Seja meus olhos, um jeito fácil de fazer a diferença

Foto: Divulgação

Be my eyes é o um aplicativo para celular que conecta voluntários a pessoas que não enxergam e permite descrever o que está em volta. A tecnologia promete ajudar pessoas com deficiência visual e ampliar sua autonomia de vida.
Smartphones, juntamente com um cão ou uma bengala, tornaram-se uma parte importante do kit de ferramentas para uma pessoa cega. Imagine você, cego, tentando preparar seu jantar. Você tem uma lata de feijão nas mãos que parece muito com uma lata de sopa, se você sacudí-los, eles fazem o mesmo som. Então, se você é cego e não quer jantar sopa hoje à noite, pense na possibilidade de baixar um aplicativo de smartphone que conecta você via vídeo, em tempo real, a um voluntário com visão, que pode lhe dizer qual é qual. Pensando nisso, o dinamarquês Hans Jorgen Wilberg inventou o Be My Eyes, um inovador aplicativo de celular que permite que qualquer pessoa possa “emprestar” sua visão por alguns segundos. O aplicativo (app), que foi inspirado no FaceTime do iOS, funciona com um sistema de câmera direta que conecta deficientes visuais à voluntários e permite que, por meio da fala e da imagem, problemas como a data de validade de uma caixa de leite possam ser resolvidos em poucos segundos.
Ao entrar no aplicativo, você escolhe a opção voluntário ou deficiente visual. No segundo caso, o app oferece toda a acessibilidade necessária para conectar-se à outra pessoa – e aguarda até que um pedido de ajuda seja enviado. As orientações do voluntário são feitas por escrito e o aplicativo consegue lê-las em voz alta para a pessoa com deficiência visual. ” A tecnologia foi muito bem recebida pela comunidade de deficientes visuais. O app permite obter ajuda em momentos que pode ser inconveniente pedí-la a vizinhos ou a um amigo, poupando-osde ter que pedir mil desculpas para solicitar ajuda”, explica Wilberg.
Apesar de parecer estranho o uso de um smartphone por quem tem dificuldades para enxergar, a Apple oferece opções bastante interessantes de acessibilidade desde o iOS 3, o que tem conquistado muitos usuários com deficiência. Lançado este ano, o aplicativo já tem mais de 1.500 deficientes visuais cadastrados e cerca de 17.800 voluntários só aqui no Brasil. O app é gratuito e está disponível somente para iOS, com previsão de expandir para outros sistemas operacionais nos próximos meses.
Wiberg comenta que a ideia original era que as pessoas cegas utilizassem o app principalmente em casa, onde há muitas coisas que precisam ser vistas. Mas esclarece que os usuários estão usando o aplicativo em outras situações também:

“As pessoas usam quando vão a algum lugar de ônibus e, ao sair, não encontram a entrada do prédio. Usam o Be My Eyes para vencer esses últimos 20 metros”, explica. “Lançamos o app em janeiro deste ano e tem sido um sucesso. A resposta tem sido esmagadora. “, diz Wiberg, que também é deficiente.

Kevin Satizabal, de Londres, registrou uma demonstração do serviço que postou na internet. Ele clica no botão de conexão e nós ouvimos música durante a espera por um voluntário. A música pára e aparece uma voluntária com um sotaque americano. Satizabal pergunta se ela está ouvindo e ela diz que pode ouví-lo bem.”Você poderia identificar esta embalagem?”, diz ele. “Estou apontando a câmera para ele, não sei se você pode vê-lo.” A voluntária arregala os olhos para ver e responde. “É algo de Páscoa…morango com chocolate!” Depois de um rápido “obrigado” seguido de um “de nada”, a ligação termina.
Se você está curioso sobre os tipos de problemas que podem ser resolvidos para essas pessoas por meio da iniciativa, o co-fundador da Be My Eyes, Thelle Kristensen, diz que geralmente são problemas relacionados ao dia a dia. Por exemplo, muitas pessoas precisam de ajuda na cozinha para saber se determinado alimento já está vencido, ou para localizar algum item na geladeira, ou no guarda roupa. Ele diz que já ajudou uma pessoa a navegar através do menu de um áudio player, onde a funcionalidade de voz não estava funcionando muito bem. É possível ajudar alguém a chegar a uma porta de um certo número quando está em algum local desconhecido. O Be My Eyes conta inclusive com um recurso que evita que duas pessoas que não se deram muito bem sejam conectadas novamente, o que seria um pouco constrangedor.

Não existe nenhum plano de monetizar o aplicativo, embora exista uma possibilidade futura de alguns usuários pagarem para obter auxílio em situações adversas em que necessite de muita ajuda, de uma só vez ou por um tempo maior ( Seria isso?). Entretanto o co-fundador afirma que o serviço básico que está sendo oferecido continuará sendo gratuito. Então, quanto tempo leva para receber ajuda após pressionar o botão de vídeo do Be my Eyes? “Quando você recebe 99 mil inscrições em uma semana, isso gera alguns problemas de servidor, mas quando a situação se acalmar um pouco você deve ser capaz de conseguir ajuda em um minuto”, diz Wiberg,
Até agora já estão cadastrados no aplicativo 66 mil, voluntários e 5 mil deficientes visuais no mundo todo, e os números têm crescido todos os dias. Dez mil chamadas de ajuda foram realizadas com sucesso. “Espero que esta comunidade online consiga fazer a diferença na vida de pessoas cegas”, afirma Wiberg. O aplicativo já foi premiado na Dinamarca como “the most innovative idea”. Be My Eyes ainda está sendo utilizado principalmente por pessoas que falam inglês.
O projeto, recentemente, recebeu US$ 300 mil para investimentos e melhorias em sua tecnologia, que podem ser necessárias já que, atualmente, só funciona no iPhone da Apple. Wiberg promete que eles estarão aprimorando o máximo possível para que alcance muito mais usuários. Um projeto social de grande importância para todos aqueles que precisam dos “seus olhos emprestados”, então que tal divulgar esta ferramenta bacana nas redes e aumentar o uso do aplicativo no Brasil?

Agência de Notícias

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