Pra ler o mundo: um projeto inovador para a difusão do conhecimento

O projeto foi realizado de julho a dezembro de 2020 com transmissão pelo Instagram, Facebook e Youtube

Redação: Ananda Leonel

Edição: Ana Maria Morais

Em tempos de globalização, nunca foi tão necessário estimular as pessoas à leitura, a participar de eventos culturais e usufruir da criatividade que possuem naturalmente. Nos dias de hoje, vemos uma população que se volta cada vez mais para conteúdos vazios disponibilizados por aparelhos eletrônicos. Entretanto, há iniciativas que buscam manter aceso o interesse por atividades culturais e artísticas. Este é o caso do projeto Pra Ler o Mundo – cultura na biblioteca, idealizado pela Cia. Ju cata-histórias e coordenado por Juliana Mado, com o apoio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás/2018, tendo o objetivo de estimular a leitura, a criatividade e autonomia das pessoas, proporcionando desenvolvimento intelectual para que possam “Ler o Mundo” de outra maneira. 

O projeto foi concebido para ocupar a Biblioteca Infantil do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), mas, devido à pandemia, as atividades foram realizadas de forma virtual. Ainda assim, algumas dessas atividades foram gravadas no CCON pelas ministrantes, mantendo todas as medidas de segurança sanitária preconizadas pelos orgãos de saúde. As ações foram transmitidas pelo Instagram, Facebook e Youtube.

A produtora cultural Gil Tobias durante a Narrativa da história “Afro Brasileiros: História, Contos e Encantos”

A programação de Pra ler o mundo contemplou quase 100 ações entre julho e dezembro de 2020, promovendo oficinas, narração de histórias, shows musicais, espetáculos teatrais e bate-papos com especialistas da área. Destacaram-se as apresentações da Trupe Trupé, com o show musical Pé do Brasil, e o espetáculo Tuná, encenado por Joana Abreu e Yasmin Lyra, que narra a história de uma mãe e uma filha que velejam juntas por meio do som, ninando o rio de suas vidas e desvendando os ensinamentos de seus ancestrais.

Outra ação que mexeu com o público participante foi o Encontro com a Literatura Infantil, iniciado no mês de outubro, e que contou com seis edições de um bate-papo em tempo real com um especialista da cadeia produtiva de livros: livreiro, escritor, editor, ilustradora etc.Entre eles, esteve o ex-diretor do Grupo Planeta e gerente editorial na Àtica-Scipion, Paulo Verano; a atriz e arte-educadora Juliana Mado, com a oficina Criança conta história; a artista visual Maru (Ana Flávia Maru), que promoveu uma oficina de ilustração; e a produtora Gil Tobias, que fez a Narrativa da história “Afro Brasileiros: História, Contos e Encantos”.

A artista visual Maru ministrou uma oficina de ilustração

A coordenadora do projeto, Juliana Mado, comenta que as atividades previstas foram mantidas e com o o recurso do virtual foram inseridas nova ações. “Eu realmente estou nesse lugar de passagem entre as diversas linguagens artísticas, eu sou próxima da literatura porque trabalho com a narração de história, pesquiso muito a literatura infantil, eu sou do teatro, minha formação e meus trabalhos sempre têm teatro, gosto muito de música, sou pesquisadora de cultura popular, então nossos trabalhos sempre têm uma mistura com cultura popular, como fontes musicas, referências, tradições populares do sudeste, nordeste, sudoeste”, exemplifica.

Segundo ela, o projeto foi muito desafiador por causa da adaptação ao virtual, mas também permitiu inovações: “O desafio da linguagem mesmo, do vídeo, o desafio de realmente chegar em diversos públicos. Por outro lado, a gente teve algumas vantagens, porque você consegue chegar em mais lugares, consegue um âmbito nacional, então a gente acabou fazendo parceria com instituições em São Paulo, em Minas Gerais, a SECULT de Minas Gerais, outras cidades de Goiás, não ficamos só em Goiânia, Aparecida de Goiânia foi uma grande parceira, Cavalcante, Alto paraíso, a gente conseguiu expandir nesse sentido. Mas foi muito desafiador, mudou bastante, mas conseguimos”.

Juliana diz ainda que o projeto foi inspirado em Paulo Freire, que sempre defendeu que a educação libertária é aquela na qual se media o conhecimento para que as pessoas tenham a liberdade de fazer sua própria leitura de mundo. “Então, quanto mais você lê, mais asas você terá. Terá mais autonomia para fazer suas própria leituras você vai se entendendo mais com a leitura, você vai conhecendo, enfim, ficando menos vulnerável a influências, a manipulações tão comuns nessa sociedade capitalista”, finaliza.

Ana Maria - UniAraguaia

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