a minha narração, imagino.

AO: Você é um dos principais nomes aclamados para narrar jogos de videogame, como o FIFA ou o PES. Já até mostrou certa intimidade com os mesmos quando, em uma partida mediada por Alex Tseng, enfrentou o representante da ESPN Games, Lucas Ohara. Na ocasião, o Manchester United (de Lucas) venceu o seu Manchester City por 2×0 apenas no segundo tempo da prorrogação. Você toparia a oportunidade de narrar estes games?

PA: Claro que sim. Deve ser muito legal. Na verdade, faz alguns anos, cheguei a emprestar a voz para um jogo de vídeo-game, ou PC, algo virtual. O projeto não deu muito certo, tanto que nem me lembro o nome do jogo, mas tive a oportunidade estar no estúdio e gravar. Foi muito divertido. Também por gostar de jogar seria um privilégio receber esta oportunidade.

AO: O seu contrato com a ESPN vai até o fim deste ano e, com certeza, você deve receber propostas de outras emissoras. O que te faz permanecer na ESPN?

PA: A ESPN é uma marca muito forte, grande. Enquanto eu continuar recebendo boas oportunidades profissionais, e estiver agradando àqueles que comandam o canal, não há motivo para sair. Mas sempre estarei em busca de evolução e melhores oportunidades. Se eu perder isso, a minha carreira perde o sentido, penso.

AO: Você assiste à outras emissoras?

PA: Sim, claro. Muitas delas.

AO: Desde 2012, você narra a maioria dos clássicos entre Barcelona e Real Madrid. Um deles em particular, fez com que a ESPN batesse recorde de audiência, superando até mesmo as transmissões de TV aberta. Este é, para você, o jogo mais emocionante de se narrar na atualidade?

PA: É um dos que mais exigem dos profissionais nele envolvidos, sem nenhuma dúvida. Depois da perda dos direitos da UCL, “el clasico” passou a ser o jogo mais importante para os canais ESPN em diversos aspectos. É impossível narrar este jogo sem se preocupar com a sua magnitude. Agora, o “mais emocionante” acho sempre que é o que está por vir. Graças a Deus tenho a oportunidade de narrar clássicos enormes do futebol mundial, e sempre acredito que o próximo pode superar a emoção do anterior. O meu desafio é estar à altura de cada um.

AO: Olhando para a sua trajetória sofrida a princípio, mas desde então de muito sucesso e dedicação, você considera que ter se tornado jornalista e narrador esportivo foram as suas maiores conquistas? Se não, quais foram?

PA: Minha maior conquista é a formação da minha família, mas claro, sem nenhuma dúvida, as conquistas diárias que a profissão me trouxe são parte importantíssima da minha vida. Agradeço à Deus, diariamente, por ter me dado o dom de narrar e apresentar, e continuar me permitindo melhorar a partir da vida confortável que o jornalismo me oferece.

AO: Você tem um “ritual” de estudos para preparação de jogos, estudando por volta de três horas, fazendo anotações em papel sulfite e marcando dados importantes com marca-textos. Quais são os jogos mais difíceis para os quais você tem que se preparar?

PA: Eu sou meio “tarado”, no bom sentido. Costumo me preparar muito e de igualmente para todos, ou quase todos os jogos que narro. Mas é indiscutível que procuro estar mais ligado, focado, preparado, atento em jogos maiores. Eu sou movido por eles. Quanto maior é a representatividade do jogo, mais motivado eu fico para fazer um grande trabalho.

AO: Quais conselhos você daria aos jovens aspirantes a carreira de narrador esportivo? O que fazer para ser um bom profissional da área?

PA: Primeiramente, buscar saber se tem o dom. Acho que, especificamente para narrar, se não houver dom é quase impossível seguir em frente. É impossível aprender a narrar, mas fundamental aperfeiçoar o dom, quando o tem. Para ser um bom jornalista é necessário amar muito o que faz, pois o caminho é dificílimo, ser perseverante, e ter vontade de melhorar sempre. O resto acontece naturalmente.

AO: Qual o balanço você faz da sua carreira nestes 15 anos de ESPN?

PA: A ESPN me deu todas as oportunidades que tive para melhorar e continuar em busca de destaque na profissão. Sou e serei grato eternamente. O PA de 2018 é infinitamente diferente do de 2003, que chegou ao canal com 24 anos, e muito graças às chances que recebeu ao longo desses 15 anos.

AO: Para encerrar, agradecendo por sua honrosa participação e entrevista, deixe uma mensagem a todos os nossos leitores que te acompanham.

PA: Quero agradecer pela honra de apresentar um pouco mais de quem eu sou através dessa entrevista, e a mensagem é acreditar sempre em seus sonhos e fazer todo o possível para realizá-los. Perseverança, honestidade, trabalho e fé em Deus.

AI-5 – 50 ANOS: Política, processo eleitoral e ditadura militar pautam discussões na Faculdade Araguaia

Os cursos de Jornalismo e Publicidade realizam eventos para relembrar os anos de chumbo e discutir eleições em tempos de mídias digitais

Texto e edição: Profa. Viviane Maia

 

Este ano promete ser bem movimentado no que diz respeito à política. No dia 7 outubro, os brasileiros vão às urnas para escolher seus representantes em níveis nacional e estadual. Foi dada a largada à corrida pela preferência e, consequentemente, voto dos eleitores. Já em 13 de dezembro o Ato Institucional nº 5 – que foi chamado de golpe dentro do golpe – completa 50 anos. Um fato tão relevante não poderia passar em branco.

Diante deste cenário, professores, alunos e convidados dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Faculdade Araguaia (FARA) discutirão ao longo do semestre o tema política e seus desdobramentos tomando como gancho as eleições e a importância das mídias, especialmente as digitais, neste processo; e a ditadura militar no Brasil e suas consequências.

Para iniciar os debates, na próxima segunda-feira, 27, será realizada a aula magna do semestre 2018/2. Com o tema Eleições e Política na Rede, será proferida pelo pesquisador Marcos Marinho. Publicitário formado pela FARA, é especialista em Marketing Político e Eleitoral, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás e atualmente doutorando em Comunicação pelo Instituto Universitário de Lisboa.

Pesquisador Marcos Marinho.

Na quarta-feira 29, será realizada a primeira sessão do Projeto de Extensão Cineclube Araguaia, com a exibição do documentário O dia que que durou 21 anos. Após o filme, ocorrerá uma mesa-redonda com a participação do sociólogo, escritor e jornalista Renato Dias; coordenador do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Antônio Carlos Cunha; e a jornalista Glória Drummond. A mediação ficará a cargo da professora Viviane Maia, coordenadora dos cursos de Comunicação da FARA.

O sociólogo, escritor e jornalista Renato Dias

Coordenador do curso de Jornalismo da PUC-GO), Antônio Carlos Cunha

A jornalista Glória Drummond

Os dois eventos serão realizados no auditório da unidade Bueno da FARA, das 19h às 22h, abertos à comunidade em geral e entrada franca. Na segunda-feira, antes da aula magna, às 18h30, será realizado o lançamento da revista #Comunica!, produzida pelo alunos de Jornalismo sob a batuta professores Eduardo Ávila, Patrícia Drummond e Viviane Maia. Na quarta 29, será a vez do lançamento do livro Gestão da Comunicação Hospitalar, do José Antônio Cirino, pesquisador e professor da FARA.

 

Obra revela bastidores do AI-5

O documentário O dia que durou 21 anos (Brasil, 2011) foi o escolhido para a primeira sessão do Projeto de Extensão Cineclube Araguaia. A obra é uma produção da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares, filho de uma das vítimas da ditadura. O material apresenta os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964.

Documentos inéditos e oficiais, amparados em depoimentos de acadêmicos norte-americanos e brasileiros, revelam como, sob o pretexto do avanço comunista em Cuba, os Estados Unidos vieram ao Brasil e compraram, literalmente, políticos, governos estaduais e, acima de tudo, meios de comunicação, que enriqueceram graças à intervenção americana. O filme é dividido em três partes e tem duração de 57 minutos.

 

Promovido pela coordenação dos cursos de Comunicação da FARA, o Cineclube Araguaia é uma atividade de extensão que busca levantar discussões acerca de temas atuais, por meio da exibição de obras audiovisuais. Abertas à comunidade em geral, as sessões contam sempre com a participação de convidados, que participam de um bate-papo com a plateia. Criada em 2014, a iniciativa chega a sua nona edição neste semestre.

 

Revista #Comunica apresenta formato inédito

Henry Jenkins lembra que vivemos um momento de transição midiática. Na atualidade as mídias estão se reinventando para ocuparem as plataformas digitais. Dentro deste contexto, o jornalismo impresso também vem se adequando para ser consumido em novos dispositivos midiáticos, como smartphones, tablets e afins. Por isso, é imprescindível compreender que o impresso é uma forma de se fazer jornalismo. Não se resume ao texto publicado em folhas, mas sim a uma discussão mais aprofundada e interpretativa sobre os fatos. Não importa se vai ser lido no papel ou no celular.

É com este pensamento que foi criada a revista #Comunica!, fruto da parceria entre disciplinas dos cursos de Jornalismo e Publicidade da FARA, que cuidaram respectivamente das partes editorial e comercial da publicação. O objetivo é ofertar um produto diferente do formato das revistas tradicionais e com uma proposta de leitura que vai ao encontro da contemporaneidade e da cultura digital: a não linearidade. Por isso, as páginas são soltas e o leitor não precisa seguir uma única ordem de leitura.

Segundo os idealizadores do projeto – professores Eduardo Ávila (editor de Arte), Patrícia Drummond (editora de Executiva) e Viviane Maia (editora Geral), este novo arranjo serve também para demonstrar que não existe uma hierarquização editorial, destacando o que vem no início, meio ou fim da publicação. Ou seja, todos os conteúdos têm o mesmo grau de importância.

Esta primeira edição contou ainda com a participação da professora Márcia Pimenta, que coordenou a produção do conteúdo comercial da publicação – anúncios produzidos pelos alunos que compõem a Settma – Agência Experimental da FARA; e do diagramador Fábio Salazar. Os textos são assinados por alunos de Jornalismo. Além da versão impressão, a publicação conta também com versão digital.

 

Livro discute gestão da comunicação hospitalar

Assinado por José Antônio Cirino e lançado no mês passado, durante a 12ª Convenção Brasileira de Hospitais, em Goiânia, o livro Gestão da Comunicação Hospitalar tem cunho didático e reflexivo e apresenta orientações específicas para o desenvolvimento de ferramentas internas e externas de relacionamento com os públicos da unidade de saúde, elucidando as principais diferenças e desafios dessa estruturação.

De acordo com o presidente da Federação Brasileira de Hospitais, Luiz Aramicy Bezerra Pinto, a publicação veio preencher a lacuna existente na aplicação prática das ações de comunicação com um enfoque de gestão estratégica no âmbito hospitalar. O autor destaca que “nos processos assistenciais, ao interagir com os pacientes e familiares, nas ações de transparência, com os investidores, ou mesmo na relação com a sociedade, as unidades de saúde lançam mão da comunicação, por isso é fundamental abordar suas especificidades e desafios na área hospitalar”.

José Antônio Cirino é comunicólogo, professor da FARA, consultor e pesquisador que atua desde 2009 na área hospitalar. Organizador dos livros Mídias e Desigualdade e Comunicação e Mídia: interfaces com a cidadania e com a cultura, é também doutorando em Comunicação e Sociabilidade pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás e especialista em Gestão de Projetos e em Gestão de Marketing.

O comunicólogo e professor da FARA, José Antônio Cirino

 

SERVIÇO

27/8 (segunda)

18h30 – Lançamento da Revista #Comunica

Participação: editores da revista (professores Eduardo Ávila, Patrícia Drummond e Viviane Maia), diagramador Fábio Salazar

19h – Aula Magna

Tema: Eleições e Política na Rede

Com: Professor, pesquisador e consultor Marcos Marinho

Mediação: Profa. Juliana Junqueira

Local: Auditório da unidade Bueno da FARA (Av. T-10 nº 1.047)

Entrada franca

 

29/8 (quarta)

18h30 – Lançamento do livro Gestão da Comunicação Hospitalar

Com: José Antônio Cirino, autor da obra

19h – Projeto de Extensão Cineclube Araguaia

Filme:  O dia que que durou 21 anos

Debatedores: Antônio Carlos Cunha, Glória Drummond e Renato Dias

Mediação: Profa. Viviane Maia

Local: Auditório da unidade Bueno da FARA (Av. T-10 nº 1.047)

Entrada franca

Empresas estatais e companhias goianas apostam em reposicionamento de marca

Saneago, Enel e veículos de comunicação da Agência Brasil Central investiram em mudança de marca, comportamento e até em troca de nome

Por Jonathan Cavalcante e Vinícius Martins

Edição: Profa. Patrícia Drummond

 

Diante de um mundo em constante atualização, as empresas cada vez mais investem em suas marcas, no intuito de torná-las mais competitivas, atuais e conectadas com o contexto socioeconômico vigente. Para que esta missão tenha o êxito esperado, o reposicionamento de marca se mostra uma alternativa acertada no trato para com o mercado consumidor. Mas, o que é o reposicionamento de marca, exatamente? Em resumo, trata-se da mudança da imagem de uma empresa perante seus consumidores. Quando se fala em imagem, o tema não fica restrito à identidade visual do negócio, mas contempla, sobretudo, o comportamento e a postura de uma companhia. Ou seja, vai além do rebranding.

Três cases goianos merecem destaque pelos reposicionamentos que fizeram de suas respectivas marcas. O primeiro deles é o da Agência Brasil Central, empresa estatal que controla a Rádio Brasil Central AM 1.270, a RBC FM 90.1 e a TV Brasil Central, canal 13.1 digital em Goiânia. Em 2017, o grupo promoveu um ousado projeto de revitalização em seus veículos de comunicação. Além da nova identidade visual das emissoras, criada pelos designers gráficos da ABC, o processo de reposicionamento contemplou ainda, a reformulação da programação e a troca de alguns equipamentos para a melhoria do sinal.

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Novas marcas da Agência Brasil Central e emissoras ligadas à empresa. Crédito: divulgação.

Segundo João Bosco Bittencourt, presidente da Agência Brasil Central (ABC), o reposicionamento do foco da empresa se relaciona com a forma como o mundo moderno se move na era da internet. Para ele, a modernização das plataformas tem o papel de aproximar a sociedade e dar voz a ela, além de cumprir o papel de emissoras públicas. O executivo já reconhece os resultados da iniciativa, especialmente em se tratando da TV Brasil Central: “A emissora já ganhou espaço na sociedade e passou a ser mais respeitada e observada”, destaca.

João Bosco Bittencourt, presidente da Agência Brasil Central (ABC) e gestor responsável pelo reposicionamento do grupo. Crédito: reprodução/ O Opinando.

Para Gildésio Bomfim – professor da Faculdade Araguaia e apresentador do noticiário O Mundo em Sua Casa, o mais antigo programa jornalístico do Centro-Oeste brasileiro, há mais de 50 anos no ar nas rádios Brasil Central AM e RBC FM – o reposicionamento significa uma mudança nas estratégias de marketing e comunicação de determinada marca com o objetivo de reencontrar seu público.

“É natural, considerando as demandas socioculturais e econômicas que a marca perca fôlego, espaço e mercado. Por isso, a necessidade do reposicionamento que precisa incorporar não apenas a veia mercadológica, com uma simples mudança do rótulo de sua embalagem. A mudança precisa abarcar uma ideia, um conceito, uma identidade. Assim como qualquer outra organização, uma empresa jornalística precisa ter planejamento, delinear suas estratégias de forma que a ideia, o conceito e a identidade sejam incorporados também pelos colaboradores. O caso da Nova TBC e Nova RBC é emblemático porque tratam-se de emissoras públicas estaduais. O atual reposicionamento dessas marcas tem foco num jornalismo ágil, dinâmico, instantâneo, interativo com uma maior participação dos ouvintes e espectadores”, diz.

Gildésio Bonfim, professor da Faculdade Araguaia e apresentador do programa ‘O Mundo em Sua Casa’, das rádios RBC AM e FM. Crédito: Jonathan Cavalcante.

O segundo projeto beneficiado pelo reposicionamento de marca é o da Saneago. A Companhia Saneamento de Goiás S.A modernizou sua identidade visual também no ano de 2017, quando completou 50 anos de existência.

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Marca antiga da Saneago utilizada até 2017 e nova marca, adotada pela
companhia ao completar 50 anos. Crédito: divulgação.

O terceiro caso – e talvez, o mais emblemático, é o da Celg. A Companhia Energética de Goiás foi vendida para a empresa italiana Enel em fevereiro de 2017, pelo valor de R$ 2,187 bilhões. Após a conclusão do processo de privatização, a empresa reposicionou não somente sua marca, mas mudou de nome e passou a se chamar Enel Distribuição Goiás.

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Detalhe da marca CELG, utilizada até março de 2018 e da nova marca,
agora chamada Enel. Crédito: divulgação.

A reportagem tentou contato com a Enel e a Saneago para falar sobre seus respectivos reposicionamentos. Entretanto, até o fechamento da reportagem, não obteve retorno das empresas.

A necessidade do reposicionamento de marca

A publicitária e especialista em marketing Kamila Mendonça, atuante há 10 anos no mercado publicitário, explica as razões que levam empresas a adotar o procedimento. “Um dos fatores que levam a pessoa a reposicionar uma marca é a crença do que é proposto pelos profissionais de branding, que é o ciclo de vida da marca, acreditando-se que ela tenha um crescimento, chega à maturidade e depois ela sofre um declínio. Muitas vezes faço esse questionamento, observando marcas como a Coca-Cola, Nike, Banco Itaú, por exemplo. Acredito que o ciclo de vida da marca tem um fim, mas é claro que reposicionar uma marca para que ela se torne mais atrativa, ou não tenha um cansaço pode ser ideal.”

Para Kamila, o reposicionamento de marca é caracterizado por uma tentativa de conquistar outro mercado, ou por uma busca de melhorias. “É fato que as pessoas se cansam de tudo, as grandes marcas fazem pequenas mudanças, que seja até mesmo nas letras com ou sem serifa, uma tonalidade mais viva, mudanças no ícone. Então o que leva isso é a conquista e a manutenção daquele cliente”, ressalta.

Kamila Mendonça, publicitária e especialista em marketing. Crédito: reprodução/Blog Comunicando.

A publicitária ainda orienta que o reposicionamento de marca vai além da questão meramente visual. Para ela, pode se tratar também da adoção de novos valores. “Quando criamos uma empresa fazemos fundamentação em valores, então quando reposicionamos uma marca, normalmente é porque estamos mudando os valores e, em alguns casos, a nossa missão e visão da empresa.”

Ela cita como exemplo o blog do qual é proprietária, o Comunicando. “Ele tinha como missão formar e informar os comunicadores. Então ele se tornou uma empresa que é uma agência digital que oferece cursos e treinamentos na área digital. A missão do blog já mudou. Marketing e soluções digitais que levam as pessoas à comunicação de qualidade e com os cursos e treinamentos para formar profissionais. Essa parte engloba muito mais que as questões visuais. É a readequação da missão, visão e valores.”

Kamila Mendonça esclarece que uma questão que os profissionais de branding têm que tomar cuidado é para que aquela imagem, que não é só um ícone ou um nome, transmita realmente os valores e os posicionamentos da empresa. “Não é apenas uma imagem ou desenho. O maior cuidado é transmitir a noção, visão e valores, dentro daquela determinada logomarca e do posicionamento da mesma”, finaliza.

Quando as notícias falsas entram em campo

Ninguém está livre de ser alvo das notícias falsas, nem mesmo os ídolos do esporte

Por Naddiny Ferreira e Raquel Fernandes

Edição: Profa. Patrícia Drummond

 

As notícias falsas estão cada vez mais presentes no cotidiano e no jornalismo esportivo não seria diferente. Muitos utilizam de fake news para se sobressair de diversos outros meios de comunicação, como se uma notícia bombástica viesse a favorecer o veículo e ao próprio jornalista que escreveu. É como se fosse um pavio e que o mesmo, poderia causar um grande problema.

Um exemplo de fake news no mundo dos atletas envolve o volante Paulinho, contratado pelo Barcelona, que foi alvo de críticas por um vídeo que se espalhou pela internet e, por ser editado, sugeria uma falta de habilidade do brasileiro. Provou-se depois que se tratava apenas de um trecho, e que o jogador havia feito muito mais embaixadinhas em sequência. O vídeo editado, no entanto, foi republicado em diversos sites, reforçando a ideia de que o jogador havia feito feio na apresentação.

Paulinho

Paulinho, volante do Barcelona

Atualmente, o público ao ler uma matéria em um determinado site pode, infelizmente, cair no que é chamado peculiarmente de “o conto do vigário”. Essa expressão datada de séculos passados, que significa uma história elaborada com o objetivo de burlar alguém, serve como exemplo neste contexto a fim de ilustrarmos os casos recentes que estamos acompanhando de falsas notícias, o chamado fake news. Infelizmente, são muitos os profissionais que se deixam levar – querendo ou não – por informações imprecisas, sem ao menos dar-se o trabalho de checá-las antes de publicá-las.

E é bem verdade que em alguns casos, o “Fake News” serve como aliado principalmente para potencializar fatos ainda não tão bem explorados com a intenção de fazer com que o veículo de comunicação se sobressaia entre os demais ao dar uma notícia considerada “bombástica”. Existem sites que pregam aquela conhecida apologia ao humor mesmo usando espécies de atestados de antecedência, ou mensagens na homepage, alertando os leitores de que seu conteúdo não passa de informações meramente ilusórias com a finalidade de provocar risos.

Contudo, mesmo que o jornalista ou redator desses sites venham a declarar que seus conteúdos não passam de falsidades com o pretexto de divertir as pessoas, haverá sempre uma fatia de público consumidor em massa de qualquer tipo de informação que, enquanto desavisados da falta de veracidade nas histórias, virão a cair sempre no velho “conto do vigário”. Em entrevista para o Araguaia Online, o jornalista esportivo e narrador dos canais ESPN Paulo Andrade afirma que “as fake news hoje em dia aumentam muito a responsabilidade de apuração de cada um de nós, justamente pela propagação em redes sociais e às vezes até em veículos não muito confiáveis.

Cuidado na apuração

De acordo com o jornalista, é necessário que o profissional tenha cada vez mais boas fontes, que procure veículos de confiança quando for reproduzir uma notícia, mas acima de tudo que pegue o telefone, que você possa apurar, conseguir conversar com quem trouxe a informação ou com uma fonte segura que pode confirmar determinada informação. “As fake news costumam a interessar a alguém, ninguém lança só para se divertir, talvez até aconteça, mas é exceção”.

Paulo Andrade lembra que a internet e a comunicação digital facilitam a rápida distribuição e alcance das notícias falsas, por isso, segundo o jornalista, é preciso que o profissional seja muito responsável na hora da apuração: “Acho que o universo que a gente vive hoje, de propagação rápida pelas redes sociais, pelos veículos de comunicação de maneira geral, nos deixa muito mais responsáveis pela apuração. A gente tem que ter muito mais cuidado e tem que escolher muito bem a fonte ou as fontes das nossas informações, matérias e da realização da nossa profissão”.

Então, a questão é que o erro não está somente no jornalista ou nestes sites de humor, e sim na cultura da população consumista que, por mais que diga que “o que saiu na internet é verdade”, não estará sendo honesta com ela mesmo até o instante em que perceberá que estava ou está diante de uma mentira sem fundamentos.

A checagem é fundamental em todos os quesitos, ainda mais quando está em jogo informações que possam comprometer a vida e o futuro de um atleta, clube ou qualquer que seja a situação que estejam vivenciando. É necessário ressaltar que a partir do momento em que abrimos um jornal, sintonizamos uma rádio ou ligamos a televisão e, principalmente, quando acessamos sites diversos, devemos ter um olho para a notícia e seus títulos e outro para o que pode ser considerado ou não verdade dentro daquele conteúdo exposto.

Jornalismo de excelência como antídoto

Outro caso de fake news no futebol, é o do ex-meio campista do Barcelona o espanhol Xavi Hernandez, para o qual foi dada a autoria de duras críticas contra o brasileiro Neymar. A declaração supostamente dizia: “Estou muito desiludido com o comportamento de Neymar. Não foi isto que lhe ensinamos no Barcelona. Talvez, deixar o Barcelona tenha sido a decisão correta, porque estas atitudes tornam grandes jogadores em jogadores pequenos. Espero que aprenda com isso e que comece a ajudar mais os seus adversários”. Após a divulgação desta notícia falsa, o próprio Xavi fez questão de desmentir os boatos.

Xavi e Neymar

Os jogadores Xavi Hernandez e Neymar.

O jornalista esportivo e repórter da editoria de Esporte do jornal O Popular, João Paulo di Medeiros, dá o antídoto para as notícias falsas. “As fake news só reforçam a necessidade da prática do bom jornalismo. A pressa pelo furo jornalístico tem levado muita gente a entrar em furadas. Como o esporte trabalha com muitas jogadas de interesses, principalmente em épocas de transferências de jogadores, é necessário redobrar o cuidado na hora de checar as informações e só publicar quando tiver tudo muito bem apurado. O bom jornalismo é o antídoto para fake news”, recomenda.

Embora o Google e algumas redes sociais, como o Facebook, estejam tomando medidas em combate à proliferação da fake News, oferecendo instruções e dicas de como nos prevenirmos diante de situações nas quais a informação se apresente duvidosa, a verdade é que o futuro do jornalismo em geral não depende apenas de mecanismos ou quaisquer estratégias para que sejam verificadas a veracidade da notícia. O grande desafio do jornalismo é reverter esta situação por meio de uma cobertura ética, honesta e compromissada com o público.

O erro não está apenas no jornalista que publica ou no site que tem o assunto publicado, mas na própria cultura que consome a notícia como se absolutamente tudo que sai na internet é verdade. Portanto, checar é fundamental, pois uma informação mal passada, pode de certa forma, comprometer a vida do atleta na qual a notícia está inserida e o próprio clube do esportista. Devemos ter o senso de percepção considerando o que é ou não é verdade dentro do conteúdo exposto.

A corrida pelo boato

Resenha – O Abutre

Por Brenda Bianca

Edição: Profa. Patrícia Drummond

 

O Abutre

O filme O Abutre conta a história de Louis Bloom (Jake Gyllenhaal), um ladrão de metais que tenta ganhar a vida do jeito mais fácil. Até que um dia ele presencia um acidente na avenida, na qual fica parado observando o acontecimento até se deparar com um cinegrafista freelancer, que filma todo o ocorrido e as vítimas para vender para alguma emissora de TV. Neste momento, o protagonista enxerga a possibilidade de fazer carreira e ganhar dinheiro fácil, como cinegrafista independente. Assim entra a personagem de Rene Russo, Nina, editora de um telejornal sensacionalista que alimenta os noticiários com essas filmagens.

Bloom, no início, compra uma câmera e um rádio de polícia, no qual fica escutando as ocorrências em busca de acidentes para fazer imagens e negociar com as emissoras. Com o tempo, ele vai ganhando experiência na área e uma certa notoriedade pela mídia. Certo dia, Louis se depara com um acidente, chegando ao local antes da polícia. É neste momento que faz sentindo o nome do filme: “O Abutre”. O personagem de Jake Gyllenhaal começa a alterar e moldar a cena do crime, como se fosse seu palco.

O roteiro é audacioso em trabalhar um assunto polêmico, como o sensacionalismo e as fake news, terrenos em que se faz de tudo pela audiência, de maneira bastante simples. Não é à toa que O Abutre – lançado em novembro de 2014 – tenha recebido uma indicação ao Oscar de 2015, como melhor roteiro original. O diretor Dan Gilroy é conhecido pelos seus trabalhos de foco social reflexivo – como em Gigantes de Aço -, e em O Abutre não seria diferente. O diretor apresenta um personagem que vive uma dicotomia moral entre ser ‘o abutre’ que sobrevoa a carcaça e tirar vantagem para sobreviver ou ser a carcaça.

Gyllenhaal não fica muito atrás do diretor. O ator emagreceu cerca de dez quilos para apresentar um personagem com um aspecto moribundo; outra analogia ao abutre. No começo, ele parece só mais um desesperado inofensivo, mas, com a lábia, vai ganhando espaço e importância, tornando-se assustador às vezes. Jake consegue traçar o perfil do anti-herói: ora você fica com pena dele e deseja que tudo dê certo e ora você deseja que ele saia de cena de tão escroto e oportunista!

A fotografia não é das mais alegres, criando uma atmosfera cada vez mais sombria, que mergulha nesse ambiente olho por olho, dente por dente que Gilroy apresenta. A personagem de Rene também é muito bem construída. Ela é a típica pessoa desiludida com a profissão; uma jornalista cheia de sonhos que é jogada nessa realidade do sensacionalismo e tem que se adaptar.

O filme é considerado como uma crítica à nossa realidade: não só seu personagem, como muitos outros profissionais são os abutres que se aproveitam de falhas alheias para se beneficiarem. Como devemos lidar com isso? Onde fica a ética profissional? O autor não responde a essas perguntas, ele prefere nos dar o sucesso duvidoso de seu personagem: o sucesso que muitos alcançam como Bloom.

Ficha técnica

Poster O Abutre

O Abutre (2014)

(Nightcrawler)

  • País: EUA
  • Classificação: 12 anos
  • Duração: 117 min.
  • Direção: Dan Gilroy
  • Roteiro: Dan Gilroy
  • Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton

 

Para acompanhar a balança

O mercado plus size está em ascensão no Brasil e marcas goianas se reposicionam para acompanhar esta tendência

Por Ana Paula Bispo e Giselle Alves

Edição: Profa. Patrícia Drummond

 

FOTO 01 CAPA CREDITO ESPARTACOS BRECHES

Um nicho de mercado que vem a cada dia conquistando mais marcas é o plus size. Empresas têm se reposicionado para atender as necessidades desses consumidores de moda maior, com peças exclusivas e diferenciadas, que ressaltam estilo, beleza e a jovialidade das peças. Algumas marcas goianas estão seguindo esta tendência e aproveitando para faturar atendendo também a este público, a exemplo da XZ For All Curves e Amora Plus Size. A inclusão de modelos plus size também vem repercutindo de forma, movimentando cada vez mais o mercado mundial, que está se reinventando, criando nova estrutura e ampliando seu leque de opções para atender o público plus size.

Segundo dados da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), a produção de vestuário plus size feminino cresceu 2,9%, enquanto o vestuário adulto em geral teve queda de 1,3%, comparativo entre 2015 e 2016. A moda plus size é segmento que está em expansão no Brasil. Ainda de acordo com a Fiesp, já são mais de 492 indústrias de confecção desenvolvendo coleções específicas para o setor, 18% das lojas oferecem opções em tamanhos maiores e apenas 3,5% são especifico ao plus size. Esse número equivale a uma fatia de 2,5% dos estabelecimentos em atividade na indústria, movimentando cerca de R$5 bilhões em vendas anuais. O número parece pequeno, mas registra um salto histórico de 7,9% entre os anos de 2013 e 2015 em suas vendas.

O termo plus size foi criado nos Estados Unidos para se referir a modelos de roupas maiores que o convencional. Começou a ganhar força nas mídias nos anos de 1990, conquistando espaço em um mundo que era explorado somente pela ditadura da magreza. Sendo assim, a indústria da moda usou este termo para classificar manequins acima do 44, para conquistar e valorizar as formas de moda maior, um mercado que tem que ter cor estilo e muitas novidades.

É um segmento ainda pouco explorado no Brasil, representa 5% das lojas físicas de varejo em todo país, entretanto é um mercado promissor que vem crescendo significativamente na área da moda feminina. Isso ocorre porque 17% da população estão acima do peso. Existe pouca oferta e muita procura, o que traz oportunidades para novos empreendedores. O mercado plus size veio para diversificar, mudar e resgatar a auto-estima de pessoas acima do peso, desconstruindo tabus e preconceitos. Sabe-se que o mercado se baseia na lei da demanda e da procura, e mesmo assim o mercado têxtil demorou muito para se render à moda maior com estilo, jovialidade e elegância.

Muitas marcas plus size surgiram por meio das próprias necessidades, como é o caso da marca XZ For All Curves, que nasceu quando à proprietária Denise Aparecida, sentiu dificuldade para encontrar peças que coubesse em seu corpo, que fosse bonita e elegante. A empresa XZ atua no mercado desde 1986 com fabricação própria, e em 2013 resolveu ampliar seus negócios e atender também esse público de numeração maior. Atualmente com mais quatro lojas na cidade de Goiânia, com criações que sempre seguem os modelos atuais, transformando na necessidade das clientes.

De acordo com a gerente da marca, Anna Karolina Silva, no início a empresa enfrentou dificuldades em se estabelecer no mercado por serem peças joviais e com valores mais elevados, por serem peças mais trabalhadas e com um gasto maior de tecidos. Dificuldades essas, muitas vezes superadas pela qualidade do produto.

“Sim, temos que falar de inclusão e empoderamento, pois envolve muito mais que lucratividade, esse trabalho envolve ‘pessoas”. É o que afirma a proprietária da loja Amora Plus Size, Selma Pereira, que abraçou o segmento Plus Size por constatar a ineficiência desse mercado, pois faltava jovialidade nas peças. Ela acredita que o diferencial para o sucesso é o atendimento personalizado a cada cliente pois são, na grande maioria “pessoas que cresceram ouvindo que ser gordo é feio, pessoas que são rejeitadas 24h horas, pela ditadura da beleza e da magreza, existe muita fragilidade nessa abordagem. A empresária garante que um cliente plus size satisfeito é um cliente fidelizado e que acaba trazendo outros clientes fazendo assim a loja ser um sucesso.

Segundo a psicóloga Jane Nacare Carneiro, especialista em Psicologia Clínica, “o segmento plus size veio desmitificar o complexo de encontrar no mercado roupas de qualidade existe uma dificuldade na adversidade de uma estrutura corporal ideal, imaginária como algo desgastante para a psique. Pois o ideal nem sempre irá preencher as expectativas ou frustrações, as pessoas são seres de mudanças temperamentais, comportamentais e sempre faltosos, haveremos de nos bastar e cuidar de nossa alma, no sentido psicológico”.

FOTO 4 PSICOLOGA JANE CARNEIRO

Psicóloga Jane Nacare Carneiro

Mercado impulsiona carreira de modelos plus size

Gabriela Caroli de Queiroz e Silva, de 32 anos, nascida na cidade de São Paulo, trabalhou no mercado financeiro com o pai. Com formação em gestão ambiental, se tornou modelo plus size aos 30 anos. Desde então, modelar é a sua profissão, o que mais gosta de fazer. A seguir, trechos da entrevista realizada com a modelo, para o Araguaia Online:

FOTO 05 MODELO GABI

FOTO 06 GABI LEQUIP MODEL 2

Como você se tornou modelo plus size?

Fui descoberta por uma estilista enquanto comia acarajé.

Quais foram seus maiores desafios ao assumir a carreira de modelo?

Evoluir para me manter na carreira e poder viver desse trabalho.

Sofreu algum tipo de preconceito quando criança?

Um pouco, mas por eu ser mais alta que as outras crianças, porém não era gorda. Mas eu mesma estranhava ser tão maior, sonhava em ser pequena.

Antes de sua carreira de modelo, quais eram suas maiores dificuldades no mercado da moda?

Eu não encontrava roupas facilmente em lojas de departamento e não conhecia as marcas que tinham opções. Encontrar sutiã era quase impossível.

O segmento plus size veio para ficar. O que mais precisa ser mudado no mundo da moda?

As marcas que fazem o fashion tradicional precisam ampliar a grade para o plus e valorizar essas clientes.

Quais os principais cuidados na vida de uma modelo Plus Size?

Ser responsável com o próprio conteúdo nas mídias sociais, pois muitas mulheres se baseiam pela gente. Além de cuidar da pele, cabelo, unhas, como qualquer modelo.

Muitas marcas têm mudado seu foco para alcançar diferentes padrões de beleza. Qual sua opinião em relação a essas mudanças e se ainda existe muito preconceito no Brasil no segmento plus size?

Essas mudanças são bem-vindas e tem uma aceitação enorme, mesmo sendo apenas por marketing. As marcas enxergaram uma oportunidade de mercado ao incluir diferentes corpos, não foi apenas conscientização. Mas que bom que estão usando essa influência para o bem, muitas pessoas que jamais se sentiram incluídas na moda hoje têm poder de escolha. Existe preconceito ainda, tanto que apesar da metade da população estar em sobrepeso o nicho plus não acompanha esse percentual.

Qual seu conselho para as meninas que desejam ser modelo plus size de sucesso?

Procure uma agência de confiança para avaliar seu perfil, não acredite em pessoas que pedem fotos ou marcam encontros para te conhecer. Se seu instinto desconfiar que seja roubada pule fora na hora. E sempre aprimore seu trabalho, estude, seja firme, pontual e dedicada.

O que motiva você em sua carreira e na vida?

Milagres acontecem, mas faça sua parte da forma mais correta possível. Não adianta apenas ter sorte em ser descoberta por alguém, você precisa se esforçar muito e mostrar retorno para continuar na profissão. Minha motivação é ver nas fotos o resultado de minha dedicação.

Idosos e a comunicação digital

Na tentativa de atuar no mundo digital, idosos ingressam nas redes sociais. Entretanto, são vítimas das fake news

Por Elysia Cardoso e Nathália Vieira

Edição: Profa. Patrícia Drummond

O idoso às vezes se vê em um terreno desconhecido ao entrar em contato com as novas práticas de comunicação do mundo digital. Na maioria dos casos seu aprendizado acontece de maneira mais lenta em relação ao jovem. Essa falta de domínio da tecnologia por parte do idoso pode ser prejudicial devido a vários fatores. Uma das grandes ameaças na atualidade é a disseminação das notícias falsas. Por falta de habilidade com as novas tecnologias da comunicação e informação e por conta de uma certa ingenuidade, os maiores de 60 anos se transformaram em distribuidores de fake news.

A reportagem do Araguaia Online foi investigar e descobriu que existe uma crescente busca por atualização da parte dos idosos, que se encontram cada vez mais dispostos a acompanhar o ritmo da tecnologia atual. Segundo uma pesquisa realizada pela AVG Technologies, em 2015, o celular é o dispositivo mais utilizado entre os idosos, abrangendo 86% dos entrevistados, 76% deles utilizam o Facebook e apenas 9% não utilizam nenhum serviço de comunicação digital.

Há vários fatores no qual o idoso se encontra empenhado para aprender a utilizar as novas ferramentas de comunicação. A reportagem apurou que isso acontece devido ao meio social no qual o idoso está inserido. No entanto é necessário se atentar que qualquer um pode elaborar uma notícia e veicular de maneira fácil, mesmo que essa não seja verdadeira.

Segundo Valdivine Pereira de Andrade, instrutora de inclusão digital do Centro de Convivência Cândida de Morais – que oferece cursos de inclusão digital para pessoas com mais de 60 anos –, o idoso não possui, de certa forma, um discernimento sobre o que é verdade e o que não é. “Nós estamos introduzindo o tema fake news aos poucos, ainda não chegamos mais a fundo nesse assunto, inclusive foi discutido em sala sobre o surto da gripe H1N1, no qual foram orientados a não acreditar em tudo o que chega por WhatsApp ou Facebook”, relata.

O que dizem os idosos

Com relação ao compartilhamento de fake news, a instrutora afirma que os idosos não costumam tirar dúvidas sobre o que eles não devem compartilhar em redes sociais. “É um
assunto que eu quero tratar futuramente, sobre ter uma ética se tratando do compartilhamento de notícias em redes sociais, pretendo trabalhar isso com eles”. E os próprios idosos confirmam a fala de Valdivine Pereira.

Foram ouvidos três alunos de inclusão digital. Todos afirmam não checar a veracidade das informações chegadas por meio das redes sociais. Glaudivino dos Santos Carrijo, de 80 anos, diz não saber o que é fake news, nunca pediu ajuda aos seus familiares para
compartilhar notícias pela internet e que não se preocupa em compartilhar uma notícia falsa. “Não me preocupo porque acredito nas pessoas que conheço, se eles passam essas informações para mim, é porque é verdade. Somente se for uma pessoa desconhecida que
procuro saber se é verdade.”

Para Terezinha Machado do Prado, de 69 anos, o primeiro contato que teve com o computador foi no projeto e aos poucos está aprendendo a se comunicar nas redes sociais, porém não se sente segura em compartilhar informações. “Eu fico mais quieta, não gosto de passar informações, pois as vezes não é certa.”

Apesar de representar a minoria, alguns idosos afirmam ter cuidado de checar a veracidade de uma informação antes de distribuí-la nas mídias sociais. Esse é o caso de Geovanni Narciso Borges, 68 anos, é fundamental a checagem da notícia antes do compartilhamento. “Já passei notícia para frente, mas confiro primeiro para ver se é verdade, se for falsa eu apago”.

Valdivine Pereira de Andrade,
instrutora de inclusão digital do Centro de Convivência Cândida de Morais, e a aluna
Terezinha Machado do Prado, de 69 anos.

Cursos promovem inclusão

Aulas de informática em centros de idosos estão crescendo em popularidade. Cursos básicos sobre o uso do computador, instruções no uso de e-mail e plataformas de redes sociais tornaram-se comuns. Pesquisas mostram que a internet se tornou uma maneira importante de exercitar as mentes dos idosos. Segundo a instrutora Valdivine Pereira, quando são treinados no uso dos meios de comunicação social, como por exemplo Skype, Facebook e e-mail, os idosos têm melhor desempenho cognitivo e a experiência de melhoria da saúde.

Cabe aos idosos por em prática o que é ensinado na tentativa de reduzir o alcance das notícias falsas. Quem usa redes sociais como Facebook ou Twitter ou se comunica com aplicativos como WhatsApp precisa compreender que é preciso buscar notícias de fontes conhecidas e com compromisso com a verdade. “É preciso educar as pessoas para que busquem fontes oficiais comprometidas com a ética e a verdade”, ensina a instrutora Valdivine.

Atualmente existem alguns espaços e instituições que promovem a inclusão digital do idoso. Um deles é o Centro de Convivência de Idosos Cândida de Morais, uma unidade da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), voltada para o atendimento a pessoas com mais de 60 anos. A unidade é localizada na Rua Palmares, no bairro Cândida de Morais, em Goiânia, e oferece atividades gratuitas como treinamento funcional, inclusão digital, dança entre outros. O atendimento conta com pedagogo, fisioterapeuta, terapeuta, assistente social e psicólogo.

Contra-ataque às notícias falsas

Mídia social aposta na mudança de algoritmo como estratégia de combate às fake news

Por Caroline Louise e Helena Ribeiro

Edição: Profa. Patrícia Drummond

 

Fake News foi considerada a palavra do ano de 2017 pelo dicionário Collins, por ser a mais utilizada, e principalmente por ter ficado mundialmente conhecida após os discursos de Donald Trump quando estava em campanha para a presidência dos Estados Unidos, acusando a imprensa de disseminar notícias falsas sobre sua carreira política. Fake News é um termo usado para se referir a notícias falsas. Essas notícias são publicadas na internet e se propagam em questão de segundos pelas redes sociais. Discursos distorcidos, opiniões fragmentadas, informações inverídicas são produtos tendenciosos da era fake news. Diante desta realidade, o Facebook elaborou ações para evitar notícias suspeitas, por meio da mudança de algoritmo, o que incomodou os meios de comunicação jornalísticos que usam o facebook para divulgar notícia.

As redes sociais são terrenos férteis para a proliferação de notícias falsas e tendenciosas. É fácil encontrá-las no feed de notícias do Facebook, mas é preciso atenção para identificá-las e, principalmente, não colaborar com a disseminação desse tipo de notícia. O Facebook anunciou recentemente apoio a dois projetos de combate a fake news no Brasil, que ainda estão em fase de desenvolvimento, mas devem estar disponíveis aos usuários em breve. As ferramentas prometem disponibilizar aulas online voltada a professores e alunos para ajudá-los a identificar as notícias falsas com maior facilidade. Já a outra permite que o próprio usuário desta rede social faça a checagem de notícias oferecendo meios rápidos e eficazes para isso.

Em 2017, o Facebook realizou várias ações para evitar que as publicações suspeitas sejam compartilhadas pelos usuários, uma alteração de algoritmo foi feita para que essas informações sejam checadas automaticamente, além de criar um botão que ajuda o usuário a conhecer a reputação do veículo. Esta alteração de algoritmo foi muito discutida pelos veículos de comunicação. A Folha de São Paulo deixou de publicar notícias na página do Facebook alegando que os produtos jornalísticos estariam sendo prejudicados por conta desta mudança, e que o Facebook estaria privilegiando os conteúdos de publicações pessoais, logo seria desvantajoso usar a rede.

Como a Justiça atua

As notícias falsas causam grandes consequências negativas na vida de quem é atingindo por elas. As consequências são reais e os números de vitimas só aumentam. A indignação pela falta de respaldo e proteção movimenta o cenário social. O advogado Vidal Chagas, que atua na área cível, conversou com a Agência de Notícias Araguaia Online sobre a disseminação de fake news pelas mídias sociais, sobre como a justiça atua nestes casos e aconselhou os usuários do ciberespaço: “Fazer uma checagem minuciosa sobre diversos assuntos divulgados na rede, antes de sair compartilhando tudo que vê pela frente apenas para mostrar que está por dentro do assunto”.

Advogado Vidal

Advogado Vidal Chagas

O senhor percebe um aumento nos casos judiciais sobre fake news?

Sim, na verdade fake news sempre existiu, mas de um tempo para cá as pessoas começaram a falar mais sobre esse assunto e, principalmente, começaram a buscar ajuda da justiça.

Existe alguma lei que pune as pessoas que fazem divulgação de noticias falsas?

Infelizmente não. O que temos no momento é o projeto de lei nº 6812/2017, foi criado pelo deputado Luiz Carlos Hauly, na qual a pena prevista é de detenção de dois a oito meses e pagamento de R$1,5 mil a R$4 mil de multas. Porém, as notícias falsas divulgadas nas mídias sociais podem ser encaixadas no artigo nº 139, dos crimes contra pessoa, quando tratadas no termo jurídico de difamação, que consiste em atribuir a alguém um fato determinado ofensivo à sua reputação, honra objetiva e se consuma, quando um terceiro toma conhecimento do fato.

Preocupado com as fake news, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai fiscalizar e coibir quem disseminar conteúdo falso. Como o senhor avalia esta ação?

Isso já devia ter feito há muito tempo, em todos os casos não especialmente só agora por
causa nas eleições que irão acontecer.

No final do ano passado surgiu uma noticia falsa que o cantor Pablo Vittar teria conseguido a aprovação do governo federal para receber R$5 milhões por meio da Lei Rouanet. A noticia foi divulgada no jornal Folha de S. Paulo. O que o senhor tem a dizer sobre este episódio?

A Folha cometeu uma grande gafe ao divulgar essa informação sem ter conhecimento prévio do assunto. Até um jornal de grande circulação e importância também caiu na rede de fake news.

De quem é a responsabilidade pela disseminação das fake news?

A culpa por existir tantos assuntos voltados ao fake news é que as pessoas não fazem mais a checagem necessária antes de fazer a divulgação de algum assunto.

Como evitar a disseminação de fake news?

O conselho que eu dou é fazer uma checagem minuciosa sobre diversos assuntos divulgados na rede, antes de sair compartilhando tudo que vê pela frente apenas para mostrar que está por dentro do assunto.

O termo fake news ganhou repercussão quando o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou um repórter da CNN de fabricar notícias contra ele e, por este motivo, recusou-se a responder perguntas do jornalista.

Isso mesmo. Lembro-me bem desse episódio. Depois dessa fala do presidente Donald Trump, o termo fake news ficou exposto e até os crimes cibernéticos ficaram conhecidos como fake news.

O que seriam estes crimes cibernéticos?

Crime cibernético é motivado por fraude, caracterizado por e-mails falsos enviados pelos criadores de phishing, que visam roubar informações pessoais.

Quais os procedimentos a tomar caso seja alvo desse crime?

O Brasil é o segundo país da América Latina que mais sofre com o crime cibernético. Por isso é importante que o usuário de meios digitais fique em alerta com as suas informações. O usuário tem direito e deve de recorrer após um ataque cibernético.

Fatos e fakes: “Homem laranja” em xeque

Quando a confiança em um dos homens mais poderosos do mundo é colocada contra a parede, é possível se questionar: até onde se pode acreditar no que é dito por uma pessoa? Como acreditar que uma fonte seja realmente digna de fé? Como manter séria a notícia disseminada de forma viral?

Por Jairo Menezes e Daniel Figueredo

Edição: Profa. Patrícia Drummond

 

TRUMP - FAKE NEWS

A credibilidade das informações a cada dia é colocada em xeque, isso é uma constatação antiga. A novidade vem das mídias e de como as pessoas acessam esses fatos diariamente, com velocidade e quantidade em escalada. Mas há um zelo maior a quem está em evidência, como o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, que enfatiza: se o produto jornalístico não me traz benefícios, é fake news. Com a velocidade que se usa expressões como Links e prints, a rapidez dos compartilhamentos por meio da Internet está na ponta dos dedos, pelo celular. Os aparelhos são extensões dos corpos e os corpos estão sempre conectados.

Um exemplo de quem teve a imagem desgastada pelas fake news é um dos homens mais poderosos do mundo, Donald Trump, o presidente republicano dos Estados Unidos. Trump tem o hábito de declarar como falsa notícia todas as publicações jornalísticas que não o favoreçam diretamente. Antes mesmo de tomar posse, disse ao jornalista da CNN Jim Acosta, entre ataques a veículos de comunicação: “Não seja rude. Eu não vou te deixar fazer uma pergunta porque você publica notícias falsas. Quieto!”

Donald Trump

O episódio deu início a uma série de ataques aos veículos de comunicação. Após a posse, quando as coberturas de alguns veículos citaram o número menor de pessoas que a posse de Barack Obama, Trump recorreu ao Twitter, a rede social preferida do presidente. Chamou o New York Times de fracassado, pela cobertura feita. Pouco tempo depois, voltou a atacar jornalistas na rede social: “A mídia das notícias falsas não é minha inimiga, mas sim do povo americano”. O tom foi parecido com o de Richard Nixon, que abertamente detestava jornalistas e caiu após vazamentos na imprensa revelarem práticas ilegais da Casa Branca.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT, na sigla em inglês) revela um dado alarmante: todos os dias, 70% das informações repassadas, são falsas. A pesquisa, publicada em março de 2018 pela Revista Science, foi realizada entre 2006 e o ano passado, e constatou que mais de 126 milhões de compartilhamentos foram feitos durante o período, só no Twitter — ou seja, em um espaço de proliferação de informações com apenas 140 caracteres, mais de X% foram mentirosas.

Comportamento

Um reflexo disso está no comportamento da sociedade de hoje. O estudante de Direito do 5º período Mickael Gonçalves Correia, de 18 anos, é um dos exemplos. Estagiário em um gabinete da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, diz que ao final do dia já não se lembra mais com clareza de todas as cerca de 500 informações recebidas. “Mas eu sempre procuro saber da fonte, porque muitas dessas informações são falsas, já que chegam sem fonte crível. Se vêm acompanhadas de link para portais de reconhecida credibilidade, aí sim, eu vejo com mais crédito. Hoje eu tenho o G1, o Folha de São Paulo e New York Times como referência, mas existem outros bons”, avalia.

Mickael Gonçalves

O universitário Mickael Gonçalves Correia diz receber cerca de 500 informações por dia, pela internet.

O jovem acessa as informações pela internet de todos os modos: computador, tablet e celular. O aparelho telefônico, no dia da entrevista, tocou quatro vezes. Em compensação, em um dos aplicativos, de mensagem instantânea, mais de 30 conversas — entre individuais e grupos — haviam chegado no mesmo dia, até as 17 horas. Não foi possível checar quantas mensagens, nem quais delas foram críveis ou não.

ENTREVISTA

Publicitário e doutorando em Comunicação Política, Marcos Marinho é goiano. Depois de trabalhar em veículos de comunicação de reconhecimento nacional e ser professor universitário na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), hoje mora em Lisboa, capital portuguesa. Ele fez uma análise sobre a atual situação do jornalismo, a relação do crível e do fato, além de comentar sobre o presidente norte-americano Donald Trump com notícias negativas: “Donald Trump rotula como fake news tudo que não lhe é favorável”, disparou. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Araguaia Online:

MARCOS MARINHO

Diante das suas coberturas internacionais, você percebeu que as falsas informações têm se tornado constantes?

A checagem da informação deveria ser um hábito já muito antes de toda essa celeuma criada pelo atual “pânico das fake news”. Informações enviesadas, tendenciosas e, até mesmo, falsas sempre circularam no contexto social. Portanto, não são um fato novo. O que, talvez, seja mais recente, e já nem é tão recente, é a ampliação de canais e produtores de informação que temos atualmente.

Acredita que Trump, que teve fama após participar de um programa de televisão, tem um jogo marqueteiro de combate ao bom jornalismo?

Trump se comporta de modo bastante estratégico frente a todos os cenários que não lhe são favoráveis. Em especial, no caso da mídia, o presidente dos EUA faz uso de uma tática já conhecida que é: tornar-se ele o principal referencial para seus seguidores. Trump tenta cooptar a primazia da divulgação das informações sobre seus atos e governo e atua com toda a força para desacreditar qualquer outra voz que destoe de suas “verdades”. Por ter executado um processo de longo prazo de consolidação de imagem, e tê-lo feito sempre em uma linha que atraía parte do povo estadunidense, Trump, agora com todo poderio da Casa Branca ao seu lado, opera para tornar-se, sempre, a fonte “oficial” de informações que devem ser aceitas pela população. Isto, dentro de uma perspectiva maquiavélica, é uma ação extremamente inteligente, apesar de absurdamente desonesta. O fato é que, quem controla o discurso, controla a “verdade”. E quem detém a verdade, manipula a opinião pública.

As fake news podem ter interferido nas eleições dos Estados Unidos que levaram Trump à Casa Branca?

Sim. Acredito que a maximização da circulação de informações que beneficiavam Trump, aliado ao apagamento das versões contrárias, acabou por fazer preponderar uma interpretação equivocada dos fatos e do contexto eleitoral, o que pode ter impactado nas decisões dos votantes, dos não votantes e, no caso dos EUA principalmente, dos delegados dos partidos.

Acredita que com o impedimento do trabalho da imprensa é possível se aumentar boatos, fofocas e a incidência de fake news?

É uma questão um bocado mais ampla. Acredito que a falta de uma deontologia jornalística e de regulação do meio, sim, pode contribuir para a desinformação. Mas os problemas do jornalismo vão para além disto. Há anos temos percebido uma crise de credibilidade se abatendo sobre as empresas jornalísticas e, além disso, também temos visto explodir o número de fontes de “informação” que passaram a dividir espaço com fontes jornalísticas tradicionais, fragmentando as audiências. Ainda vimos a falência do modelo de negócio das principais empresas de jornalismo, o que acarretou a perda de grandes profissionais e o desinvestimento na área. Todos estes fatos, a meu ver, contribuíram para esse boom que assustou as sociedades pelo mundo.

Sem dúvidas, o cerceamento da imprensa livre atua para cegar a população em relação aos fatos cotidianos, mas a atuação de maus veículos e maus jornalistas também contribui para o engodo e a manipulação das audiências. Pessoalmente, ainda considero que a “descoberta” das fake news gera mais estrago que as próprias fake news. As audiências lidam com mentiras veiculadas por órgãos de imprensa desde que eles começaram a existir. O que considero ser mais grave, agora, é que o medo da falsa notícia tem tomado o lugar da presunção de veracidade, o que, também, é extremamente prejudicial para as sociedades. Uma prova disto é o que faz Donald Trump ao rotular como fake news tudo aquilo que não lhe é favorável.

Com advento das tecnologias, o jornalista tem que ser mais crível?

Este é, no meu entendimento, o ponto mais importante: a credibilidade da fonte. Veículos e jornalistas precisam legitimar-se como fontes credíveis perante as audiências. Isto não é tão simples, principalmente com a predisposição das pessoas em desconfiar das fontes e, o que é mais grave, o hábito de usar as fontes apenas para confirmar aquilo que já pensam, ignorando o fato de ser ou não verdade. Mais do que nunca, acredito na fala de Aristóteles quando dizia que: “quem legitima o discurso é o discursante”.

Confira alguns momentos de fúria do presidente norte-americano, quando Trump agrediu a imprensa:

1 – Cerimônia de posse

2 – Primeira entrevista coletiva como presidente

3 – Chamou CNN para briga

 

PRODUCOM PREMIARÁ MELHORES TRABALHOS REALIZADOS EM 2016 E 2017

Texto: Carlos Vince Jr.

Edição: Profa. Viviane Maia

Com o objetivo de premiar os melhores trabalhos práticos realizados pelos alunos dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda em 2016 e 2017, a Faculdade Araguaia realizará o Producom Fara, durante a X Semana de Comunicação e I Seminário da Consciência Negra, de 20 a 24 de novembro, das 18h30 às 22h, na unidade Bueno. A premiação dos vencedores será realizada na sexta-feira, 24 de novembro, no encerrando o evento.

A organização do evento recebeu a inscrição de 39 trabalhos, sendo a maioria em grupo – 30 deles – e os outros nove individuais. Os trabalhos foram divididos em quatro categorias para cada curso. No Jornalismo são: Audiovisual, Web, Impresso e Assessoria de Imprensa. Já para Publicidade e Propaganda: Audiovisual, Web, Impresso e Mídia Exterior e Alternativa. Foram inscritos trabalhos em todas as categorias com exceção de duas da Publicidade.

Haverá premiação para cada uma das categorias. Entre os prêmios, hospedagem em Pirenópolis, ingressos para parques aquáticos e cinemas, combos de lanche, canecas, entre outros brindes. Os grandes premiados de cada curso receberão um super prêmio surpresa.

Os trabalhos selecionados foram avaliados e julgados por uma comissão julgadora formada por professores dos cursos. A coordenação do Producom ficou a cargo dos docentes José Antônio Cirino e Joseane Ribeiro.

José Antônio Cirino

Joseane Ribeiro

“O objetivo do Producom é fomentar a produção de produtos comunicacionais e premiar as melhores produções da faculdade. Além da questão dos prêmios, os alunos ganham ao poderem incluir essa premiação em seu currículo, diferenciando-o para o mercado de trabalho, através da notoriedade de suas peças publicitárias ou jornalísticas desenvolvidas durante o curso”, destacou o professor Cirino.

Para abrilhantar ainda mais a última noite da X Semana da Comunicação e I Seminário da Consciência Negra, será realizado um desfile As Cores da África, sobre a cultura afrobrasileira e um pocket show da banda Jahva. Os mestres de cerimônia da noite serão os professores José Antônio Cirino e Márcia Pimenta.

SERVIÇO

Premiação do Producom Fara

Atividade cultural: desfile As Cores da África e show da banda Jahva

Data: 24 de novembro

Horário: 18h30 às 22h

Local: Auditório Bueno da Faculdade Araguaia

OFICINAS MOVIMENTAM A NOITE DESTA QUINTA NA X SEMANA DA COMUNICAÇÃO

Texto: Ana Paula Bissant

Edição: Profa. Viviane Maia

O evento X Semana da Comunicação e I Seminário da Consciência Negra, realizado pelos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Faculdade Araguaia, chega à sua quarta noite. O penúltimo dia (23/11) foi reservado às oficinas, que serão ministradas por experientes professores e profissionais que atuam no mercado, das 18h30 às 22h, na unidade Bueno. Podem participar os inscritos no evento.

Os temas das oficinas são diversificados, passando por redação publicitária, branding, marketing digital, assessoria de imprensa, produção de jingles, jornalismo investigativo, esportivo e literário, finanças, fotojornalismo e fotografia publicitária, jingles, produção de conteúdo para mídias sociais, produção em telejornalismo, narração esportiva, edição de vídeo e photoshop para publicidade. Confira a lista completa abaixo.

publicitária especializada em marketing Ana Maria Guizzetti

professora universitária Raquel de Paula Ribeiro

administrador e marqueteiro Frederico Martins

jornalista e fotógrafo Marcello Dantas

Professor Universitário Murilo Bernado Bueno

Publicitário Vinícius Dalla

Repórter da TV Anhanguera Victor Hugo de Araújo

Deire Assis

Jornalista Carla Lacerda

Jornalista e Professora Universitária Silvana Monteiro

Jornalista Jovana Colombo

Rachel de Araújo

Tatiana Carilly

Paula Pires

OFICINA 1
Tema: Branding e marketing digital para pequenas e médias empresas
Oficineiro: Ana Guizzetti

http://www.araguaiaonline.com/para-quem-quer-impulsionar-o-proprio-negocio/

OFICINA 2
Tema: Desafios da redação publicitária: à procura da mensagem perfeita
Oficineiro: Raquel de Paula Ribeiro

http://www.araguaiaonline.com/a-procura-da-mensagem-perfeita/

OFICINA 3
Tema: Finanças comportamentais: por que gastamos mais do que devemos?
Oficineiro: Frederico Martins

http://www.araguaiaonline.com/por-que-gastamos-mais-do-que-devemos/

OFICINA 4
Tema: Foto e videojornalismo nas narrativas visuais
Oficineiro: Marcello Dantas

http://www.araguaiaonline.com/jornalismo-em-imagens-do-cotidiano/

OFICINA 5
Tema: Fotografia Publicitária
Oficineiro: Murilo Berardo

http://www.araguaiaonline.com/publicidade-em-imagens/

OFICINA 6
Tema: Jingle – muito além do chiclete
Oficineiro: Vinícius Dalla

http://www.araguaiaonline.com/muito-alem-do-chiclete/

OFICINA 7
Tema: Jornalismo Esportivo
Oficineiro: Victor Hugo de Araújo

http://www.araguaiaonline.com/esporte-em-pauta/

OFICINA 8 
Tema: Jornalismo Investigativo
Oficineiro: Deire Assis

OFICINA 9
Tema: Jornalismo Literário
Oficineiro: Carla Lacerda

http://www.araguaiaonline.com/quando-jornalismo-e-literatura-se-encontram/

OFICINA 10
Tema: Mídias Sociais: o telefone celular como ferramenta de produção de notícias
Oficineiro: Silvana Monteiro

http://www.araguaiaonline.com/celular-como-ferramenta-de-producao-de-noticia/

OFICINA 11
Tema: O papel da assessoria de imprensa na gestão de crise
Oficineiro: Jovana Colombo

http://www.araguaiaonline.com/qual-o-papel-de-uma-assessoria-de-imprensa-na-gestao-de-crise/

OFICINA 12
Tema: Os desafios da produção em telejornalismo e a aventura do ao vivo
Oficineiro: Rachel de Araújo

OFICINA 13
Tema: Voz e corpo no TV
Oficineiro: Tatiana Carilly

OFICINA 14
Tema: Planejamento e gestão de conteúdos em mídias sociais
Oficineiro: Paula Pires

OFICINA 15
Tema: Edição de vídeo em Adobe Première
Oficineiro: Rafael Simões

Em homenagem à cultura afro-brasileira

Atividades culturais que abrem as noites da X Semana da Comunicação e I Seminário da Consciência Negra destacam a cultura afrobrasileira

Texto: Paulo Henrique Pane

Edição: Profa. Viviane Maia

Os sons da África e o legado da cultura afrobrasileira vem sendo destacados na programação cultural da a X Semana da Comunicação e I Seminário da Consciência Negra, realizada pelos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Faculdade. Nesta quarta-feira, a partir das 18h30, haverá apresentação do grupo grupo de Capoeira Angola, sob o comando do mestre Leninho Sá. Na sequência, mesa-redonda sobre os desafios enfrentados pelos negros no mercado de trabalho.   http://www.araguaiaonline.com/desafios-do-mercado-de-trabalho-sera-pauta-do-seminario-da-consciencia-negra/

Grupo Capoeira Angola

 

Mestre Leninho Sá

A primeira noite contou com a apresentação do Grupo Coró de Pau, que animou a plateia com a sua percussão. Os participantes não se fizeram de rogados e caíram no batuque. Alguns mais ousadas apresentaram até coreografias no palco. “Esta noite me senti realmente representada”, comentou a aluna de Jornalismo Tálita Moaby. Teve ainda apresentação musical dos alunos Oliver e Abner.

Na noite de terça, a animação ficou por conta dos pockets shows voz e violão dos estudantes Anne Ribeiro e Iury Johnny. Ambos homenagearam repertório de artistas negros, como Grupo Raça Negra e Macau, autor do sucesso gravado por Sandra de Sá Olhos Coloridos. O encerramento das atividades, na sexta-feira 24, contará com apresentação da banda de reggae Jahva e desfile As Cores da África.

   Grupo Coró de Pau

De acordo com a organização do evento, o objetivo é destacar a importância e a influência da cultura africana no Brasil e o legado deixado pela miscigenação. “Queremos destacar pelo menos um pouquinho da riqueza cultural fruto desta mistura de etnias. É uma riqueza enorme que muitas vezes não ganha o devido destaque por conta da supremacia da cultura branca. Precisamos dar voz aos negros e tirá-lo da invisibilidade”, explica a coordenadora dos cursos e também do evento, professora Viviane Maia.

Semana

Estas atividades integram a programação da X Semana da Comunicação e I Seminário da Consciência Negra, realizada pelos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Faculdade, que começou nesta segunda-feira (20/11) e prossegue até sexta (24/11). Além dos debates, mesas-redondas, conferências, oficinas e premiação de trabalhos práticos, o evento conta com uma agenda de atividades culturais que destacam a influência africana na cultura brasileira.

Atrações

Capoeira Angola

O grupo que se apresenta logo mais é comandado por Helênio David da Silva Sá, ou melhor, mestre Leninho Sá, que iniciou autonomamente, a prática de Capoeira na Cidade de Goiás/GO, aos 16 anos, quando aprendeu a confeccionar os próprios instrumentos musicais. Torna-se ao longo de 30 anos de prática, além de exímio capoeirista, excelente percussionista e artesão. Foi convidado por mestre Cobra Mansa – Cinésio Feliciano Peçanha, coo-fundador da Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) – a integrar o coletivo de núcleos da FICA. Em 2015 recebe o título de Mestre de Capoeira Angola.

Criada em 1995, pelos mestres Jurandir, Cobra Mansa e Valmir, a Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) realiza um trabalho de preservação, valorização e difusão da Capoeira Angola pelo mundo, unindo ações sociais e culturais para promover cidadania e desenvolvimento humano. Foi Mestre Cobra Mansa quem iniciou o primeiro núcleo da FICA em Washington DC. No Brasil, as suas sedes principais concentram-se nas capitais de Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). A FICA também está presente em dez cidades dos EUA, no México, Costa Rica, Suécia, Alemanha, Dinamarca, Japão, Rússia e Moçambique. Atualmente, há sete mestres na comunidade da Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA): Mestre Cobra Mansa, Mestre Jurandir Nascimento, Mestre Valmir Damasceno, Mestre Silvinho, Mestre Rogério, Mestra Gegê e Mestre Leninho Sá.

Coró de Pau

A associação Coró de Pau é uma entidade que engloba vários trabalhos. Tem uma banda Coró de Pau, os blocos Coró de Pau e Coró Mulher, além da Fábrica Banbaka Artesanais. A associação oferta oficinas permanentes e palestras a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Os instrumentos são fabricados no próprio projeto. A música do Coró de Pau mistura diferentes influências de música brasileira a partir dos tambores africanos. Tem um repertório próprio entre eles ritmos como vamunha, afoxé, aguerê, maracatu e samba-afro.

Banda Jahva e desfile Cores da África

A banda é recente, que começou este ano com um repertório musical focado no jazz e reggae. A banda é formada por Madson, vocal; André, contra-baixo; e Gustavo, percussão. No pocket show que apresentarão na próxima sexta, vão tocar musicas autorais. Enquanto a banda se apresenta, será realizado o desfile As Cores da África, com a participação de 15 modelos que vão apresentar roupas que remetem à cultura africana.

Voz e violão de Anne Ribeiro e Iury Johnny

Anne Ribeiro é aluna de Jornalismo, toca violão e canta apenas por hobbie. Foi convidada a fazer uma breve apresentação onde destacaria a música feita por negros no Brasil. Investiu no clássico Olhos Coloridos, clássico de Macau imortalizado na voz de Sandra de Sá; e A Carne, de Seu Jorge, transformada em hino na voz Elza Soares. Já Iury Johnny, estudante de Publicidade, cantou clássicos do grupo Raça Negra.

Desafios do mercado de trabalho será pauta do Seminário da Consciência Negra

Texto: Daniel Figueredo e Nayra Carvalho

Edição: Profa. Viviane Maia

No próximo dia 22, será realizado o I Seminário Sobre a Consciência Negra junto com a programação da X Semana da Comunicação da Faculdade Araguaia – que ocorrerá de 20 a 24 de novembro, na unidade Bueno. A noite dedicada à cultura afro-brasileira será aberta com uma apresentação Grupo Capoeira Angola, às 18h30, no auditório Bueno. Às 19h, começa a mesa-redonda Os desafios enfrentados pelos negros no mercado de trabalho.

A mesa de debate contará com a presença da jornalista Ivana Leal, publicitária Mariana Paiva e as historiadoras e ativistas Watusi Santiago e Ana Rita de Castro. Todas são mulheres que conhecem as dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho e que lutam pela igualdade racial no estado de Goiás. Além disso, a atividade será mediada pelo aluno Gustavo Araújo, do curso de Publicidade e Propaganda, que representará todos o corpo discente, em especial os alunos negros.

historiadora e ativista Ana Rita de Castro

jornalista Ivana Leal

historiadora e ativista Watusi Santiago

publicitária Mariana Paiva

A coordenadora dos cursos de Jornalismo e Publicidade, professora Viviane Maia, falou sobre a escolha de um aluno para mediar a mesa redonda. “No nosso corpo docente não temos professores negros, por isso escolhemos um aluno para representar a comunidade acadêmica fazendo a mediação do bate-papo. Não faria o mínimo sentido a discussão ser mediada pelo um branco, não é mesmo?”, questiona.

Realizado pela Coordenação dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, o evento tem como público-alvo alunos, professores e pesquisadores da Comunicação Social.  Para contemplar a homenagem à cultura afro-brasileira, durante todos os dias da X Semana da Comunicação estão sendo realizadas atividades culturais que destacam a cultura negra, como rap, capoeira, reggae e muito mais.

Consciência Negra no Brasil

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro. No Brasil, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil

Zumbi foi o principal representante dos negros na luta contra a escravidão do Brasil Colonial, e também líder do Quilombo dos Palmares – que atualmente fica no município de União dos Palmares, em Alagoas –, uma comunidade formada por escravos fugitivos dos engenhos, índios e brancos pobres expulsos de fazendas com uma população de aproximadamente trinta mil habitantes.

Ele foi degolado aos 40 anos de idade em 20 de novembro de 1695 sendo traído por um amigo e entregue as tropas de um inimigo. Sendo considerado um dos grandes líderes da história do Brasil, ele foi símbolo luta contra a escravidão, e também na luta pela liberdade de culto, religião e da cultura africana no Brasil.

O dia da sua morte 20 de novembro é lembrado e comemorado como dia da consciência negra. A data não é um feriado nacional, mas feriado municipal em milhares de cidades do Brasil. Geralmente a semana em cai o dia 20 de novembro é dedicada às comemorações da consciência negra.

SERVIÇO

I Seminário da Consciência Negra dos Cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda

Data: 22 de novembro

Horário: 18h30 às 22h

Atividade cultural: Grupo Capeira Angola

Mesa-redonda: Os desafios enfrentados pelos negros no mercado de trabalho

Local: Auditório Bueno da Faculdade Araguaia

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