Estudante da UniAraguaia é um dos selecionados no 1º Prêmio Neusa Morais de Jornalismo

Acadêmico Victor Hugo Viegas de Freitas Silva fez uma reportagem denúncia sobre mortes por Covid 19 em um asilo de Goiânia

Pedro Leite

No dia 25 de outubro, o aluno do quarto período de jornalismo do Centro  Universitário Araguaia Victor Hugo Viegas de Freitas Silva foi um dos selecionados no 1° Premio Neusa Maria de Jornalismo, concurso nacional organizado por Matheus Moreira, repórter da Folha de S. Paulo. Ao site Alma Preta, o organizador disse que a ideia era valorizar o jornalismo feito por pessoas não brancas e pessoas trans.  “As minorias étnicas e de gênero são, normalmente, deixadas de fora das redações dos grandes e médios jornais, que se mantém majoritariamente masculinos, cisgêneros e brancos”, explica o texto. O prêmio recebeu 151 inscrições em apenas nove dias e Victor Hugo foi um dos homenageados, com a reportagem “Em um único asilo, seis idosos morrem e 22 são infectados pela Covid-19”.

A matéria, que teve repercussão no jornal O Popular, traz a público o que os outros veículos, até aquele momento não haviam trazido: “Escrevi sobre os asilos porque era uma lacuna no jornalismo Goiano e brasileiro em geral. Vi que ninguém estava fazendo isso, e tentei eu mesmo antecipar. Foi pra tentar impedir o pior”.

Quando questionado sobre como conseguiu respostas das fontes,  Victor disse que se apresentou como freelancer. “Eu não me coloquei exatamente como estudante, só fiz as perguntas, já que eu ia falar do assunto, e as fontes responderam”. E acrescenta: “Eu consegui fazer essa matéria porque tinha essa fonte no sistema púbico, que me deu a dica antes.”

Ele diz também que o mais importante ao construir uma matéria é a apuração: “Foi uma coisa que eu tive que ficar cavando por umas duas, três semanas.” Isso porque ele contou com o auxilio das fontes: “As pessoas à minha volta sabiam que eu tinha interesse nisso e chegaram em mim, sabiam que eu escreveria  se falassem comigo, tive que de certa forma cultivar para que acontecesse”.

Anda sobre apuração e a forma de abordar os entrevistados, ele reflete:  “Tem um equilíbrio muito delicado entre você perguntar sobre o que tá acontecendo, os problemas que tem ali no asilo, as dificuldades que estão enfrentando, e você acusar indevidamente uma pessoa por mortes que estão acontecendo. Meu papel era tentar evitar mortes e descobrir o por quê estavam acontecendo, e não descobrir culpados”.

Sobre a repercussão nos principais veículos de informação goianos, Victor Hugo comenta que achava que seria ignorado, mas acabou que o assunto tinha valor-notícia, tinha relevância, então as pessoas deram destaque.

A reportagem de Victor Hugo pode ser conferida neste link: https://ponte.org/em-um-unico-asilo-seis-idosos-morrem-e-22-sao-infectados-pela-covid-19/

A apresentação do prêmio e as demais reportagens selecionadas podem ser conferidas neste link: https://almapreta.com/editorias/realidade/conheca-os-vencedores-do-1-premio-neusa-maria-de-jornalismo

Quem é Neusa Maria

O nome do prêmio é uma homenagem à jornalista Neusa Maria Pereira, 65 anos,  uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), em 1978, e um dos símbolos  da resistência durante o período militar, quando protestou contra a violência policial que atingia a população negra. Com o artigo “Em defesa da dignidade das mulheres negras em uma sociedade racista”, publicado no jornal paulista Versus, foi a primeira mulher negra a publicar um texto sobre feminismo negro na imprensa brasileira.

No site https://piseagrama.org/filhos-de-zumbi/, a jornalista conta, em um texto pungente, o porquê da publicação do artigo em 1978, do qual trazemos o trecho inicial: “O assassinato pela PM do operário Robson Silveira da Luz e a proibição de quatro meninos de frequentar o Clube de Regatas Tietê, à época um dos mais importantes de São Paulo, foram o estopim para que disséssemos “basta”. Há muito que estancávamos, sozinhos, o sangue jorrado do corpo e da alma da herança da escravidão inacabada. Há muito que desejávamos nos rebelar. Desmistificar o mito da democracia racial sem suavidade ou sorrisos de compreensão com o inimigo e, sim, com o sentimento de revolta dos abandonados à própria sorte.”

Ana Maria - UniAraguaia

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