Quando as notícias falsas entram em campo

Ninguém está livre de ser alvo das notícias falsas, nem mesmo os ídolos do esporte

Por Naddiny Ferreira e Raquel Fernandes

Edição: Profa. Patrícia Drummond

 

As notícias falsas estão cada vez mais presentes no cotidiano e no jornalismo esportivo não seria diferente. Muitos utilizam de fake news para se sobressair de diversos outros meios de comunicação, como se uma notícia bombástica viesse a favorecer o veículo e ao próprio jornalista que escreveu. É como se fosse um pavio e que o mesmo, poderia causar um grande problema.

Um exemplo de fake news no mundo dos atletas envolve o volante Paulinho, contratado pelo Barcelona, que foi alvo de críticas por um vídeo que se espalhou pela internet e, por ser editado, sugeria uma falta de habilidade do brasileiro. Provou-se depois que se tratava apenas de um trecho, e que o jogador havia feito muito mais embaixadinhas em sequência. O vídeo editado, no entanto, foi republicado em diversos sites, reforçando a ideia de que o jogador havia feito feio na apresentação.

Paulinho

Paulinho, volante do Barcelona

Atualmente, o público ao ler uma matéria em um determinado site pode, infelizmente, cair no que é chamado peculiarmente de “o conto do vigário”. Essa expressão datada de séculos passados, que significa uma história elaborada com o objetivo de burlar alguém, serve como exemplo neste contexto a fim de ilustrarmos os casos recentes que estamos acompanhando de falsas notícias, o chamado fake news. Infelizmente, são muitos os profissionais que se deixam levar – querendo ou não – por informações imprecisas, sem ao menos dar-se o trabalho de checá-las antes de publicá-las.

E é bem verdade que em alguns casos, o “Fake News” serve como aliado principalmente para potencializar fatos ainda não tão bem explorados com a intenção de fazer com que o veículo de comunicação se sobressaia entre os demais ao dar uma notícia considerada “bombástica”. Existem sites que pregam aquela conhecida apologia ao humor mesmo usando espécies de atestados de antecedência, ou mensagens na homepage, alertando os leitores de que seu conteúdo não passa de informações meramente ilusórias com a finalidade de provocar risos.

Contudo, mesmo que o jornalista ou redator desses sites venham a declarar que seus conteúdos não passam de falsidades com o pretexto de divertir as pessoas, haverá sempre uma fatia de público consumidor em massa de qualquer tipo de informação que, enquanto desavisados da falta de veracidade nas histórias, virão a cair sempre no velho “conto do vigário”. Em entrevista para o Araguaia Online, o jornalista esportivo e narrador dos canais ESPN Paulo Andrade afirma que “as fake news hoje em dia aumentam muito a responsabilidade de apuração de cada um de nós, justamente pela propagação em redes sociais e às vezes até em veículos não muito confiáveis.

Cuidado na apuração

De acordo com o jornalista, é necessário que o profissional tenha cada vez mais boas fontes, que procure veículos de confiança quando for reproduzir uma notícia, mas acima de tudo que pegue o telefone, que você possa apurar, conseguir conversar com quem trouxe a informação ou com uma fonte segura que pode confirmar determinada informação. “As fake news costumam a interessar a alguém, ninguém lança só para se divertir, talvez até aconteça, mas é exceção”.

Paulo Andrade lembra que a internet e a comunicação digital facilitam a rápida distribuição e alcance das notícias falsas, por isso, segundo o jornalista, é preciso que o profissional seja muito responsável na hora da apuração: “Acho que o universo que a gente vive hoje, de propagação rápida pelas redes sociais, pelos veículos de comunicação de maneira geral, nos deixa muito mais responsáveis pela apuração. A gente tem que ter muito mais cuidado e tem que escolher muito bem a fonte ou as fontes das nossas informações, matérias e da realização da nossa profissão”.

Então, a questão é que o erro não está somente no jornalista ou nestes sites de humor, e sim na cultura da população consumista que, por mais que diga que “o que saiu na internet é verdade”, não estará sendo honesta com ela mesmo até o instante em que perceberá que estava ou está diante de uma mentira sem fundamentos.

A checagem é fundamental em todos os quesitos, ainda mais quando está em jogo informações que possam comprometer a vida e o futuro de um atleta, clube ou qualquer que seja a situação que estejam vivenciando. É necessário ressaltar que a partir do momento em que abrimos um jornal, sintonizamos uma rádio ou ligamos a televisão e, principalmente, quando acessamos sites diversos, devemos ter um olho para a notícia e seus títulos e outro para o que pode ser considerado ou não verdade dentro daquele conteúdo exposto.

Jornalismo de excelência como antídoto

Outro caso de fake news no futebol, é o do ex-meio campista do Barcelona o espanhol Xavi Hernandez, para o qual foi dada a autoria de duras críticas contra o brasileiro Neymar. A declaração supostamente dizia: “Estou muito desiludido com o comportamento de Neymar. Não foi isto que lhe ensinamos no Barcelona. Talvez, deixar o Barcelona tenha sido a decisão correta, porque estas atitudes tornam grandes jogadores em jogadores pequenos. Espero que aprenda com isso e que comece a ajudar mais os seus adversários”. Após a divulgação desta notícia falsa, o próprio Xavi fez questão de desmentir os boatos.

Xavi e Neymar

Os jogadores Xavi Hernandez e Neymar.

O jornalista esportivo e repórter da editoria de Esporte do jornal O Popular, João Paulo di Medeiros, dá o antídoto para as notícias falsas. “As fake news só reforçam a necessidade da prática do bom jornalismo. A pressa pelo furo jornalístico tem levado muita gente a entrar em furadas. Como o esporte trabalha com muitas jogadas de interesses, principalmente em épocas de transferências de jogadores, é necessário redobrar o cuidado na hora de checar as informações e só publicar quando tiver tudo muito bem apurado. O bom jornalismo é o antídoto para fake news”, recomenda.

Embora o Google e algumas redes sociais, como o Facebook, estejam tomando medidas em combate à proliferação da fake News, oferecendo instruções e dicas de como nos prevenirmos diante de situações nas quais a informação se apresente duvidosa, a verdade é que o futuro do jornalismo em geral não depende apenas de mecanismos ou quaisquer estratégias para que sejam verificadas a veracidade da notícia. O grande desafio do jornalismo é reverter esta situação por meio de uma cobertura ética, honesta e compromissada com o público.

O erro não está apenas no jornalista que publica ou no site que tem o assunto publicado, mas na própria cultura que consome a notícia como se absolutamente tudo que sai na internet é verdade. Portanto, checar é fundamental, pois uma informação mal passada, pode de certa forma, comprometer a vida do atleta na qual a notícia está inserida e o próprio clube do esportista. Devemos ter o senso de percepção considerando o que é ou não é verdade dentro do conteúdo exposto.