A falta de acessibilidade nas escolas

São muitas as dificuldades que uma pessoa com deficiência (PCD) enfrenta no decorrer da vida. Seja na falta de acessibilidade ao básico, como, entrar em um órgão público, pegar um ônibus, se locomover nas ruas das cidades, ou na falta de compreensão da sociedade em relação aos seus limites. Porém, é na fase escolar que tudo se intensifica para qualquer criança e adolescente, principalmente para os PCDs, que sofrem desde a falta de uma rampa de acesso à escola, até o bullying praticado por colegas de classe.

Segundo estudos realizados pela plataforma QEdu, apenas 26% das escolas públicas do Brasil possuem dependências acessíveis. Nas instituições de ensino particular, sobe para 35%, um número muito abaixo do ideal, que contraria as promessas dos governos em relação à acessibilidade e manutenção de instituições públicas de ensino, o que acaba retrocedendo a qualidade do ensino para pessoas com deficiência.

É o caso de Elva Aladia de Souza Rodrigues, de 20 anos, que tem paralisia cerebral. A jovem, que utiliza cadeira de rodas para se locomover, afirma que já passou por obstáculos para entrar na escola devido ao difícil acesso. E diz que gostaria que o acesso para pessoas com deficiência física fosse melhorado, pois algumas escolas não possuem estrutura adequada para este público. “A maioria das pessoas não quer ajudar uma pessoa com deficiência física, são ignorantes”, ressalta Elva, sobre as dificuldades enfrentadas dentro do ambiente escolar.

Grosso modo, é difícil necessitar de ajuda de terceiros para subir escadas ou solicitar auxílio de tarefas corriqueiras, o que acaba deixando os PCDs em situação de vulnerabilidade e, até mesmo, de humilhação.

Elva Aladia de Souza Rodrigues, 20 anos

. (Foto: Arquivo Pessoal)

“As pessoas deveriam ser mais atenciosas conosco, que temos deficiências físicas, porque nós não temos culpa disso. Deveriam melhorar também os acessos nas ruas e nas calçadas, e as pessoas deveriam ser mais dispostas a ajudar uma pessoa com deficiência física e não julgar pela aparência, pois nós já sofremos bullying por isso”, desabafa.

Do especial ao inclusivo

Pessoas com deficiência possuem níveis mais baixos de escolaridade, menor participação econômica e taxas mais elevadas de pobreza em comparação com pessoas sem deficiência.

O fato de deficientes enfrentarem desafios no acesso a serviços como educação, emprego, saúde, transporte e informação, escancara uma sociedade extremamente desigual, na qual as dificuldades são presentes em comunidades mais pobres. A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), em vigor desde 2016, impõe ao Estado, à família, à comunidade escolar e à sociedade garantir educação de qualidade às PCDs.

Historicamente, a sociedade dava um tratamento diferenciado às pessoas com deficiências, segregando-as dos demais, porém, o cenário vem mudando nos últimos anos. Hoje entende-se a educação como algo “inclusivo” e menos “especial”. Isso abrange o ambiente escolar como um todo, como o espaço, os materiais e a metodologia, que devem desempenhar o papel de atender a todos, e não mais serem elaborados separadamente para PCDs.

Mas como Elva disse, algumas escolas não possuem estrutura adequada para uma pessoa com deficiência, o que deixa claro que há muito o que ser feito nos próximos anos para aprimorar a qualidade da educação inclusiva.

Mudanças estruturais nas escolas de Goiânia

Em julho de 2021, a Prefeitura de Goiânia investiu R$ 5 milhões em manutenção e adequações nas estruturas físicas de todas as escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). O prefeito Rogério Cruz ressaltou que os recursos chegarão a 332 unidades de ensino, entre escolas e CMEIs. “O nosso objetivo é manter, com este programa, a qualidade da rede física da Rede Municipal de Ensino para que nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos possam aprender em ambientes modernos, acolhedores e seguros”, declarou.

Mas além de estrutura física e adequações em escolas, é necessário que a sociedade se atente às questões de dificuldades que um indivíduo enfrenta. Não estamos falando de problemas do cotidiano, como pagar contas, estar atrasado para o trabalho, mas sim para os que realmente precisam de ajuda para realizar estas tarefas, especialmente estudar. Uma sociedade menos desigual só vai começar a aflorar assim que um PCD seja visto não como alguém especial, mas alguém que está presente para somar, tornando uma sociedade mais inclusiva e menos segregada.

Ana Maria - UniAraguaia

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