Goianos não conhecem o perigo da diabetes

Texto: Maria Planalto

Edição: Vinicius Martins

Crédito da foto: Pixabay

 

Problemas cardiovasculares são a principal causa de morte em pessoas com diabetes. No entanto, essa informação ainda é pouco ou totalmente desconhecida. Pesquisa inédita do Instituto Datafolha, intitulada “Conhecimentos sobre o diabetes”, aponta que nenhum dos entrevistados da população brasileira na região Norte e Centro-Oeste conhece a associação dos problemas do coração com o diabetes. A pesquisa foi encomendada pelo Movimento Para Sobreviver, que visa justamente trazer o alerta do risco cardiovascular no diabetes, principalmente em idosos.

A maioria das menções feitas sobre o grau de conhecimento dos respondentes sobre o diabetes na região são relacionadas à doença crônica (9%), morte (8%), cegueira ou problema de visão (5%), amputação (2%) e dificuldade de cicatrização (2%).

“É preciso que as pessoas se aprofundem mais em relação ao diabetes, uma doença crônica que cada vez mais acomete a população mundial. É imprescindível que as pessoas, principalmente quem cuida do idoso com diabetes, entenda a importância de proteger o coração, para dar melhor qualidade de vida e prevenir as doenças cardiovasculares especialmente o infarto do miocárdio”, explica o endocrinologista Fadlo Fraige Filho.

Questionados, os brasileiros entendem que proteger o coração de quem tem diabetes (86%) é igualmente importante como ter cuidados para se evitar amputação e a cegueira (86%). No entanto, pouco se discute sobre a prevenção de doenças cardiovasculares em pessoas com diabetes e mais de 65 anos. A doença cardiovascular em pessoas com diabetes mata mais que HIV, tuberculose e câncer de mama na população mundial. E até 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 morrem em decorrência de problemas cardiovasculares.

Cuidado específico

O diagnóstico do diabetes tipo 1 acontece geralmente na infância e adolescência, o que aumenta a responsabilidade familiar. Aqui, englobam-se alimentação saudável, controle da glicemia, condução da insulinoterapia, identificação e ação perante episódios de hipoglicemia. “A atenção especial da família ao processo de transição, conforme a criança cresce e chega à adolescência, é fundamental para que a conscientização e o autocuidado se ampliem naturalmente”, afirma o médico.

Já o diabetes tipo 2 surge, em geral, na fase adulta e está ligado à resistência à ação e diminuição da produção de insulina no pâncreas, ação deficiente de hormônios intestinais, dentre outros. A obesidade, dislipidemia (elevação do colesterol e triglicerídeos), hipertensão arterial, histórico familiar da doença ou de diabetes gestacional, e o processo de envelhecimento são os principais fatores de risco.

O tratamento demanda mudanças no estilo de vida, ao receber o diagnóstico do diabetes, as adaptações da rotina devem ser intensificadas, sobretudo na eliminação de alimentos inadequados e do sedentarismo. Principalmente nesse caso, a família também pode ter impacto tanto positivo quando negativo na qualidade de vida.

“O envolvimento proativo da família aumenta o comprometimento de quem recebeu o diagnóstico, seja criança, adolescente, adulto ou uma pessoa idosa, e motiva um seguimento com mais chance de êxito resultando em melhor controle, mais qualidade de vida e menor frequência de complicações. Além disso, favorece o engajamento a associações de pessoas com diabetes, para buscar melhorias para o tratamento nas esferas governamentais e, claro, em campanhas de alerta para prevenção”, diz o especialista.