Comunicação, Arte e Cidadania: a visualidade fotográfica em prol da visibilidade

Prof. Me. Frederico Carvalho Felipe

(Professor de Fotografia e Audiovisual na UniAraguaia e Doutorando em Arte e Cultura Visual – UFG)

Edição: Ana Maria Morais

O trabalho cotidiano de pessoas que dedicam suas vidas ao resgate de animais maltratados e abandonados deve ser visto, evidenciado e divulgado. Esta foi a visão da coordenação dos cursos de Publicidade e Jornalismo e Propaganda ao escolher apoiar duas ONGs que cuidam de animais desamparados na segunda Campanha Abrace uma Causa. No intuito de contribuir com a causa, Willi Becker, fotógrafo e estudante de Jornalismo da UniAraguaia, fez um registro fotográfico dos animais do Abrigo dos Animais Refugados e Santuário São Francisco, que resultou na exposição Reconexão animal, que pode ser conferida na aba Abrace uma Causa.

Por meio das imagens fotográficas, Becker nos convida para uma incursão de empatia e solidariedade, em que o olhar sobre o “outro” não se resume apenas aos seres humanos, mas sobretudo ao resgate da consciência de que também somos animais em meio às institucionalizações culturais antropocenas que nos desconectam de forma egoísta de nós mesmos e nos colocam acima da vida na Terra. A reconexão com o planeta e com a nossa essência enquanto bicho se mostra cada vez mais urgente e vem à tona em cada fotografia, nos convidando a reflexões acerca da existência.

O pensamento crítico, a subjetividade e a caridade são fatores que sofrem perdas egóicas pela hiperconectividade à qual estamos submetidos e que, por conta da pandemia, foi acentuada. Como nos desprender das bolhas de verdades instituídas pelas redes e fluxos telemáticos em prol do lucro e do mercado? Como escapar de padronizações e maniqueísmos totalitários tão ascendentes atualmente? Alguns caminhos importantes de resistência são a arte, a educação e, acima de tudo, a solidariedade. Ao expor um olhar sensível, articula-se alternativas de ação e dá-se voz a quem já faz muito, se doando diariamente para determinadas causas, como o Santuário e o Abrigo de Animais.

Para evoluir, geralmente é preciso enfrentar as dores e os medos, olhar e identificar a existência das sombras e, com consciência, ressignifica-las. Talvez a única transformação profunda possível e acessível à nós mesmos é a autotransformação. As imagens de Willi Becker nos convidam a esse olhar autotransformador sobre a diversidade de vidas e as relações nas quais podemos tentar nos compreender e refletir sobre temas fundamentais, como: respeito, preconceito, inclusão, visibilidade, diversidade, tolerância, entre outros debates cruciais para nossa evolução.

Nada existe em um estado puro – nem na atividade absoluta, nem na passividade absoluta –, mas sim em uma constante transformação e interrelação de significações que nos formam e nos dão valores de existência. Somos indagados o tempo todo, enquanto seres sociais plurais e promotores de reflexões, sobre o que estamos fazendo por um mundo melhor, mais humano, mais justo e com menos desigualdades.

A transformação se inicia internamente, em cada um de nós. Na forma como pensamos, nos relacionamos e expomos nossas ideias ao mundo, projetamos nossos valores embutidos nos múltiplos meios de expressão e comunicação que utilizamos (oral, escrita, corporal, visual, sonoro, etc). Cabe a cada um decidir se o discurso será inclusivo ou excludente. E você? Topa abraçar essa causa conosco?

Leia abaixo o emocionante relato do fotógrafo e estudante da UniAraguaia, Willi Becker, sobre seu processo de criação fotográfica para a exposição:

“O que eu quis mostrar foi um pouco do cotidiano dessas pessoas, que deixam de ter uma vida normal para se dedicar exclusivamente aos resgates desses animais.

Todos os dias recebem ligações de animais abandonados ou acidentados e, mesmo não tendo espaço e condições financeiras, sempre dão um jeito de acolher eles.

Tanto a Lívia quanto o Arivaldo privaram de suas vidas para salvar cada cão e gato deixado nas ruas. Ouvindo-os contar as histórias de como cada animal foi abandonado, vejo o tanto que eles ficam triste sobre como os animais são descartáveis.

O que eles passam para ajudar esses bichos e manter o abrigo funcionando não é um trabalho fácil. Dedicar unicamente a eles e abandonar uma vida normal, se privam de lazer e tem uma vida solitária.

Tem dia que não tem ração, remédio e dinheiro para pagar um tratamento para os animais resgatados.

Correr atrás de doações para ajudar nesta empreitada (que muitas vezes não conseguem) e buscar outros meios (como empréstimos) para se manterem abertos.

Mas é bonito ver que tudo de ruim vai embora quando eles conseguem salvar um animal ou quando ele é adotado. Apesar dessas dificuldades eles sempre vão continuar lutando para proteger esses bichos. É isso que eu quis mostrar.”

Ana Maria - UniAraguaia

Read Previous

O futebol nas histórias casuais e nos pés dos gigantes nacionais

Read Next

Engenharia Civil, Engenharia Agronômica e Arquitetura e Urbanismo promovem Curso de Nivelamento em Cálculo