A pequena gigante do crossfit

Dedicação da aluna Renata Rodrigues contribui para que mulheres superem desafios e preconceitos nessa modalidade.    

RENATA BASTOS

Já se passavam das 9h da manhã de um sábado de agosto, em Goiânia, e o dia dava sinais que aquela manhã seria de “treino intenso e prazeroso”, assim definido por Renata Rodrigues Silva. O crossfit passou a ser uma espécie de amigo fiel e encorajador em que a cada treino, a dedicação e o esforço permanecem rentes a sua postura, carregando consigo a certeza gratificante de mais um propósito que será concluído. Pelos caminhos, um olá amigável e abraços confortantes de quem acabou de cumprimentar, são colegas que treinam diariamente com Renata. Ela retribui com sorriso sincero, entre abraços e apertos de mãos que em cada olhar atento, observa as particularidades do desafio que está por vir. O professor vai iniciar o treino, mas antes faz anotações no quadro negro, alguns colegas se divertem enquanto grupos de meninas ajeitam suas roupas e outros alongam. Os rapazes competem qual físico é mais definido e gargalhadas são inevitáveis. Pode-se ouvir alguém dizer “hoje eu vou queimar!” e nisso o professor que acaba de realizar suas anotações rebate “prepara que este é o desafio de hoje.” Todos se assustam.

Aluna Renata Rodrigues treinando crossfit. Foto: Renata Bastos

Aos 31 anos, Renata segue cheia de otimismo, talvez por acreditar que todos os anos, incansavelmente debruçados sobre uma escrivaninha de estudos, dessem força e motivação para realizar qualquer atividade. Desde os 23 anos, os livros são os seus parceiros diários, a luta incessante, abdicação de parte da vida não poderia trazer outros resultados, e é por isso que aos 24 anos teve como mérito sua primeira aprovação num concurso público conceituado. As noites de sono e trabalho gratificante ficam para traz em forma de boas lembranças e conquistas, agora ela percebe que outra batalha está por iniciar e tem pela frente alunos de crossfit que almejam a superação de seus limites, dia após dia. Renata arruma os cabelos, cada vez que os dedos entrelaçam entre eles, um rabo de galo se forma. Toque daqui, ajuste ali, finaliza com batom de cor suave. É a sua autoestima que agora aflora. Para completar, tênis apropriado e uniforme da academia completam o visual desse dia de treino. “Se prepare, hoje será pesado!”, esbraveja o treinador e amigo, Bruno Leonardo.

Renata leva nas costas, na altura dos ombros e em forma de tatuagem, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a fé é espécie de amuleto e assim ela segue a vida protegida pela sua crença. A regata azul faz questão de mostrar o desenho, essa decisão de marcar o corpo está movida por razões pessoais. Medindo 1,63 de altura, ela se torna grande o bastante para realizar exercícios que exigem força e preparo físico. Magra, aparência jovem, sorridente, seus cabelos pretos que outrora estavam amarrados, agora dão lugar a trança molhada. Suas têmporas regadas a suor requerem descanso. Hoje, Renata convidou uma amiga para o treino experimental, Marianna Novais, 29, mulher alta de olhos claros e cabelos castanhos parece exausta. É nesse momento de descanso que Marianna seca com a própria roupa o seu rosto suado pelo esforço. O apoio surge em forma de palavras “parabéns, estou gostando de ver Marianna, é bem puxado não é?”, e o balançar de cabeça afirmando soa como forma de sentença, fazendo as duas rir momentaneamente e logo Renata retoma o treino.

“ As noites de sono e trabalho gratificante ficam para traz em forma de boas lembranças e conquistas, agora ela percebe que outra batalha está por iniciar e tem pela frente alunos de crossfit que almejam a superação de seus limites, dia após dia”.

Espaço grande, espécie de galpão, pintado em branco e preto, centraliza o símbolo da academia a alguns metros do chão na parede. Na camiseta de Renata a mesma insígnia aparece, está ligada a cultura dos guerreiros Maoris e significa “resiliência”. O lugar possui cordas penduradas, caixas de madeiras, argolas suspensas e pesos que se prendem numa barra de ferro podendo ficar mais pesados conforme cada peso é inserido. Isso a faz refletir por um instante sobre essa descrição simbólica, pois sabe que precisa de muita força para prosseguir com o objetivo. Em outra parte do galpão, aparelhos de musculação tomam conta do território e estruturas de ferro formam um retângulo para apoio. Tudo é utilizado por Renata no treinamento de resistência.

A música alta trata de animar o pessoal que pouco a pouco chega. Várias bolas estão disponíveis para os alunos, cada um pega a sua esperando o sinal do professor para indicar o tipo do treino e os minutos a serem executado. Para aquecer, espécie de dança das cadeiras, brincadeira de criança, só que agora trocada por bolas. Todos correm em círculos e à medida que a música começa, algumas bolas são retiradas e quando o som para, alguém deixa de sentar. A diferença é, se a pessoa ficar sem a bola, não é convidada a se retirar, ela realiza exercícios orientados pelo professor: flexões, abdominais segurando pesos, burpees, entre outros. A música para. Renata fica em pé e nesse momento é definido o tipo de exercício que ela irá executar. Os burpees são escolhidos, Renata e mais três colegas realizam o que Bruno pede. O treinamento continua cerca de mais dez minutos e encerra com aplausos de todos.

Uma corrida em volta do quarteirão dá sequência ao comando da lista de exercícios que foram escritos no quadro negro. Mais de quarenta pessoas, incluindo Renata e Marianna, correm, freneticamente, a fim de concluir a etapa proposta. O sol quente lá fora e céu azul sem nuvens, típico das manhãs de agosto, parece deixá-los cansados, apenas uma leve brisa refresca momentaneamente à medida que eles retornam para aos suas colocações. O professor da academia não para. Não há descanso quando o objetivo é resistência. Bruno Leonardo, 27, é quem comanda essa turma neste sábado. Enfático e otimista, ele grita eufórico um “bora, bora, anima aí pessoal!”. Renata puxa Marianna que rebate com sorriso forçado, mas ao mesmo tempo determinado a não desistir.

Os alunos já observam o próximo exercício e enfileiram caixas de madeira no chão, deixando pequeno espaço para não baterem uns nos outros. Eles pulam e descem sobre elas várias vezes, sob o comando de Bruno. Esse exercício tem finalidade de fortalecer os músculos das pernas, barriga e lombar. Cerca de 30 pulos subindo e descendo encerra essa etapa. Renata demonstra força e equilíbrio ao concluir sua atividade no mesmo ritmo que começou e isso é resultado do crossfit, a mesma já não sente tantas dores e fadigas como antes. Já Mariana, sua amiga e convidada, sofre com as pernas trêmulas e um cansaço visível, sinal que a corrida não foi fácil e o treino com as caixas a deixou exausta.

A inspiração

Fabrício Silva, 34, irmão, amigo e referência de Renata. Assim é definido o carinho, respeito e amor por ele. A paixão pelo irmão vem seguida de uma voz embargada, olhos rasos d’água e sorriso trêmulo. Algo é certo, Fabrício é o tipo de irmão que tem os mesmos princípios de Renata, a parceria e a cumplicidade fizeram companheiros de luta, estudos e de vida. Isso deve ao fato de Fabrício também conquistar a aprovação num concurso público e ver seus sonhos realizarem na medida em que seu esforço era demonstrado. Ao ingressar no crossfit, ele levou a irmã a conhecer e apaixonar pelo esporte e agora ela supera desafios, começando com o preconceito neste esporte. Cada vez mais mulheres treinam, competem profissionalmente e Renata já sofreu na pele ao ver suas mãos calejadas, sendo assunto de deboche numa roda de amigos. E isso a incomodou? “Pouco, mas não pelas mãos calejadas e sim pela falta de respeito com a minha escolha”, enfatiza. Ela acredita que gerar essa inquietação e reflexão quanto ao papel feminino em esportes que exigem força e resistência, proporciona nova forma de enxergar a mulher na sociedade.

A competição de crossfit, ocorrida no mês de junho no Goiânia Arena, na Capital, contou excelentes atletas de nível nacional. A academia em que os irmãos treinam, fez a seleção de duplas e trios (por equipe) dos alunos para o campeonato e Renata não participou. Apesar de estar há algum tempo no crossfit, ela acredita não ser preparada para competições ainda, mas foi torcer pelo irmão, que iria disputar a competições por equipes com três competidores cada. A academia saiu bem na competição nesse seguimento, dentre oitenta participantes por equipe, conseguiu o 25º lugar no ranking do campeonato. Para Renata, colocação como essa, foi sem dúvida divisor de águas para o irmão e motivação para ela. O mérito veio após ele ser diagnosticado com diabetes do tipo 1.

Não é por acaso que os irmãos se preparam para realizar o próximo exercício. Eles amam a companhia do outro e fazem questão de estarem juntos. O treino, agora orientado pelo professor e amigo Umberto Filho, 31, exige atenção e resistência. Trata-se do levantamento de barras, Renata ajusta quinze quilos em cada lado, enquanto Fabrício coloca sessenta, no total. Fabrício segue atrás de Renata observando-a. Cada movimento é acompanhado pelo professor, que anda do lado para outro identificando possíveis falhas na execução, e também, pelo irmão. A preocupação com essa atividade deixa claro, qualquer movimento incerto pode lesioná-los. Os pesos agora são erguidos e Renata solta um gemido na última sequência de três levantamentos, sentindo cada músculo de seu corpo contrair. Ela agora reveza com outra amiga, questão apenas de beber água e retomar o lugar.

Umberto Filho reitera o quanto Renata e Fabrício são importantes para ele, amizade que nasceu de um esporte, vai muito além dos treinos e cobranças. Renata admira o amigo e treinador, argumenta que os resultados adquiridos ao longo dos treinamentos são frutos do empenho e seriedade do professor. Ele acredita na força das mulheres no crossfit, vê essa realidade como promissora uma vez que o preconceito contra as mulheres no esporte em geral tem se superado dia após dia. “Hoje temos mais mulheres que homens aqui na academia, Renata é uma delas, e é bacana ver essa evolução. Não existe diferença entre homens e mulheres aqui, o preconceito existe na cabeça de quem desconhece o esporte.”, diz Umberto.

“Hoje temos mais mulheres que homens aqui na academia, Renata é uma delas, e é bacana ver essa evolução. Não existe diferença entre homens e mulheres aqui, o preconceito existe na cabeça de quem desconhece o esporte”.

Quando Renata encontra pela frente cordas, percebe que precisa subir até o teto usando apenas os braços e pernas como apoio, se alegra ao dizer que foi o seu maior desafio, não acreditava que conseguiria algum dia. Excitada, demonstra com segurança para a Marianna que seus medos foram superados. A cada movimento feito para se elevar, expressão fechada tomava-lhe a face, a decida necessita de segurança, tombo ou simples torção no pé poderia afastá-la por muitos dias do crossfit. Ao pisar no chão, levou a mão sobre a perna dizendo que a corda a queimou, mas já se acostumou, deixando assim amiga menos tensa. Seus olhos atentos almejam o próximo exercício, ela vai levantar peso mesmo acompanhando a amiga no treino dos iniciantes. E dizer que esse treino foi para iniciantes acaba desconcertando quem vai para uma aula experimental. Caras e bocas. Longa gargalhada finaliza a seção.

O treino para veteranos consiste em simular um circuito competitivo de levantamento de barras com pesos, subir em cordas numa sequência de vezes, fazer barras erguendo o corpo acima do próprio corpo, corridas, abdominais com pesos todos cronometrados. Renata faz esse treinamento pesado e apesar de ser nova no esporte, batalha há muito tempo pela igualdade quando o assunto é a luta contra o preconceito. Ela vai à academia ao menos quatro vezes por semana, quase sempre acompanhada de Fabrício. Sua condição física melhorou, ganhou resistência, equilíbrio e força com os treinamentos e não pensa em abandonar o esporte tão cedo. Marianna fala na possibilidade de se matricular no crossfit, Fabrício foca cada dia mais nos treinos e quanto ao futuro do esporte, Renata reitera a vontade de popularizar cada vez mais entre as mulheres, atrair parceiros para essa modalidade e ser reconhecido também como “o esporte de mulheres de força em prol da igualdade.” finaliza. O treino de hoje é encerrado e alguns alunos dispersam.O sábado foi como Renata esperava. Intenso e prazeroso.

“… quanto ao futuro do crossfit, Renata reitera a vontade do esporte popularizar cada vez mais entre as mulheres, atrair parceiros para essa modalidade e ser reconhecido também como “o esporte de mulheres de força em prol da igualdade social”.

Longe dos treinos, a vida de Renata segue normal. O uniforme azul fica pra traz, dando lugar à sapatilha, shorts, blusa e brincos prateados para acompanhar. Ela vai num passeio com sua mãe que a recebe com alegria. Tarde agitada com compras e risadas, elas se divertem. Nas sacolas, roupas de ginástica e tênis novo, mesmo distante da academia ela não esquece os treinos. A intensidade liga a Renata ao esporte, talvez seja esse um dos motivos para tanta dedicação. Essa característica a faz almejar os resultados que lhe dão prazer e recompensa. A persistência nesse esporte seja contra o preconceito ou a superação de seus próprios medos, de fato resta dizer que o crossfit ensina a ela grande lição: lugar de mulher é onde ela quer estar e não onde a sociedade determina.

Z no Tatame

A arte-suave e o exemplo como referência

CRISTIANA SOARES E KARINY BIANCA

O calor de Goiânia circula pela academia de Jiu-Jitsu, O treinador, Zé Branco, demonstra uma série de alongamentos. Alguns polichinelos, puxões de perna e de braço. Na hora do aquecimento, os alunos correm em volta do tatame, em círculos. Descontraída, Z solta uma gargalhada em resposta ás gracinhas dos colegas, sua filha Marília Rafaela, de 14 anos, observa atenta. As duas, mãe e filha, treinam juntas, toda semana. O filho caçula, Fabrício, de 10 anos, acompanha a mãe e a irmã, nos treinos, ele pratica o esporte na modalidade infantil.

Zenaide (em pé), Marília Rafaela (esquerda) e o colega de treino, Aécio (direita). Foto: Kariny Bianca.

Cabo da Polícia Militar de Goiás (PMGO) e com 19 anos na corporação, Zenaide Moreira de Freitas, escolheu sua profissão seguindo o exemplo do pai. “Ele me levava no quartel e eu achava muito bonito as mulheres de farda, ficava olhando”, explica.   O sargento, Ivaldi Alves de Freitas, é aposentado, mas deixou o seu exemplo como referência para a família, ele ainda presta seus serviços ao Colégio Militar Miriam Benchimol.

“Z de Zenaide”, imaginei enquanto olhava aquela tatuagem. Como um zumbido de uma abelha. É um desenho tatuado no ombro esquerdo, uma abelha e vários Z’s. Ir para a academia é um prazer que ela tem, apesar das dores musculares. “É normal sentir dor nos músculos após o treino, mas isso não é problema pra mim. A dor mostra que o músculo está crescendo, está causando efeito”, esclarece.

Treinar, malhar e trabalhar sua força física é o que a Z gosta.  Está ai mais um motivo para lutar Jiu- Jitsu, que significa arte-suave, é considerada a mais antiga das artes marciais. Antes de ela pensar em competir, o treinador Zé Branco já incentivava: “Você pode lutar no circuito goiano, você tem força, pode ganhar”. Mas Zenaide ainda não estava convencida “Não sei, tem gente treinando a mais tempo do que eu”, ela insistia.  O tempo foi passando e a vontade de competir era mais forte a cada dia, quando ela está no tatame é notável a sua concentração. “Eu esqueço de tudo lá fora, quando estou lutando parece que os problemas desaparecem”, explica.

De quimono azul e um coque no cabelo, “Será que eu vou ganhar?” ela pensava.  Era 26 de junho, dia da primeira etapa do circuito goiano de Jiu-Jitsu de 2016. A arquibancada cheia fazia ecoar o barulho das pessoas gritando nomes diferentes, no Ginásio de Esportes do Colégio Hugo de Carvalho Ramos, em Goiânia.

Vários lutadores juntos, cada um com uma faixa amarrada na cintura, algumas encardidas, outras nem tanto. No Jiu-jitsu, não lavar a faixa é uma tradição, mostra o tempo de treino de um lutador, simboliza o conhecimento. Muitos, por perceberem essa evolução técnica na faixa, depositam nela um carinho muito grande, como se fosse uma extensão de sua alma.

Z aguarda o momento da luta com ansiedade, depois de muito tempo de espera, a organização do evento informa ao treinador Zé Branco que a primeira adversária de Zenaide foi desclassificada por não ter o quimono regular exigido na competição. Mas tudo bem, ainda faltava um competidora. Nem precisou esperar muito, Z descobre que sua próxima adversária desistiu da luta. “Como assim?”, Zenaide dizia sem acreditar. Com uma medalha no peito, ela não sabia exatamente o que tinha acontecido, mas estava feliz. Sem luta, mas orgulhosa mesmo assim.

O esquerdinha – marrento, moleque e muito bom de bola

Os altos e baixos de Claudio Filho que busca sucesso na carreira no futebol profissional

LUCAS MARTINS

Já é fim de tarde, a molecada começa a se reunir em um campinho de futebol no setor Lorena Parque e Claudio Filho já está pronto para jogar. A garotada se reúne pra formar os times. Dois garotos, Fellipe Matos e André Alves competem no par ou ímpar para decidir quem começa escolhendo os jogadores. Na soma dos dedos quem venceu foi André e sem analisar muito as opções já foi logo escolhendo Claudio, ou Claudinho como é chamado, que é considerado o melhor jogador no campo. Com as equipes formadas, Fellipe passa com uma expressão séria dizendo ao seu grupo: “Vamos vencer, se jogarmos direitinho vamos vencer sim”. Já André, com o olhar confiante e um sorriso no rosto diz: “temos o melhor do nosso lado, vamos ganhar fácil. E não deu outra! Claudinho, André e companhia venceram de goleada.

Claudio Filho, um jovem que busca o ingresso no mercado profissional do futebol, sabe que está difícil alcançar seu objetivo. Claudio já com 22 anos e se considera velho, comparado com garotos de 13 ou 14 anos que já conseguiram vaga no futebol profissional. A garotada está entrando cada vez mais cedo nesse mercado, fazendo com que jovens como Claudinho, com idade um pouco mais avançada, tenham mais dificuldades de conseguir uma vaga.

Da esquerda para a direita, Claudio é o segundo da fileira dos que estão em pé, junto com o time MDV, do bairro que ele mora.

Nos últimos quatro anos Claudio conseguiu entrar em clubes de futebol, dentro e fora de Goiás. Fez bons jogos nos times que passou, mas não conseguiu prosseguir na carreira. Em 2012 o jogador entrou para o Goiás Esporte Clube, no time reserva da divisão sub-20. Claudinho entrava em campo nos minutos finais do jogo e teve poucas oportunidades de mostrar o seu potencial. Pouco tempo depois foi dispensado. “Não tive muitas oportunidades, isso me desmotivava bastante” disse Claudinho. No final do mesmo ano, um empresário e olheiro fez uma proposta para o Claudio e o chamou para jogar no Avaí Futebol Clube.

Carlos Alexandre, vizinho e amigo de infância de Claudio diz: “O Claudinho estava muito feliz, tomara que agora ele consiga” disse Carlos Alexandre, aos risos. Na adolescência, quando tentou entrar em alguns clubes locais, Claudio Filho não levou o futebol muito a sério. Deixava de ir aos treinos para ficar em casa jogando videogame, para sair com os amigos, soltar pipa e o futebol era sempre deixado de lado. “Hoje ele reconhece que o futebol é uma profissão séria e que ele precisa se dedicar inteiramente. Acho que a ausência da família na vida dele fez com que ele crescesse de forma irresponsável.” disse Carlos, um pouco chateado.

Seria no Avaí a oportunidade perfeita para o jogador. O time estava na segunda divisão do campeonato brasileiro de 2013, que começaria em pouco tempo e já estavam disputando a Copa São Paulo de Futebol Junior, a categoria sub-20 do clube. O Claudinho já chegou jogando, atuou bem nas partidas que fez, com bons passes e assistências. Não marcou gol, mas marcou seu nome no clube. O time não ganhou na categoria sub-20, mas Claudio foi bastante elogiado. Em um dos seus treinamentos o jogador se machucou, teve um deslocamento no joelho esquerdo, na perna que ele tem mais facilidade de jogar. A propósito, Claudinho também era chamado de esquerdinha.

O Campeonato Brasileiro estava começando e Claudinho ainda se recuperava, assistia aos jogos da arquibancada. A vontade de jogar com o seu time era imensurável. “O tempo não passava, minha recuperação era lenta mesmo seguindo todas as orientações do meu médico.” conta o jogador. Apesar de todos os esforços o esquerdinha só voltou aos treinos quatro meses depois. Já estava no meio do ano, no meio da temporada. Ele voltou para o time, mas ficou como jogador reserva, segundo ele por precaução do técnico. O fim do ano se aproximava e Claudio não estava sendo escalado para titular. Algumas vezes jogava os minutos finais das partidas, mas não era tempo suficiente para mostrar o seu potencial.

“Não tive muitas oportunidades, isso me desmotivava bastante”

O jovem jogador não se sentia muito à vontade quando o assunto era os pais, que são divorciados. Claudinho foi criado por sua tia Dalva: “devo muito para minha tia, ela me acompanhou em toda minha carreira, me levava aos treinos, me incentivava. Vou retribuir tudo isso ainda” disse o garoto com lagrimas nos olhos. A tia Dalva teve indício de AVC e está internada.

Dezembro de 2014 havia chegado e Claudinho estava de férias, sua volta estava marcada. “Eu havia pedido uma camisa dele assinada. Ele pode não ter jogado tão bem quanto esperávamos, mas por aqui ele sempre vai ser o melhor. Torcemos muito por ele” contou Nathan Arcanjo, vizinho e amigo do Claudinho desde a infância. “Vamos ter ele de volta no nosso time esses dois próximos meses”, completou Nathan. O time mencionado por Nathan é o MDV (Meninos da Vila), formado pela garotada do setor Lorena parque, que disputava os Campeonatos Interbairros de Futebol Society, também conhecido como “terrão”. Claudinho gostava desses jogos amadores, durante muito tempo ele jogou por vários times em vários bairros diferentes e acumulou muitos prêmios. Ele conta que ganhou todos os campeonatos, por todos os times que passou. Os prêmios eram em dinheiro e assim Claudio se sustentava. “Esses jogos são emocionantes, não joguei nas minhas férias, pois era perigoso eu me machucar de novo. Achei melhor não”, disse Claudinho.

E foi durante as férias que o jogador recebeu uma notícia inesperada, o seu empresário não renovou o seu contrato com o Avaí e encerrou também o seu contrato com o jogador. Claudio estava naquele momento fora do time e sem empresário. “Entrei na justiça contra ele, mas tudo que ele havia feito correu legalmente então não dei andamento com o processo”. Não demorou muito e o esquerdinha já havia encontrado outro empresário e dessa vez, o jogador recebeu convite do Santa Helena Esporte Clube, time do interior de Goiás. Após avaliar a proposta ele aceitou e saiu novamente de Goiânia.

Torcedor do Vila Nova Futebol Clube, Claudinho ficou feliz mas ao mesmo tempo apreensivo. Seu primeiro jogo pelo Santa Helena foi um amistoso contra o Vila Nova, no estádio Serra Dourada. Independente do time que ele torcia, não queria desperdiçar a chance de jogar em casa, com todos os seus amigos assistindo. Claudio jogou os 45 minutos do primeiro tempo e 30 minutos do segundo tempo. Apesar do empate o esquerdinha mostrou todo seu talento, foi elogiado por comentaristas esportivos e por seus companheiros. “O esquerdinha totalmente diferente com o moleque que treinei, jogando sério e sendo uma pessoa mais responsável” disse Vitor Morais, jogador do Goiás. “É um jogador muito talentoso, sua perna esquerda é muito forte, mas ele era muito irresponsável. Faltava aos treinos e quando ia, não levava nada a sério. Ele mudou muito”. Hoje o jogador é um rapaz muito responsável e sério. Bastante dedicado em casa e sempre prestativo com todos que o cercam

No Santa Helena o esquerdinha estava à vontade. Jogava na sua posição de lateral esquerdo e, mesmo não sendo um jogador que chuta muito a gol, já havia marcado dois. “Foram meus primeiros gols como jogador profissional, a felicidade é imensa”, disse Claudio, sorrindo. Infelizmente, sua alegria chegava ao fim. Uma nova lesão afastou Claudio dos gramados e ele ficou afastado até o fim da temporada. E assim como no Avaí, a historia se repetiu, o jogador foi dispensado e novamente ficou sem empresário.

De volta à Goiânia e recuperado, o esquerdinha estava jogando futebol amadorno bairro que mora. Procurou novos contratos, mas sem sucesso. O jogador, sempre confiante, procurava todos os dias novos desafios. Suas experiências mostraram como é difícil o acesso ao futebol profissional. “Os desafios se tornam maiores quando não se tem o apoio necessário da família. Hoje meus amigos são a minha família e é neles que busco meu apoio.” disse Claudinho segurando o choro.

Agora de volta ao “terrão”, o esquerdinha é o artilheiro do seu time e do campeonato, o time que ele joga está próximo de ganhar o campeonato e todo seu potencial está em campo. Claudinho nasceu para o futebol e sua perna esquerda foi preparada pra ser sua melhor ferramenta na busca de seu sonho de jogar futebol profissional.

1-UP: o cogumelo

“O vídeogame sempre esteve em minha vida, muito mais que apenas uma distração, ser apaixonada por jogos é o mesmo que viver a vida daquele personagem que está ali na telinha. É inventar estórias dentro da história do jogo. É se emocionar rir e principalmente se divertir.”

LEOMAR SILVESTRE E MÁRCIO SOUZA

Bárbara França jogando No Man’s Sky. Foto: Leomar Silvestre.

Em algum lugar do Brooklym em 1985, dois encanadores gêmeos chamados Mario e Luigi foram à casa de uma senhora. Enquanto faziam o seu trabalho, os dois irmãos descobriram uma passagem secreta e pararam no reino dos cogumelos. O que poderia ser uma única e simples aventura resultou em mais de 40 milhões de cópias, sem contar as cômicas de “indetectáveis” imitações. Mas, esse foi o começo do Mario, a sua história na vida das pessoas tem um recomeço diário, realizando até mesmo uma união de gerações.

“1-up significa renovação, uma chance de fazer melhor ou pelo menos tentar”. A moça da foto e autora dessa frase é a estudante Bárbara França, futura jornalista apaixonada em Super Mario Bros. Curioso? Então, vamos começar. Nasce em 16 de outubro de 1994 uma garota destinada a quebrar paradigmas sociais, não que ela se importe. Essa não é uma daquelas histórias emocionantes de superação pessoal, portanto controle suas lágrimas. “Eu nunca senti que precisasse ter um lugar fixo no mundo, prefiro fazer tudo que me agrade”.

Nasceu e viveu boa parte de sua vida na capital do país, lugar esse que deu origem a sua ausência de sotaque goiano, sua voz é bem grossa e marcante. Quando criança adorava brincar com jogos de quebra cabeça, mesmo não tendo paciência para concluir todos. Brincar, correr e pular nunca foram a sua praia: “Sempre preferi dançar” diz sorrindo.

Menina falante, extrovertida e curiosa, Bárbara começou a gostar mesmo de games a partir dos oito anos de idade. Ela se lembra que tudo começou em um sábado, quando seu pai a levou de carro até a casa de seus amigos. Chegando na casa, seus amigos estavam na sala, cada um com um controle nas mãos. A jovem, confusa, ficou olhando aqueles meninos manusearem uma alavanca e apertando os botões sem parar. Na tela de 14 polegadas havia dois personagens lutando. Os meninos vibravam a cada golpe. Tudo era estranho e empolgante. Quando ela notou já estava disputando e vibrando com os amigos. Mas, como não dominava o controle, acabou perdendo o jogo. Alguns minutos com os olhos atentos na TV, foram suficientes para a menina se apaixonar. “Naquele mesmo dia pedi ao meu pai um videogame, e que me levasse sempre para jogar com meus amigos.”

 

Com treze anos, pela primeira vez jogou no fliperama. Era nada mais, nada menos que pinball. Paixão à primeira vista. Com quatorze anos ganhou seu primeiro Famiclone. E logo se encantou. “O vídeogame era um daqueles clones de Nintendinho que eu jogava em uma TV que minha mãe ganhou de um vizinho, meio estragada. Ela não podia instalar na TV colorida da sala, pois alguém disse que vídeogame estraga a TV”.

Após isso, veio o Super Nintendo. Depois, o PlayStation. Barbara ficou muito viciada. Seus pais a proibiram de jogar por um período, já que suas notas do colégio estavam caindo. Uma de suas características –  mais amadas e odiadas – é a espontaneidade. Mas essa forma de viver não é sinônimo de desrespeito. Nas férias daquele mesmo ano, ela chamou seus amigos de infância para fazer maratona em vários jogos. Resident Evil sem dúvida foi um dos jogos que mais gostou.

Com quinze anos, Barbara foi trabalhar em uma lan house perto da sua casa. “Nesse primeiro emprego, que aceitei por gostar de computadores, eu aprendi a lidar com pessoas e a dar valor no dinheiro. Acompanhei o mundo dos games a distância. Por mais que goste, o tempo e os objetivos já não eram os mesmos”.

Com dezoito anos, fez sua primeira tatuagem. Pensando em games, decidiu tatuar um cogumelo do Super Mário, no braço direito. Era uma quarta-feira, mais ou menos três e quinze da tarde.

Braço direito tatuado no estilo “tinta jogada”. Foto: Márcio Souza.

Para facilitar, levou no celular alguns desenhos do cogumelo como inspiração e tirou algumas dúvidas básicas. A sessão foi marcada para o dia seguinte e logo pela manhã foi com uma amiga e um primo até o tatuador. O dia amanheceu nublado. Caminharam cerca de quatro quarteirões até chegar ao local combinado.

Depois de duas horas, a tão desejada tatuagem já estava pronta. O processo foi tranquilo, doeu bem menos do que imaginava. “Gostei muito do resultado”, disse com o sorriso de orelha a orelha. Bárbara sempre teve vontade de fazer uma tatuagem e achou que esse era o momento certo já que em breve muita coisa iria mudar em sua vida.

O ensino médio havia acabado e estava mais do que na hora de começar a vida na faculdade e um novo trabalho. Era, realmente, isso que a tatuagem representava: liberdade e não importava o que acontecesse, estaria sempre livre para tomar novas decisões, e deixar o que não te fazia bem no passado.

Bem comunicativa, Bárbara tinha em mente cursar Direito ou Jornalismo. Preferiu a primeira opção. Matriculou-se e aguardou o tão esperado dia das aulas começarem. No seu primeiro dia, ansiosa, ela trocou de roupa pelo menos umas três vezes antes de sair de casa. Primeiro, vestiu uma saia longa e florida, combinando com a bota caramelo, mas logo pensou que estava muito cafona. Trocou de peça. Decidiu tentar um estilo mais social, mas ficou muito séria. Para piorar, a camisa que combinava com o sapato estava sem botão. Sem condições. Trocou novamente. Tentou mais algumas combinações e, finalmente, decidiu usar uma sainha preta com listras brancas, “comportadinha, na altura do joelho”, camisa branca e sapato clássico. Também prendeu o cabelo com um rabo-de-cavalo baixo, bem grudado na cabeça, repartido ao meio. Depois da maquiagem discreta, os óculos de armação moderna vieram completar o visual.

Enfim na faculdade. Chegou em sala, confusa com o novo ambiente, ficou retraída, no seu canto. Aparentemente, ninguém curtia passar algumas horinhas jogando vídeogame. Também pudera, julgar as pessoas como se fossem jogadoras de games. Todos na sala ficavam concentrados, não olhavam para os lados, talvez por ser o primeiro dia de aula. Calouros sendo calouros. “

Já no primeiro semestre do curso, eu via o pessoal de Jornalismo. Via o laboratório, eles gravando lá na porta e fui ficando doida, me vendo fazendo o curso, com vontade mesmo. Um dia eu falei para o meu pai que não estava feliz no Direito e que ia fazer Jornalismo já que tinha habilidade com a escrita. Gosto pela Língua Portuguesa, a emoção de fazer sempre o diferente, saindo do ponto de conforto me conquistou”.

E pouco tempo depois, Bárbara começou a cursar Jornalismo, na Faculdade Araguaia. História da Imprensa foi sua primeira disciplina, o primeiro contato com a faculdade de comunicação. Fez amizades, conheceu pessoas que gostavam de games e, arranjou um namorado. Tudo estava dando certo na vida da jovem. Não demorou muito, já estava fazendo estágio. Também se matriculou em um curso de Zumba. Mesmo com a correria do dia a dia, nunca abandou o vídeogame, sempre marca batalhas com os amigos. Afinal de contas, ela encara os games como um esporte, mesmo não sendo oficializado, mas que sempre faz parte da sua vida desde a infância.

Como sua história ainda está sendo escrita, não existe um fim para esse texto, mas sim um: Continua…

O sonho de uma adolescente lutadora de taekwondo

Lutadora jovem busca conquistar seus objetivos através do esporte

BRUNELLE PORTELA E LETÍCIA COSTA

A vida para quem sonha seguir carreira na área esportiva já não é muito fácil, imagina quando esse propósito é de uma menina de 15 anos que quer ser lutadora de taekwondo. Dangela Guimarães começou a treinar aos seis anos por brincadeira, se apaixonou pelo esporte e não parou mais. Todos ali do bairro onde ela mora e quem a via competir, sabiam que a garota tinha futuro. Depois que começou a treinar, a lutadora mirim foi buscando se desenvolver e hoje é considerada profissional. ‘‘Hoje levo o esporte muito a sério e encaro como um trabalho’’. Considerando o fato de ser uma mulher jovem no esporte o preconceito pode existir, porém, Dangela não se incomoda e percebe uma admiração, pois hoje tudo está diferente, cada vez mais mulheres são reconhecidas no esporte, e a lutadora jovem vai atrás de seu reconhecimento.

Lutadora de Taekwondo, Dangela Guimarães. Foto: Letícia Costa

A lutadora conta com o apoio dos amigos e família para seguir seus sonhos, mas tem uma ajuda especial do seu treinador e pai. Os passos de Dangela vieram como referência do próprio técnico que já seguia no esporte, e sempre incentivou a filha a não desistir e encarar todas as dificuldades de frente. Com o suporte e influências a lutadora já tem vários títulos e não pretende parar. Dangela treina cinco horas por dia, tem uma refeição balanceada por nutricionistas e deve, obrigatoriamente, dormir oito horas por noite. Tem uma vida agitada de uma grande esportista, e garante que para realizar seus sonhos a disciplina vem em primeiro lugar.

Com grandes esforços há mais chances de conquistas, Dangela Guimarães no segundo ano de Seleção Brasileira Junior, é campeã Sul Americana 2015, campeã do Pan Americano Open 2015 e vem se preparando arduamente para o Mundial Júnior que será em novembro, a lutadora está com boas expectativas. Uma semana depois da entrevista, a esportista teria uma competição, o Brasileiro adulto.

Em fase de treinamento para o campeonato a lutadora concedeu a entrevista, e ganhou o Brasileiro adulto. Agora começa a etapa de trabalho duro para preparação das Olimpíadas de 2020 em Tóquio, e a atleta se destaca no adulto. Certo que para se evidenciar em um esporte como o Taekwondo o esportista deve colocar seus objetivos em primeiro lugar e ir atrás de suas metas. A lutadora jovem de um bairro comum em Goiânia é prova disso, Dangela fez viagens para fora do Brasil, ganha reconhecimento, dinheiro, aparece na mídia e considera o esporte um trabalho além de sua paixão. O que nota-se é que apesar de todas as dificuldades, o importante é ir atrás dos sonhos que alimentam a vida.

A lutadora deixa uma frase que ela sempre diz a si mesma ‘‘Para quem tem um sonho no esporte, seja Taekwondo ou qualquer outro, e quer realizar, então tente, trabalhe duro e acredite, a partir daí todos os passos foram dados, então virá à realização’’. Portanto os desafios de um esportista podem começar no seu bairro, é um passo inicial, o apoio da família e o incentivo de todos também é importante. Inicialmente é fundamental uma comissão técnica e a partir daí o sonho do atleta pode ir para todos os lugares do mundo, se tornando realidade.

Uma viagem de oportunidades

A vida do jovem que com 21 anos, largou tudo para tentar a vida no futebol fora do Brasil. 

LETÍCIA FERNANDES E RUSLAYRA PEIXOTO

Ser um jovem, com grandes sonhos e lutar pelo que se sonha faz total diferença na hora de correr atrás e não desistir dos seus objetivos. O importante na vida é o destaque que se dá para os seus sonhos e o que você faz quando eles não saem da maneira como você esperava. Assim aconteceu com o atleta Tássio Andrade, hoje com 26 anos, vive em Bruxelas, na Bélgica. Transformou o não em trampolim e o que poderia ser um fator determinante para sua derrota, tornou-se um engajamento para não desistir e buscar novos caminhos.

Tássio sempre sonhou em ser jogador de futebol cursava Educação Física em uma boa faculdade de Goiânia quando foi surpreendido por um convite de uma pessoa que o observava há algum tempo. Esse convite veio em uma boa hora, jogar no Liverpool Football Club na Inglaterra. Para um jovem que nunca havia saído de Goiânia, era realmente a oportunidade do ano. Tássio trancou a faculdade, juntou dinheiro, vendeu o carro, tirou o passaporte e os documentos necessários e embarcou nessa aventura a onde com ele viveria a maior aventura da sua vida.

Dia 01 de Novembro de 2011 ele saiu do Brasil, deixando a mãe, pai e dois irmãos para correr atrás daquilo que ele acreditava ser o melhor. Quando chegou, realizou alguns testes e treinamentos. Só que as coisas não saíram como o esperado e ele não foi classificado para nenhum time. Sem ter para onde ir e muito menos como voltar, o jovem que largou tudo para se tornar um jogador de futebol profissional fora do seu país, agora se encontrava sozinho, sem dinheiro e sem abrigo. Quando se lembrou de dois amigos, Paulo Martins e Diogo Ferreira. Amigos que viviam na  Inglaterra e que poderiam ajuda-lo de certa forma.

Tássio recebeu um convite para mudar-se para Bruxelas na Bélgica e trabalhar na construção civil de casas junto a um conhecido. Ele precisava de dinheiro para voltar para casa, não viu alternativa a não ser aceitar o emprego temporário para conseguir juntar dinheiro e embarcou nessa nova aventura. No início da jornada, surgiram algumas dificuldades, além do idioma ele precisava se adaptar aos horários e aprender a exercer a função designada. Durante vários dias ele pensou em desistir, em abrir mão de tudo e voltar para casa.

Outros trabalhos começaram a aparecer e as coisas foram se ajeitando. Depois de um tempo, saiu da casa dos amigos, conseguiu alugar um apartamento. Hoje, cinco anos depois, conseguiu estruturar sua vida lá fora. Conheceu uma francesa que mexeu com a sua cabeça e tem o incentivado a crescer ainda mais naquele país.

Tássio não tem pretensão de voltar para o Brasil. “É claro que a saudade às vezes bate mais forte, e é preciso tomar um chá de coragem para não jogar tudo para o ar e desistir. Mas aos poucos as coisas vão tomando forma, e com o passar dos dias vou me adaptando. Ainda bem que existem redes sociais, graças ao facebook e o Skype é possível amenizar a dor da saudade.”  Tássio complementa. Hoje seus irmãos estão planejando fazer uma visita em Bruxelas. Rosa, a mãe de Tássio, não segura as lágrimas ao falar do filho. “Tássio sempre foi um bom filho, não tê-lo por perto é muito difícil para mim e para os irmãos dele que sempre foram apegados. Mas eu sei que em breve estaremos juntos de novo, como uma família.” Diz a professora que fez o possível e o impossível para ajudar a realizar o sonho do filho e não vê a hora de tê-lo por perto novamente.

O garoto de 65 anos

Saúde através do esporte – a história de Jair Rosa que venceu a hipertensão jogando futebol.

DOUGLAS NERES E RAFAEL RODRIGUES

Toda manhã de domingo a história se repete. Um grupo de amigos reunidos, sentados em uma Praça do Parque Amazônia, tomando cerveja e dando muitas risadas. Alguns ainda estão de chuteiras, roupas sujas de grama, outros já descalços e alguns até de banho tomado. A confraternização após mais um dia de futebol com os amigos, aliada ao sol forte de Goiânia, já virou tradição.

Dentre os amigos um deles se destaca, Jair Rosa de 65 anos parece ser o mais jovem deles. Brincando, fazendo piadas e sempre tomando aquela cervejinha gelada, tem idade para ser avô de muitos ali. Mas isso nessa hora não importa ali o momento é de descontração.

“E ai Jair, como foi seu desempenho hoje?” pergunta um dos amigos. “A hoje foi tranquilo, sol muito forte, fiz só dois gols, os times estavam muito bons.” Responde Jair. “E com os dois de hoje, quantos já são na carreira?” questiona novamente o colega. “Com os dois de hoje na carreira agora já são mil e quinze”, brinca Jair, já seguido de um “vamo lá no Celino tomar uma, né?”.

Jair e a galera da bola. Foto: Douglas Neres.

No domingo anterior, Jair completara 65 anos. Após a tradicional pelada de domingo de manhã, recebeu a família e amigos em sua casa para uma confraternização. E dos amigos que compareceram, vários foram feitos nos campos de pelada. Alguns atravessando gerações, como no caso do grande amigo Odilon Borges, o “Dila”. Amigos há quase quarenta anos, são várias as histórias que acumulam juntos.

“Conheço o Jair tem mais de 38 anos, e foi através da bola, jogando futebol. O futebol une as pessoas, é só paixão. Ele passava de lambreta com o Arthur próximo a minha casa, jogávamos no mesmo time futebol de várzea mesmo. Montamos um time o “Flamenguin”, só amigos da rua para jogar campeonatos, chegamos a ser campeões várias vezes”, relembra.

Jair e Dila – 40 anos de amizade feita no futebol. Foto: Douglas Neres.

Quem vê Jair com toda essa disposição não imagina que ele passou por um grande susto. Diagnosticado com princípio de infarto e hipertensão, ele teve de reeducar a alimentação e junto ao futebol conseguiu melhorar sua saúde. Entre uma cerveja e outra, amigos e familiares também falaram sobre o exemplo de Jair.

+ Exercícios fazem a diferença no tratamento da hipertensão.

Arthur Cândido, filho de Jair se lembra de ir desde criança assistir os jogos do pai.

“Meu pai é meu melhor amigo, é um dos jogadores mais antigos, no bairro onde a gente morava era um dos melhores times da região. Desde criança eu o acompanho, ele me levava a todos os jogos, era o gandula oficial (risos). O esporte proporciona isso, união com os amigos e com a família,” disse Arthur emocionado.

+ Jogar futebol traz vários benefícios a saúde.

Jair conta que começou a jogar futebol ainda no início da década de 70:

“Comecei a jogar quase que por obrigação, eu estava no exército e percebi que atletas tinham mais vantagens que os outros que não praticavam esportes. Em 73, quando saí do exército, já tinha uma turma boa de futebol e montamos o time Marajó no Parque Amazônia”, relembra.

Em 1980 Jair passou por um grande susto, um começo de infarto:

“Tive que parar de jogar futebol, por medo de morrer. Tinha medo de fazer qualquer tipo de esforço físico. Fui a um médico no Hospital das Clínicas e ele disse que eu tinha que praticar exercício. E ele ainda liberou minha cerveja quase beijei o médico”, conta aos risos.

Outro amigo do futebol Leonardo Borges também conhece Jair desde criança.

“O Jair é amigo da família, há mais de 20 anos já jogo bola com ele. Ele é um exemplo de humildade e parceria, ele faz a gente animar, um cara de 65 anos é o mais animado.”

+ Estudante cura depressão com pedaladas.

Para o companheiro de pelada Paulo Roberto, a vitalidade de Jair é de se dar inveja.

“Jair é uma pessoa impressionante, divertida, alegre, uma excelente pessoa com várias qualidades. Para ele a idade parece ser irrelevante, parece que tem 14 anos. Meu sonho é chegar à idade dele e ter a qualidade de vida e a alegria que o Jair tem.”

O exemplo de Jair é para ser seguido por todos. Levar uma vida sossegada, próximo as pessoas que você ama, não se privar de pequenos prazeres e praticar sempre atividades físicas são as chaves para um futuro feliz. Entre um gole e outro de cerveja ele lembra: “quarta-feira é feriado hein? Vai ter futebol às 10h e quero todo mundo lá”. Pode deixar Jair, você já nos ensinou o caminho, agora vamos trilhá-lo também.

Um sonho interrompido

Atleta rompeu o ligamento do joelho durante partida, teve o contrato cancelado e se aposentou aos 19 anos.

VALÉRIA OLIVEIRA

Qual o maior sonho de uma criança de três, quatro anos? Um brinquedo, uma bicicleta…? Não. Para alguém que mesmo sem muito entender o sentido da vida já carrega muito mais que uma paixão, uma verdadeira determinação. Para ele aquilo se tornou um sonho.

Para Divanaldo o que sentia ia mais além de um capricho de criança. Nascido em uma família de eternos apreciadores de esportes, mas especificamente de futebol, o pai na juventude até tentou uns chutes, mas nada profissional, era apenas para preencher uma vaga no time do bairro, nada comparado ao que o filho sonhava.

Divanaldo durante Campeonato amador Foto: Valéria Oliveira

Quando terminavam os jogos transmitidos pela TV, era certeza que o único lugar onde poderia estar seria no quintal, executando um a um os passos que havia gravado rigorosamente durante aquela partida. Aos seis anos de idade a família o colocou em uma escolinha de futebol, aí que sua história começou a ser escrita. Muito habilidoso, Divanaldo se destacava entre os garotos mais velhos do time. Ainda nessa fase começaram as propostas, um olheiro impressionado com o talento, ofereceu uma oportunidade  para mudar de cidade e treinar em um time de base, o que não aconteceu, pois devido a pouca idade os pais não autorizaram a viagem.

Aos oito anos, a mudou-se para Palmas, no Tocantins, pois devido a problemas financeiros  foi o único lugar onde o pai conseguiu um emprego e também por esse motivo ficou alguns anos sem treinar.

Um pouco mais velho, agora com onze anos e morando em Goiânia, o cenário era outro. De volta aos treinos, novas oportunidades surgiram, começou a treinar no Gramados Futebol Clube, um time do bairro pelo qual conquistou alguns títulos e ficou até os quinze anos, depois foi jogar no União onde ficou até completar dezoito.

“Chegando nessa idade, pensei em desistir, na minha opinião tinha passado da idade e não conseguiria chegar a lugar algum. Mesmo assim, os meus pais me deram apoio para conseguir realizar meu sonho”. Participou de uma “peneira” , teste onde os jogadores são avaliados, para os dois maiores clubes do Estado. Não foi bem e apenas dois jogadores foram selecionados, coincidentemente, os que eram agenciados por um ex- jogador de futebol. Em um dos testes, ficou entre os 60 melhores, o que garantiu a chance de fazer um novo teste, após ter realizado o teste foi o único a ser selecionado para o time sub-20 do Vila Nova.

Pouco tempo depois, houve uma troca de diretoria no Vila Nova e Divanaldo foi dispensado sem nem mesmo  jogar. “Aquilo pra mim foi a gota d’água, definitivamente, futebol não era pra mim”!. Logo em seguida, foi procurado por um olheiro que o havia observado durante um treinamento no Vila e falou que estava interessado em contrata-lo para o time dele o Raça. A proposta foi animadora, era a oportunidade que ele precisava pra se tornar um atleta profissional. Pelo Raça  disputou o Campeonato Goiano sub-20, até que em 2012, agora com dezenove anos participou de uma seleção realizada pelo jogador Wesley, da seleção do Catar, que veio ao país  selecionar alguns jogadores pro seu time.

Divanaldo ficou entre os três jogadores selecionados, tudo acertado pra viagem, só faltava o último amistoso para que a equipe embarcasse rumo ao Catar, e foi durante essa partida  que aconteceu algo que adiou seus planos.  Com seis minutos de jogo o atleta rompeu o ligamento posterior do joelho esquerdo. Diante do ocorrido a viagem foi cancelada, o clube não arcou com as despesas da cirurgia e o jogador teve que aposentar com apenas dezenove anos. Vendo seu sonho acabar de uma forma tão rápida, o jovem lamenta a oportunidade de ter sido atleta profissional por apenas dois anos e ressalta que se no Brasil tivesse mais apoio e incentivo, os jovens teriam mais oportunidades e consequentemente surgiriam outros craques com Neymar. ” Infelizmente no nosso país, só conseguem seguir carreira os que têm empresários ou um grupo reconhecido para ser agenciado. Essa é a realidade”.

Não é só uma bola, é uma profissão

O início no futebol profissional começa no campinho

MARIANA GOMES E ISADORA FERRAZ

Muitos afirmam que o futebol é a paixão nacional. E é mesmo? Não há dúvidas de que os clubes brasileiros investem pesado em seus “meninos de ouro”. Vão de crianças, que mal aprenderam a andar, até os times da terceira idade, apaixonados pelo mesmo esporte. Se o futebol causa toda essa comoção, não é difícil entender como um menino começou sua escalada para um dos desportos mais aclamados do mundo.

É quarta-feira, o sol queima a nuca das pessoas, que abaixam a cabeça na tentativa de ser proteger da claridade e do calor. Apesar disso, há uma pequena aglomeração no meio do campo, onze jogadores estão aquecendo para um jogo que nada define (é um amistoso entre clubes), mas que já vale pontos na avaliação técnica dos garotos.  Destacado entre eles, com uma bola embaixo do pé esquerdo, um menino olha para o céu encarando-o, poderia estar se concentrando ou até mesmo desafiando o sol a interferir no seu desempenho em campo.

Alguns metros acima, uma mãe conversa despreocupadamente sobre a qualidade do time e do seu filho. Ao ser questionada se não se preocupa com a possibilidade do filho se machucar ela nem arrisca em pensar “ele é o cai-cai do time, ele sabe quando provocar uma falta mesmo que pra isso ele caia”.

Um apito interrompe a concentração do menino no campo. Ele se desloca para a lateral esquerda, onde hoje vai ser seu ponto de atuação, enquanto cobre o rosto com um mão faz sinal de positivo para alguém a sua frente. O jogo vai começar.

Apolônio treina todos os dias após a escola, seu foco está no campeonato. Foto: Mariana Gomes

A função do time sub 15 do Campinas Futebol Clube neste jogo, não é entrar matando em campo. Não, hoje eles só vão colocar em prática o que o técnico ensina todos os dias e avaliar onde podem melhorar. Enquanto o jogo esquenta, Apolônio não tem muito que fazer, a bola permanece no centro de campo sem risco de gol para nenhum dos times, mas isso não é problema, o treinamento começou cedo. Apolônio iniciou com 13 anos e já alcançou muito mais coisas que muitos atletas por aí. Aos 15 já passou pela Escolinha do Flamengo Futebol Clube, onde iniciou sua carreira como jogador, e no ano seguinte já era destaque do ano na categoria de pré-equipe, o que lhe proporcionou sua primeira avaliação profissional no time do Flamengo em 2015.

O jogo de hoje é mais um dos amistosos pelos quais todos os clubes passam antes do campeonato. A disputa é entre Campinas e Caravelas. Ambos os times do sub 15, os dois com jogadores aspirantes do futebol, ambos com o mesmo objetivo. Todos querem seguir, dar um passo a frente e se tornar jogador profissional.

Time sub 15 do Campinas Futebol Clube. Foto: Mariana Gomes

Os jovens jogadores para seguir para a próxima etapa fazem algo semelhante a uma escola, passam por um processo para sair da escolinha, de lá eles vão para a pré-equipe, da pré -equipe para a base e da base para o time profissional. “Geralmente é por meio de avaliação ou é agendado aqui no próprio clube ou é algum dia específico que o clube marca pra que possa fazer esse olhar clínico, porque aí toda a comissão técnica está observando, a gente verifica questão de fundamento, se o atleta consegue conduzir a bola, toque de bola, finalização, além de força física e de posição e posicionamento tático”, ou como no caso do Apolônio “o atleta vem por indicação alguém falou, olha tem um atleta com as seguintes características e era aquilo que eu precisava no momento, eu pedi pra ver e daí pra frente eu fiz a observação na questão de qualidade técnica, força física, etc”, é assim que começa, diz Wilker Marcelino de Bas,  27 anos, treinador do Campinas F.C.

A maioria dos jogadores tem uma história no futebol parecida, com Apolônio Prata Lemes não é diferente. A história geralmente começa nos campinhos de futebol da rua, aquele mesmo que só tem terra e que a cada bicuda e levantar de pés suspendem uma nuvem de poeira. Aquele mesmo campinho onde os meninos jogam, só por jogar, e que certamente já arrancaram o tampo do dedo na tentativa frustrada de chutar a bola. E quem é que liga para o detalhe de um tampo de dedo quando o jogo está rolando? Jogam um pouquinho de água e seguem adiante, sabendo eles que quando se joga para valer o que está jogo é o futuro. Futuro esse que começa ali, no campinho da rua debaixo, no lote baldio, na quadra da escola ou até mesmo num pedaço de asfalto na rua de casa.

Logo depois do campinho, vão para a escolinha de futebol, é lá que eles aprendem o básico. Mas são meninos, eles têm sim uma colher de chá, Wilker explica porque “você tem que ter uma sequencia pedagógica, determinado exercício ou fundamento e de acordo com a idade vai ficando mais complexo os exercícios e as metodologias de trabalho. Os atletas profissionais são mais cobrados em questão de academia, os exercícios, biomecânica do movimento e o apoio em si que para os profissionais são bem maiores do que os do sub15”.

Os jogos, até o sub 17, têm dois tempos de 35 minutos cada, diferente do profissional que tem 45 minutos cada tempo. Mas, essa diminuição no tempo de partida é só para os jogos não oficiais.

Chega a hora do intervalo e os meninos aproveitam para bever água, enquanto os pais e torcedores permanecem nas arquibancadas. Francirlene é a mãe do Apolônio e fala com orgulho ao ser questionada sobre o futuro do filho. E  se ele for convocado para um time longe daqui? “Nós vamos juntos. O nosso lugar é onde o Apolônio estiver”, ela afirma. Você larga tudo e vai? “Na hora”, enfatiza Francirlene. “A gente tem de apoiar, já vi muitos jogadores por aí que se frustram porque os pais prendem, nós não somos assim”, confirma o pai, Gleisson.

O jogo no primeiro tempo já marca 6 a 0 para o Campinas e Apolônio só caiu uma vez. Francirlene, que está acompanhando o jogo, diz que é normal “o Apolônio é igual ao Neymar, vive caindo, é normal, eles conhecem as regras muitas vezes eles provocam falta e a queda é inevitável e por ser titular é mais normal ainda”. No entanto, é comum também ouvirmos os pais gritando com o meninos no campo, gritos de apoio e de crítica “acontece isso demais, os pais que ficam, aqui, brigando e xingando. Tem umas mães barraqueiras que só vendo. As crianças mesmo não brigam, mas os pais… teve até uma vez que um pai chamou o juiz de urubu, parou o jogo e quase virou caso de polícia. Virou aquele rolo” Francirlene conta, lembrando algumas histórias de jogo.

No campo, o respeito é grande, eles aprendem a ajudar uns aos outros, não é estranho ver um adversário derrubando outro e voltando pra ajudar a levantar. São éticas aprendidas na escolinha, na pré-equipe até que chega uma hora em que já é automático, independente de quem esteja caído, eles vão lá e ajudam.

Alguns momentos após o início do segundo tempo, um menino de uns quatro anos corre, no meio dos reservas, na beirada do campo. O menino é o irmão caçula de Apolônio, o pequeno Isaque, que já começa a sonhar com a carreira do futebol também. Da mesma maneira que a Ana Caroline de sete anos, sonha em entrar para um time de futebol feminino. E pra quem acha que a mãe vai achar ruim, se engana, ela dá todo apoio “se quiser ir, vai” diz, como que abençoando os filhos na decisão deles.

E a vaidade que os jogadores têm com o cabelo? “a gente gosta de cuidar da aparência”, Apolônio diz despreocupado, “esse é só um detalhe, o que importa é o jogo”, termina. O que importa é o jogo, esse é o lema de muitos jogadores, mas eles têm a consciência de que começaram por algum lugar e guardam na memória aquele momento em que decidiram que queriam o futebol como profissão. Agora, depende deles o rumo que suas vidas vão tomar.

O jogo termina em 8 a 0 para o Campinas F.C. Hoje, foi só um amistoso, mês que vem é o campeonato, quem sabe é lá que eles sobem mais um degrau desse esporte tão bem amado pelo mundo.

Chapeuzinho Urbana

O roteiro gira em torno das relações frágeis estabelecidas na modernidade.
São relações muito superficiais e laços que se tornam cada vez mais frágeis. Mesmo num núcleo familiar como o apresentado no vídeo (mãe, filho e avó) não interessa estabelecer uma relação profunda. As relações pessoais são líquidas e elas podem derreter a qualquer momento, ou seja, adicionar ou descartar quem eu bem entendo sem prejuízo algum, funcionando como conexões, onde se conecta e desconecta facilmente. Entre fábulas e vida real, se consegue identificar pontos através do tempo que remetem ao estilo social que vivemos hoje. Uma forma mais evolutiva de sentimento é evidente entre as pessoas, em decorrência da busca diária por novas tecnologias e o poder financeiro, deixando de lado o calor humano.

 

Quadrilha pós-moderna

O presente trabalho pretende descrever as metodologias, os estudos e os resultados da gestação do curta-metragem “Quadrilha Pós-Moderna”, confeccionado no âmbito da disciplina de “Produção Audiovisual” dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Faculdade Araguaia. O trabalho se pautou no desenvolvimento de uma película sobre a modernidade líquida, mais especificamente as questões concernentes ao tema cibercultura e simulacro. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico sobre o objeto de estudo, com destaque para os aportes teóricos de Zygmunt Bauman. Em seguida, engendrou-se uma fase de planejamento e elaboração de roteiro, com a consequente fase de gravações. O vídeo buscou fazer uma “adaptação” do poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, em uma tentativa de inserir a história original no contexto social da modernidade líquida, caracterizada pela virtualidade e pelo caráter descartável das relações amorosas humanas.

New Chip

Esta propaganda foi desenvolvida na disciplina de Produção Audiovisual sobre a orientação do Me. Frederico Carvalho Felipe interligada a temática da Jornada Científica da Faculdade Araguaia,  que explorou o tema SOCIEDADE LIQUÍDA-MÍDIA E ESPETÁCULO, que tem como base o sociólogo polonês Zygmunt Bauman que enfatiza que a sociedade atual pode ser classificada como uma modernidade líquida (que seria uma substituição do termo “pós-modernidade”, que se tornou mais uma ideologia do que um tipo de condição humana, como diz o autor), em contraposição à modernidade sólida que seria a modernidade propriamente dita, da época da guerra fria e das guerras mundiais.

Juntos, porém separados.

Este vídeo feito para a Jornada Científica de Comunicação da Faculdade Araguaia, sob a orientação do professor Frederico Carvalho, explora as relações líquidas da idade contemporânea, ou seja, relações superficiais, fracas, que podem se desfazer a qualquer momento, por qualquer motivo.

 

DEPRESSIVAMENTE

Neste curta, os alunos Bruno de Souza Silva, Dhiego Gomes Almeida, Ivanildo Aragão de Macedo, Maria Guilherme Simão, Matheus Domiciano Martins Silva, Rodrigo Estrela Borges e Ueres Silva Ramos  mostram ao público as dificuldades que a depressão traz para dentro de um berço familiar. A história foi baseada no poema “Um poema sobre depressão” do jovem Youtuber, Maicon Küster, 21, natural da cidade de Balneário Camboriú, Santa Catarina. O jovem começou sua carreira como stand-up com dezesseis anos. A trilha sonora tem como tema a música Pusher da banda de rock alternativo inglesa, Alt-J.

 

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