Outubro Rosa: um mês para relembrar a necessidade da conscientização sobre o câncer de mama

Ações afirmativas lembram a necessidade da prevenção ao câncer de mama e do diagnóstico precoce

Mabel Quinones Arboleda

Há alguns anos o mês de outubro foi escolhido para mostrar o quanto é importante para as mulheres e para a sociedade a consientização sobre o câncer de mama, simbolizando a união em torno dessa causa. Todos os anos acontecem eventos e campanhas publicitárias que fazem com que as mulheres possam falar com mais liberdade e propriedade sobre o tema, pois essa doença afeta diretamente a autoestima da mulher.

Saturnina da costa, nascida em Guiné Bissau e radicada em Goiânia, criadora da marca de vestuário e acessórios Nyna Koxta, já organizou vários eventos em prol da conscientização social e melhora da autoestima das mulheres que tiveram ou estão na luta contra o câncer de mama. Ela, que é  Miss Afro Plus Size Goiás 2020, empreendedora social, estilista e modelo, é uma das participantes ativas do combate ao câncer de mama e colabora em diversas atividades da Associação dos Portadores de Câncer de Mama (APCAM), uma entidade filantrópica de apoio a pessoas que têm a doença.

Saturnina organiza um desfile de moda  que promove a inclusão da comunidade negra, LGBTI+, meninas com síndrome de Down, mulheres com câncer de mama e  mulheres plus size. Este ano, por conta da pandemia da Covid 19,  muita coisa não pôde ser feita, mas o desfile  foi realizado por uma plataforma virtual, dentro da programação do Goiânia Fashion Week, no dia 16 de outubro,  com a participação  especial de Claudineia Nunes de Oliveira, que relatou  sua experiência e a recuperação do câncer de mama.

Saturnina Costa, nascida em Guiné Bissau e radicada em Goiânia, promove diversos eventos em prol da inclusão social

Claudineia foi acometida por um câncer agressivo aos 37 anos

Claudineia Nunes de Oliveira, 42 anos, nasceu em Anísio de Abreu no Piauí, é dona de casa e mãe de três filhos.  No ano de 2015, aos 37 anos, ela foi diagnosticada com um tipo de câncer muito agressivo,  por meio de mamografia, já no estágio 3 da doença.  Ela precisou  se mudar para Goiânia e foi encaminhada para o Hospital das Clínicas (HC)  em maio de 2015, onde foi realizado o esvaziamento axilar, a retirada de 12 nódulos da mama direita, sendo que seis deles já estavam comprometidos com câncer, e  também foi retirado um nódulo maligno da mama esquerda. Claudineia conta que, por falta de condições financeiras, não tinha como fazer exames com mais frequência e que, por conta da  idade  e sem histórico familiar de câncer de mama, ela não imaginava que poderia ser acometida pela doença. Impedida der realizar suas funções do dia a dia, precisou da ajuda e o apoio incondicional da família. Confira a entrevista que ela concedeu ao Araguaia Online:

Qual foi sua reação ao descobrir o câncer de mama?

Fui encaminhada para o psicólogo, chorei bastante, perdi a memória, eu ia para o supermercado e não esperava o troco; saía para algum lugar e não sabia voltar…

 Como foi a reação da sua família?

Meus  filhos ficaram com nota baixa na escola… Eles cuidaram muito bem de mim. minha mãe meus filhos e meu esposo.

Como foi o processo de transição visual?

Perdi alguns dentes e unhas das mãos e pés por conta da quimioterapia. A parte mais difícil foi a perda do meu cabelo, quando eu ia tomar banho meu cabelo grudava  nas minhas mãos.

Como você está agora?

Depois do esvaziamento axilar e da quimioterapia, eu estou bem. Depois que sarei, fui chamada  para participar  de vários eventos realizados em comemoração ao Outubro Rosa aqui em Goiânia. O primeiro deles foi no shopping da estação   em 2015, o segundo foi no pesque pague Jaó em 2017, o terceiro aconteceu no Aparecida Shopping em 2018,  e este ano no Goiânia Fashion Week. Estes eventos acrescentaram muita coisa boa na minha vida, pois conheci  pessoas legais,  médicos, enfermeiras, psicólogos e colegas que já enfrentaram ou estão passando pela mesma situação.

Saiba mais

 O câncer de mama  é um tumor maligno que se desenvolve  como consequência de alterações genéticas em algum conjunto de células da mama, que passam a se dividir descontroladamente. Depois do câncer de pele não melanoma, a doença é responsável por 25% de casos novos de câncer por ano.  O câncer de mama também acomete homens, porém e  raro, representando apenas 1% do total de casos.

Além disso, o câncer de mama é raro antes dos 35 anos, mas acima dessa idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente em mulheres com mais de 50 anos. Os fatores que estão relacionados ao risco de desenvolver a doença são: histórico familiar menstruação precoce, menopausa tardia, obesidade, ausência de gravidez, entre outros.

E muito importante se atentar a alguns  sinais e sintomas, pois muitas vezes as manifestações são silenciosas e não detectáveis no estágio inicial da doença:

  • Vermelhidão na pele, inchaço ou calor
  • Alterações no formato dos mamilos e das mamas
  • Nódulos na axila
  • Secreção escura saindo pelo mamilo
  • Pele enrugada, como uma casca de laranja
  • Em estágios avançados, pode abrir uma ferida na mama.

Araguaia Online - Equipe

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