inTRANSigência short

Era só um trabalho acadêmico de Telejornalismo II da professora Juliana Junqueira e de Produção Audiovisual do professor Frederico Carvalho, mas gostamos tanto das entrevistadas, que decidimos compartilhar esses depoimentos maravilhosos com vocês.
Agora esperamos que esta seja a versão curta-metragem do documentário inTRANSigência. Queremos fazer uma versão longa metragem, com iluminação decente e controle de audio.
Aborda as várias formas de violência sofridas por transexuais e travestis. Da forma de tratamento ao preconceito familiar e no ambiente de trabalho, o cotidiano de quem decide mudar sua identidade ou aparência para outro gênero.
Intransigente: aquele que não transige, que não faz concessão; inflexível, intolerante.

No país que mais mata transexuais e travestis no mundo, a intransigência está impregnada nas pessoas. Mas há aqueles transigentes, que quebram os tabus e ultrapassam as barreiras do preconceito escancarado e endêmico de uma sociedade conservadora, e que aos poucos, começa a olhar com outros olhos para a diversidade.

inTRANSigente conta histórias de Luanas, Divas e Saras. Pessoas que transigiram, e com o coração cheio de luta, se tornaram “puta mulheres”.

Quadrilha Pós-moderna

Adaptação do poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, em uma intertextualidade que busca dialogar com as relações sociais no âmbito da modernidade líquida, conceito de Z. Bauman.
Como seria o poema de Drummond na era do Tinder, do Facebook e demais redes? Eis a nossa perspectiva.
Produzido pelos estudantes de Jornalismo e Publicidade e Propaganda dá Faculdade Araguaia (abril de 2017).

Curso de Extensão Empreendedorismo e Divulgação em Mídias Sociais para Microempreendedores

Dentro de uma perspectiva de levar e compartilhar conhecimento com a comunidade, os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda realizam o curso de extensão intitulado Empreendedorismo e Divulgação e Mídias Sociais para Microempreendedores. O objetivo é possibilitar a micro e pequenos empreendedores conhecimento técnico sobre empreendedorismo e gestão das mídias digitais, com o intuito de impulsionar os pequenos negócios. Por isso, este curso será destinado a cooperativas e associações de pequenos empreendedores e/ou a microempreendedores individuais.

No semestre passado foi realizado projeto piloto deste curso, que foi ampliado e em 2017/1 contou também com a contribuição dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Gestão Comercial. O curso foi ministrado por meio de aulas teóricas e práticas utilizando recursos visuais (projetor multimídia) e textos, divididos em oito módulos de 4h cada, perfazendo um total de 32h/a. Este curso é simultaneamente uma atividade de responsabilidade social e de extensão.

Cartaz de divulgação do Curso de Extensão em Empreendedorismo para mídias sociais

Banner de divulgação da programação completa do Curso de Extensão em Empreendedorismo para mídias sociais

Capa para Facebook

Post de lembrete sobre o curso para mídias sociais

Post de lembrete de últimas vagas sobre o curso para mídias sociais

VII Jornada de Iniciação Científica

De acordo com a Capes/CNPq, a iniciação cientifica é um instrumento que permite introduzir os estudantes de graduação, potencialmente mais promissores, na pesquisa cientifica. É a possibilidade de colocar o aluno desde cedo em contato direto com a atividade científica e engajá-lo na pesquisa. Nesta perspectiva, a iniciação científica caracteriza-se como instrumento de apoio teórico e metodológico à realização de um projeto de pesquisa e constitui um canal adequado de auxílio para a formação de uma nova mentalidade no aluno. Em síntese, a iniciação científica pode ser definida como instrumento de formação.

Desta maneira, a cada semestre a Faculdade Araguaia realiza o evento Jornada de Iniciação Científica, que em 2017/1 chegou à sua sétima edição. A programação reúne trabalhos acadêmicos de alunos, que são apresentados nos grupos de trabalho. A temática desenvolvida no evento foi a pauta norteadora do semestre nos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda – Sociedade Líquida: Mídia e Espetáculo.

Nesta edição, além da apresentação de trabalhos no GTs – durante duas noites –, a VII Jornada de Iniciação Científica dos Cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda contou com a realização de oficinas diversas e com a apresentação da última sessão do Projeto de Extensão Cineclube Araguaia 2017/1.

Cartaz de divulgação da programação completa da VII Jornada

Capa de Facebook

Cartaz de divulgação da VII Jornada (impresso e mídias sociais)

Post de divulgação da programação completa da VII Jornada para mídias sociais

 

Cartaz de divulgação da exposição artística coletiva “Imagens Fluidas, Paisagens Sonoras”, inaugurada durante a VII Jornada

Projeto de Extensão Cineclube Araguaia 2017/1

Com o objetivo de extrapolar os muros da faculdade e interagir com a sociedade em geral, os cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda realizam o projeto de extensão Cineclube Araguaia, que busca promover uma discussão acerca de temas emergentes e atuais da contemporaneidade, por meio da exibição de filmes seguida de discussão com professores, pesquisadores, especialistas em cinema, alunos e comunidade em geral sobre as pautas levantadas nas obras cinematográficas.

Realizado desde o segundo semestre de 2014, o projeto de extensão Cineclube Araguaia chegou à sua sexta edição no início de 2017. Neste semestre, o tema trabalhado foi Sociedade Líquida: Mídia e Espetáculo, tomando como base o conceito de sociedade do espetáculo, de Guy Debord; e modernidade líquida, de Zygmunt Bauman.

Os filmes exibidos e discutidos foram O Show de Truman, Her, Blade Runner e Pink Floyd – The Wall. Todos trazem como temática principal a fragilidade das relações humanas, a sociedade do consumo e a intrínseca relação dos indivíduos com a tecnologia. Houve também reflexões sobre a função da comunicação social na sociedade contemporânea e sobre o lugar das mídias tradicionais em um cenário marcado pela revolução tecnológica.

 

Materiais da Sessão 1 – Show de Truman

Capa para Facebook

Post de divulgação

 

Materiais da Sessão 2 – Her

Capa para Facebook

Post de divulgação

Materiais da Sessão 3 – Blade Runner

Capa para Facebook

Post de divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Materiais da Sessão 4 – The Wall

Capa para Facebook

Post de divulgação

 

Semana de Integração Acadêmica 2017/1

Para recepcionar os alunos que estão chegando, os calouros, e promover a integração dos mesmos com os veteranos, os cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda realizam a Semana de Integração Acadêmica, que conta com atividades diversas, entre elas o lançamento da pauta norteadora do semestre e a abertura do projeto de extensão Cineclube Araguaia.

Neste semestre, a programação contou com a mesa-redonda intitulada Sociedade Líquida: Mídia e Espetáculo, pauta norteadora das discussões realizadas em 2017/1. O tema foi escolhido com o objetivo de promover uma reflexão acerca dos conceitos de sociedade do espetáculo, de Guy Debord; e modernidade líquida, de Zygmunt Bauman.

Também foi realizado o Encontro de Egressos, atividade tradicional dos cursos que reúne ex-alunos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda que retornam à Faculdade Araguaia para compartilhar com os estudantes as experiências do mercado de trabalho e/ou acadêmicas. Para encerrar a programação, foi apresentada a primeira sessão do Projeto de Extensão Cineclube Araguaia 2017/1, que contou com a exibição do filme O Show de Truman.

Cartaz Impresso para divulgação interna da Semana de Integração

 

Capa para Facebook da Semana de Integração (divulgação nos perfis dos professores, da faculdade e da agência Settma)

 

Identidade dos posts semanais para mídias sociais da Semana de Integração (divulgação nos perfis dos professores e da agência Settma)

Espetáculo na telinha

Conversamos com os apresentadores de alguns dos programas sensacionalistas mais badalados da televisão para descobrir o que eles acham do tipo de Jornalismo que fazem e levam para milhares de telespectadores, todos os dias … O resultado deste trabalho você confere a seguir, com exclusividade, como resultado de atividade proposta na disciplina Produção de Jornal Impresso II

Ana Flávia Magalhães

Ana Paula Barreira

Frede Marinho Silveira

(5o período de Jornalismo)

Maria de Fátima se viu impressionada com o que acompanhou na TV de casa durante uma entrevista em que o apresentador gritava com o entrevistado sobre assaltos no bairro que ela mora. Na entrevista, ao vivo, o apresentador parecia não permitir que o seu convidado falasse muito sobre o assunto: toda vez que ele era indagado sobre o tema segurança nos bairros, o âncora logo vinha com mais questionamentos e a entrevista parecia mais uma discussão que propriamente uma entrevista jornalística.

O que a dona de casa Maria de Fátima viu na TV nada mais é que uma realidade nos dias de hoje em quase todos os meios de comunicação do País: o chamado espetáculo midiático parece compor os atributos de um bom jornalista que queira ser ‘reconhecido’ ou ‘respeitado’ na profissão.

Diante desse modo de trabalho, ficam algumas perguntas sobre como conviver com esse jeito de fazer a notícia sem se transformar em um palhaço ou até mesmo em um louco da informação … E qual é a influência desse espetáculo da mídia na vida das pessoas?

 

Em Goiânia existem vários profissionais que têm como cartão de visita esse jeito de fazer jornalismo.

Na Record TV Goiás, por exemplo, o apresentador do Balanço Geral, Oloares Ferreira, é conhecido justamente por defender o sensacionalismo no seu jeito de apresentar. Com mais de 14 anos de casa, ele já criou o que chamamos de identidade de vídeo, que é quando um apresentador é conhecido exatamente pelo seu jeito de apresentar.

Linha dura e voz alterada no estúdio, Oloares sempre leva para outro lado seus questionamentos e sempre parece estar bravo com qualquer assunto. É apenas um dos muitos que, hoje, não somente ganham dinheiro, mas, também, fama e ‘respeito’ com essa maneira de apresentar.

Para o apresentador da Record, o sensacionalismo nada mais é que aquilo que causa sensação em alguém. Em entrevista à repórter Ana Flávia Magalhães, Oloares Ferreira disse não acreditar que esse ‘espetáculo midiático’, tão presente nos veículos de comunicação hoje em dia, seja algo ruim.

O que você acha desse jornalismo considerado sensacionalista?

Olores Ferreira: “Acho que causar sensação nas pessoas é algo natural e normal, por isso acho que não tem nada de ruim em fazer um estilo sensacionalista”.

Você acredita que esse tipo de jornalismo influencia a população de alguma forma?

Oloares Ferreira: “Acho que sim, mas esse é o nosso papel como jornalistas, criar uma discussão e levar isso para um espaço bem maior de discussão.

Você acha que o jornalista que segue essa linha sensacionalista se torna um personagem?

Oloares Ferreira: “Sim, todos nós somos e sempre seremos personagens, não somente na TV, mas na vida real”.

 

 

Outra ‘personagem’ que podemos citar também, aqui, como sendo sensacionalista – embora não assuma -, é Luciana Braz, do canal 11, do Programa Chumbo Grosso, veiculado pela TV Goiânia/Band. Conhecida como Pantera, Luciana apresenta um programa policial onde o espetáculo midiático está mais presente que em outros segmentos jornalísticos.

Em entrevista, Luciana “Pantera” disse ser contra o sensacionalismo na mídia. “Eu, na verdade, sou contra esse estilo de trabalho. Embora muitos acreditem que eu faça esse tipo de jornalismo, acho que não é por aí que se consegue respeito na profissão”, declara.

Você acredita que, hoje em dia, o jornalismo feito dessa forma que tanto vemos por aí, influencia o comportamento da população?

Luciana Braz: “Não. Acho que, na verdade, cada um escolhe o que quer consumir, e, por isso, essa influência depende de como e o que a pessoa vai receber desse conteúdo”.

A Luciana “Pantera” é uma personagem criada por você?

Luciana Braz: “Sim. O nome ‘Pantera’ me foi dado por causa da cor dos meus olhos e levo esse nome junto com o meu estilo de fazer jornalismo; adoro esse nome”.

 

 

Marcos Maracanã, apresentador do Programa Fala Goiás, também da TV Goiânia/Band, é mais um apresentador a adotar o jeito sensacionalista de fazer jornalismo …

Você acredita que esse sensacionalismo na mídia é algo novo?

Maracanã: “Na verdade, esse jornalismo sensacionalista não é de hoje. Há um processo meio que preconceituoso de alguns intelectuais de plantão de determinar que o jornalismo popular, que traduz verdadeiramente a realidade,  chame os mesmos de sensacionalista. Eu questiono: o que é sensacionalismo na cabeça dessas pessoas? É não mostrar verdadeiramente a realidade sobre tudo que estamos vivemos agora na política? Seria omissão por parte da mídia não escrachar verdadeiramente os fatos! Quando você escracha o fato e tem a oportunidade de fazer comentários a respeito desses fatos, alguns acham que isso é sensacionalismo. O povo brasileiro, assim como o ser humano de um modo geral, ele tem o hábito e gosta de ver coisas impactantes.

 

Estudo aponta mudanças no comportamento de jovens na internet

ANA PAULA BARREIRA, ANNE KAROLINE BORGES, BRUNA DE CASTRO, CAMILA PEDROSO, DOUGLACIEL DE JESUS E KAMILLA LEMES

Sociólogo Guilherme Borges analisa formas de comportamento de jovens.

O comportamento de jovens brasileiros na Internet mudou. Isso é o que aponta pesquisa realizada com 3.665 pessoas em todo País, pelo Instituto Qualibest. Segundo resultados do estudo, cerca de 76% dos internautas brasileiros acessam as redes sociais pelo smartphone; 62% por computador ou notebook e 14% pelo tablet, resultado da evolução dos equipamentos eletrônicos. O infográfico feito por Fernanda Pelinzon para a cartilha Consumidor Moderno, aponta os resultados da pesquisa. Confira:

Pesquisa revela os assuntos mais compartilhados pelos usuários da internet. Fonte: Fernanda Pelinzon, cartilha Consumidor Moderno.

Atualmente, as redes sociais exercem um grande poder na vida dos usuários, principalmente porque a internet possibilita que cada um publique ou compartilhe aquilo que deseja. O sociólogo Guilherme Borges explica que muitas pessoas passam por uma sociedade onde há novas formas de relações sociais que irão construir outros elementos e modificar este indivíduo. “Antes ele estava enraizado por conteúdos locais, e a partir do processo de globalização, o sujeito se relaciona com outras formas de interações e elementos culturais”, destacou.

Segundo a abordagem do teórico e especialista em geopolítica José William Vesentini em seu livro “Geografia: Geografia Geral e do Brasil”, as identidades do indivíduo pós-moderno não são naturais e eternas, mas sempre mudam com o tempo e de acordo com as circunstâncias. De acordo com o sociólogo Guilherme Borges, a globalização é um dos fatores responsáveis pelo processo de deslocamento do conceito de identidade. “A desaprovação do outro internauta pode gerar em alguns usuários uma crise identitária, fazendo com que ele não se sinta pertencente ao meio social e ao mundo globalizado” detalhou.

As redes sociais são ferramentas que possibilitam o contato social e favorecem a comunicação. Entretanto, a psicóloga comportamentalista, Cléia Queiroz, frisa que o uso excessivo das redes sociais pode causar transtornos psicológicos e afetar as relações face a face com familiares e amigos. “Na maioria das vezes, os internautas mais dependentes perdem a noção de convívio social e passam a se relacionar apenas no meio virtual”, alertou.

Nesta linha, Cléia Queiroz destacou que a dependência pela internet e redes sociais é ocasionada devido à falta de comunicação e acompanhamento dos pais em relação ao que os filhos fazem em suas vidas virtuais. “A internet é um meio em que o indivíduo e, principalmente o adolescente, encontra para se refugiar da realidade. Porém, isso passa a ser um problema quando a pessoa troca a vida real pela vida virtual”, avaliou.

A psicóloga Cléia Queiroz alerta os riscos do uso excessivo da Internet. Foto: Anne Karoline Borges.

Para o sociólogo Guilherme Borges, para haver um equilíbrio entre as relações interpessoal e virtual, é necessário que o adolescente tenha o apoio e a educação familiar, que funciona como um método preventivo. “As pessoas criam um mundo ideal na internet e quando não alcançam seus objetivos elas se frustram. Muitas vezes não percebem que estão com problemas e, quando percebem, o usuário ou a família dele busca terapias e análises psicológicas”, refletiu.

Centro de Recuperação de Alcoólatras promove inclusão social

Entidade realiza palestras para a comunidade em geral, a fim de orientar. Quantos aos malefícios do álcool.

ANTÔNIO CARLOS E DOUGLACIEL DE JESUS

Reunião de Cerea. Foto: Douglaciel De Jesus.

Homens e mulheres de todas as classes e idade, que compartilham experiências, forças e esperanças a fim de resolver seu problema em comum, o alcoolismo, e estimular a cidadania uns com os outros a se recuperar. O trabalho é feito através de reuniões com palestras, não tem nenhuma mensalidade para permanecer no projeto, basta ir às reuniões.

O Centro de Recuperação de Alcoólatras realiza um trabalho de reabilitação de  dependentes do vicio do álcool, isto ocorre graças ao esforço voluntário tanto das pessoas que aderiram a esse movimento quantas aquelas que sofreram com vício. O centro é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, e conta apenas com ajuda dos próprios membros e também do público em geral que conhecem o movimento. Todavia eles almejam um alcance melhor desse trabalho na sociedade.

Para o jovem Adiel júnior Conceição da Silva, 28, Estudante, seria fundamental importância tanto um apoio Governamental com também midiático. “Falta um apoio maior do governo, falta incentivo, por parte deles, eles só estão preocupados com o consumo venda de bebida alcoólica. E com certeza a mídia, ela ajudaria e muito se começasse a divulgar mais o trabalho, que a meu ver não faz mal a ninguém, pelo contrário é uma ação muito benéfica”.

As Palestras

As reuniões ocorrem em grupos espalhados por vários bairros da Grande Goiânia e no interior de Goiás, os membros do Cerea,  desde 1988, começaram a atuar dando palestras. Coordenador do Cerea unidade Trindade-Go, Sebastião Rubens revela que viveu cerca de 40 anos no alcoolismo e depois que conheceu o trabalho da entidade a 15 anos pode sentir parte da sociedade novamente.“Fui consumido pelabebida alcoólica por 40 anos, graças ao Cerea hoje faço parte novamente da sociedade livre da discriminação, sou “Cereano” com orgulho afirma

Coordenador do Cerea de Trindade, Sebastião Rubens. Foto: Douglaciel de Jesus.

Á  ação social, que é   executada pelo Cerea, Com base no que afirmam os entrevistados, há uma necessidade de apoio significativo, que contribua para divulgação dessa instituição que ajuda pessoas a mais de 40 anos, mas que precisa alcançar uma visibilidade maior, visto que a entidade. é para todo tipo público, que trabalha em prol dessa ajuda mútua.

Objetivo do Movimento

Na cartilha do Cerea, há um conteúdo informativo, com seguinte frase “Esta entidade só possui vínculo com ser humano e sua recuperação ”. Dessa forma eles frisam que o Centro de Recuperação de Alcoólatras, tem a finalidade de compreender pessoas com problemas de alcoolismo de ambos os sexos e qualquer idade. A ação é  feita com medidas preventivas de recuperação, isto é, pelo modo de conscientização para aqueles que não consomem bebida alcoólica, e também recuperando aqueles que de uma forma ou de outra, já utilizam com dependência o consumo do álcool. O atendimento, na instituição é realizado por um grupo de voluntários, como experiência e vivência familiar que se dispõe a ouvir e ajudar á  quem adere esta causa, afim de contribuir para sua recuperação.

Manguear

A tentativa diária de moradores de rua para serem inclusos e vistos como cidadãos.

FABIANA SOUZA

Moisés posa para a foto ao lado de sua cadela, Madeira. Foto: Álvaro Menezes.

A pele negra, cansada, denunciava o estado da alma: lânguida. Os ossos salientes, os pés inchados nos chinelos sujos contavam o caminho. “Meu nome é Moisés, eu moro aqui na rua, mesmo”.

Moisés abriu o sorriso sem dentes quando viu a câmera, “Eu vou passar na televisão?”, e não soube disfarçar a insatisfação quando soube que não passaria. Os olhos curiosos pra câmera, para a repórter. Impôs que só aceitaria ser fotografado se sua cadela saísse na foto, “é Madeira, o nome dela. Eu passo lá no depósito [de materiais recicláveis] e ela vem correndo atrás de mim. E ela é braba, viu?”.

Assim, a foto é registrada: Madeira, Moisés e seu carrinho cheio de garrafas e latas vazias, “isso aqui [materiais recicláveis] não dá nada não, é 20, 30 conto por dia. É melhor manguear.” e pedindo esmola, Moisés passa por cima dos absurdos do mundo, “eles me perguntam se eu fumo droga, se eu bebo cachaça. E eu não bebo, não. Nem fumo”. Sorrindo, sem perceber a gravidade do problema, o herói das ruas conta, “eles falam: “Eu vou te dar, mas é pra você beber, se você for beber eu dou”, e eu digo “vou! Vou beber bem ali” e pego o dinheiro e guardo”.

Moisés faz parte das 351 pessoas que estão em situação de rua, hoje, em Goiânia. O número foi divulgado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e só tem crescido nos últimos anos. Assim, centenas e centenas de homens e mulheres “magueam” pelas ruas da capital. E claro, nem todos atrás somente de comida, como Moisés.

“Eu não quero ficar na rua. Os cara da [avenida] Goiás quer roubar meu carrinho, quer me bater, quer furar eu. Tudo pra roubar os trem da gente e comprar droga. Isso lá é vida?”

Sentado na calçada, ele conta das frustrações dos últimos dias. Roubaram seu carrinho, o ameaçam, o agridem, “eu não sou de briga”. Justo, Moisés cresceu nas ruas, mas é adepto do “é melhor pedir do que roubar”.. No bolso, uma carteira do Goiás, “é meu time!”. Ali dentro, nada além de seu RG. “NÃO ALFABETIZADO”, diz o carimbo ao lado de sua foto 3×4. “Toma, eu não sei ler, mas você sabe”, a repórter conta a ele sua idade, “tenho 49, é? E que dia é o meu aniversário?”. Fica no ar o questionamento: Qual foi a última vez que alguém parou para falar com aquele homem? Seu aniversário é em agosto. 17 de agosto.

Em meio a conversa, Moisés, que tenta parecer forte, desabafa: “Cê podia me ajudar a ganhar um barraco, que é pra eu sair da rua. Eu não quero ficar na rua. Os cara da [avenida] Goiás quer roubar meu carrinho, quer me bater, quer furar eu. Tudo pra roubar os trem da gente e comprar droga. Isso lá é vida?”. A saliva desce feito pedra. Moisés nem se lembra quando foi que teve uma vida para chamar de vida, “morreu todo mundo, minha mãe, meu pai… Meu pai morreu com uma ferida na perna. Não cheirava, não bebia, não fazia nada. Ia pra Igreja “Deus é amor”? Sabe, a Deus é amor? Pois é, e morreu por causa de uma ferida.

Moisés, 49, sem casa, família ou escolaridade, dá uma aula de simpatia, apesar da dura realidade. Foto: Álvaro Menezes.

O homem de sorriso sem dentes esmorece e só volta a sorrir quando fala de seu amor. “Eu tenho uma namorada. Ela mora bem ali, depois daquelas árvores”, e aponta esperançoso para o fim da rua, “eu quero arrumar um barraco pra eu morar com ela. Não posso largar minha mulher, não. Se eu largar a mulher, que dia que eu vou ter um filho com ela?”. Queimado do sol impiedoso, marcado das ruas traiçoeiras, ele ainda acredita no amor e se recusa a ir para abrigos, “morar sem minha mulher? Cê tá doida?”, questiona à repórter.

Moisés, com as roupas sujas e o cabelo despenteado, se torna cada dia mais invisível àquelas calçadas. Negro, analfabeto, sem família ou conhecidos. Mais um para a estatística que a sociedade criou, matou e deixou agonizando no sinal. Quando a repórter se despede, Moisés faz seu último pedido: “Põe eu na televisão, fala com o governo pra mim. Eu quero sair da rua”. Os ouvidos de quem escuta ardem, as pernas pesam. Os braços e a cabeça doem. O coração chora. Enquanto isso, Moisés sorri, “eu não tenho pressa”.

Vício: a ferida social

Os passos cambaleantes, lentos, seguiam ao acaso. A cabeça baixa, os cabelos desgrenhados e a barba por fazer escondiam o olhar cerrado, arredio, “cê quer o quê?”. Conversar, apenas conversar. A primeira pergunta foi o nome, que veio completo, de pronto, sem pausas, “José da Silva Santos”. Ao seu lado, um colchão enrolado e um cobertor sujo. “Eu bebo cachaça, e não é pouca”.

José, visivelmente embriagado, tem o olhar vago e fala com dificuldade, “só hoje eu já bebi 10 carotinho [cachaça] ou mais”. O bafo fede à vergonha, tristeza, “sou mais viver na rua do que ficar dando vergonha pra minha família. Eu não quero dar trabalho pra eles como eu já dei, não”. Em Goiânia há 23 anos, José, de 38 – que bebe desde os 15 – perambulava pelas ruas há cerca de 15 dias. “Eles [família] não sabem que eu tô morando na rua, não. Se soubessem, iam ficar revoltados demais. Eu não vim pra cá pra ficar nesse mundo imundo”.

As palavras de Zé, até então arrastadas e de difícil compreensão, ganham um outro tom. “Eu quero ir pra uma casa de recuperação, recuperar minha vida”, vida essa, que não foi arruinada apenas pela bebida, “deve ter umas 3 horas que eu fumei [crack]”, questionado sobre o seu estado em relação à droga, a resposta vem em forma de deboche, como se fosse óbvia, “eu não sinto porra nenhuma, não, doido. Não dá ilusão nenhuma mais não”, e, indignado detalha sua trajetória ao lado dela, “eu comecei na maconha, depois cheirei pó, depois veio a porra da merla, fumei merla, depois veio a merda do crack, e eu tô fumando crack”.

José chora ao contar sua trajetória com as drogas. Foto: Álvaro Menezes.

Sobre o problema de José, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde — e em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça — realizou um levantamento que revelou que, cerca de 370 mil brasileiros de todas as idades usaram regularmente crack e similares (pasta base, merla e óxi) nas capitais brasileiras durante pelo menos seis meses em 2012. Esse número corresponde a 0,8% da população das capitais e a 35% dos consumidores de drogas ilícitas nessas cidades. E um agravante, desse total, 14% têm entre 8 e 18 anos, isto é, crianças e adolescentes.

Eu só não sei por que eu não largo essa pinga e essa droga. Mas eu sou inteligente, moleque, não sou bobo, não”

Vejo na expressão de José o esforço para conter o choro, que sai mesmo assim, teimoso. O sofrimento é convertido em lágrimas. Ele limpa o rosto e estende as mãos molhadas de dor, “tá vendo esses calos, aqui? Eu sou borracheiro, eu sei montar e desmontar um carro, tá ligado? Se hoje você precisar de um pedreiro, eu sei como fazer da base até o acabamento”, revoltado, ele vocifera que teve pouco estudo, mas desse pouco, era um dos melhores, “eu nunca tirei menos de 90 [pontos] nas minhas provas”. O homem bêbado continua chorando.

José fala de ser “sujeito homem”, de voltar pra escola e pra casa da família. O único problema é que o vício não deixa, “eu só não sei por que eu não largo essa pinga e essa droga. Mas eu sou inteligente, moleque, não sou bobo, não”. Ali se mostra o início da fagulha, o desejo de viver. José, que já tinha se despido da vergonha, responde de pronto ao questionamento sobre procurar uma casa de apoio, “se você quiser me levar, eu tô pronto pra ir”, a resposta sai quase como um clamor. O rosto da repórter arde, as mãos tremem. Sobre onde ficarão as suas coisas, José é claro e objetivo: “Minhas coisas vão ficar bem aí onde estão”. Percebe-se então, que aquela conversa não poderia acabar ali. José saiu acompanhado da equipe de reportagem.

No caminho para a Casa de Apoio Metamorfose, no Setor Campinas, José se olha no espelho do retrovisor do carro, “eu tô feio pra caralho, hein?”, ainda chocado com sua aparência, ele conta como foram os últimos dias, “eles [polícia] passam aí e pegam todo mundo. Só não pegam eu, porque eu não devo nada, tô sempre puxando meu carrinho. Não devo nada pra justiça, pra ninguém. Nunca roubei e nem matei”. Em meio à conversa, com José um pouco mais descontraído, ele muda de assunto, “sou geminiano” e brinca “sabe que eu até tenho vontade de arrumar uma mulher?! Mas a gente tem ter capacidade pra ter elas. Dentinho limpo, roupinha bonitinha… Se for pra ter essas da rua é fácil. Aí eu não quero”.

Entramos no Metamorfose e, em todo momento da conversa com o diretor da Casa, que pediu para não ser identificado, José afirmava “eu quero mudar, eu quero sair dessa vida”. Daquela parte em diante, já não era mais com a repórter. José beijava a mão de todos da equipe e agradecia. Ninguém sabia o quê dizer. A repórter sai dali diferente. O peito cheio, os olhos lacrimejando sem saber se choravam ou se sorriam, mas isso não importa.

José pode começar uma nova vida, agora.