Portadora de deficiência encontra no vôlei a chance de mudar de vida

Maranhense integra a equipe de vôlei sentado em Goiânia e chega a paraolimpíadas.

ANA CAROLINE SOUZA

Pâmela Pereira nasceu em Balsas no Maranhão. Veio pra Goiânia em 2011 com 25 anos. Faz dois anos que ela  sofreu um acidente de moto e perdeu parte da perna esquerda. Pâmela viu no esporte a chance de dar a volta por cima, no início ela diz que foi difícil, doloroso, por ser um esporte que joga sentado.

Com o esporte ela diz que a oportunidade de não entrar na depressão, e ao invés de lamentar ela iria somente agradecer por não ter morrido. Pâmela diz ter recebido o convite para jogar vôlei quando estava em um supermercado.

Casada com um filho, ela fala da batalha do dia a dia no esporte.” Não é fácil, o vôlei exige bastante de mim, treino quatro vezes por semana, cada treino dura aproximadamente três horas. Tenho que treinar bastante, mesmo com a falta de bolsa atleta que deveria receber do governo, eu não desisto.”

Pâmela está sem receber a bolsa atleta, segundo ela, o governo alega que uma vez que ela é “encostada” pelo INSS, ela não tem direito a bolsa.  Ela acaba de chegar do Rio de Janeiro foi convocada para as paraolimpíadas, onde conseguiu a medalha de bronze.

Animada e feliz com a medalha do Rio de Janeiro ela faz um convite aos portadores de deficiência física, o time de vôlei está precisando de mais atleta. “Você que é portador de deficiência, venha jogar com a gente, descobri um mundo novo, descobrir coisas novas se motivarem, quero passar para todos a experiência de ter participado e conquistado essa medalha no Rio.

Ofício em jogo

NATANAEL GONÇALVES

A profissão de árbitro de futebol, tem a finalidade de marcar gols feitos pelo time opositor e, claro, sendo aquele com mais gols o vitorioso. Pode atuar, também, como juiz que anuncia com o apito o início e o final de uma partida. Faz o cumprimento das regras esportivas como, cobrança de faltas, pênaltis, expulsões, escanteios e outros. A participação do árbitro é indispensável, já que sem ela o jogo não começa.

Francisco de Assis que prefere ser chamado de “Tito”, 39 anos, casado, padrasto de dois enteados e pai de uma garota de 13 anos, tem pouco mais de 1,70 m de altura e por volta de 80 kg. Natural de São Miguel do Tocantins – TO, foi tentar a vida ainda jovem na cidade de Gurupi – TO, lá jogou futebol de campo e futebol de salão com alguns campeonatos vencidos ao longo de sua carreira e, também, foi o lugar onde começou a apitar jogos e conheceu sua esposa Oneide com quem é casado há 17 anos.

Francisco de Assis se divide entre a profissão de árbitro de futebol, microempresário e sapateiro.

Mas, para quem sonha em exercer a profissão de árbitro é preciso muito mais do que gostar de futebol. Já que, além do bom preparo físico, bom senso, moralidade, honestidade, muita paciência, autoridade, capacidade, conhecimento das regras do jogo, imparcialidade e capacidade de liderança são fundamentais.

Apesar de tocar uma pequena distribuidora de bebidas e ainda trabalhar como sapateiro. Francisco atua como árbitro amador há mais de 15 anos e tem no ofício uma paixão na sua vida. Quando chamado dificilmente recusa os bicos para apitar jogos que normalmente ocorrem nos finais de semana e feriados. Na pequena e simples sapataria onde trabalha, em meio a vários sapatos e malas para consertar. Francisco relata o início de sua carreira nos campos “ Por influência de amigos. Amigos meus que trabalhavam na empresa comigo. E aí eles foram me incentivando. Aí eu fiz o curso e gostei do trabalho e até agora estou nesse ramo”.

A esposa Oneide, mesmo concentrada em seu trabalho de dona de casa, se sente preocupada com o marido e opina sobre a profissão dele “ Acho muito perigosa as vezes. Tem agressão no meio de campo, das pessoas e dos jogadores”.Outra personagem importante que não hesitou em me dar uma entrevista, é Jennifer, de 13 anos, que faz questão de acompanhar a rotina do pai. A menina, estudante do ensino fundamental, diz que o ofício do pai há muitas discussões, brigas e xingamentos tanto por parte dos jogadores quanto dos torcedores. Tito dá uma boa dica que segundo ele é essencial e de ouro para se tornar um bom árbitro “Eles falam muito que juiz é ladrão, arbitro é ladrão. E se tem uma pessoa que precisa ter nome limpo é arbitro de futebol”.

Mesmo tendo almejado várias vezes a carreira profissional de árbitro, Tito ainda consegue expor a sua satisfação por ter uma pequena empresa de bebidas, por trabalhar como sapateiro e, claro, demonstra orgulho por ter na arbitragem não só um esporte, mas uma profissão que, mesmo sendo, um baixo complemento de renda para o sustento próprio e de sua família o deixa realizado por fazer o que ama.

Mais que um hobby

Uma história de amor com o futebol.

LUANA BERNARDES E LUCIANA FERNANDES

Por termos o título de “Brasil, o país do futebol”, muitas crianças crescem com o pensamento de crescer e ser jogador de futebol. É uma das principais brincadeiras nas escolas, nas ruas, dentro de casa, etc. O futebol desperta paixões. É um amor passado de pai para filho, geração em geração.

Para contar esta história, voltamos para os anos 80. Vamos contar um pouco da história de Adair Júnior. Um pequeno com um grande sonho…

Os pés descalços não cansam de correr atrás da bola. O sol forte de Goiânia parece não intimidar a brincadeira das crianças. A felicidade é visível, para aqueles pequeninos que só se imaginam como os grandes cracks dos gramados. Enquanto joga, uma janela da imaginação se abre e Adair se vê ao lado de Zico, tocando a bola, recebendo de volta e marcando um gol. Acorda desse sonho com um grito de seus amigos para que chute logo a bola.

Apesar de sua vontade de ser um crack do futebol se estender até a adolescência, Júnior se viu distante de seu sonho de ser jogador de futebol. Aos 16 anos, Adair se adaptava à nova realidade: ter que cuidar de seu irmão mais novo, já que sua mãe, solteira, tinha de trabalhar para garantir o sustento de todos. Ele não poderia mais jogar bola depois da aula.

No começo era difícil ver seus amigos brincando e não poder desfrutar da brincadeira. Agora troca fraudas, serve inúmeras mamadeiras. Entre banhos e mais mamadeiras, Júnior aos poucos via seus objetivos indo embora. Ainda podia contar com as aulas de Educação Física, mas não era a mesma coisa.

O tempo passou, se formou no ensino médio, se casou, teve um filho, ingressou no curso superior. Depois que a vida adulta chegou não lembrava mais de futebol. Havia deixado seu sonho adormecido em um canto de sua memória. Adair não imaginava o que estava por vir.

Em uma tarde de outubro de 2013, em seu trabalho, Adair sente um desconforto. Uma dor forte no peito. Ele se levanta, vai ao banheiro, molha o rosto, dá uma volta e bebe um gole de água. Engana-se pensando que vai passar, que é uma indisposição qualquer. Não imaginava que um infarto estava por vir. Sua pressão arterial chega à 17X14, muito alta. Júnior acorda na emergência do hospital com este diagnóstico. Segundo o médico este problema era decorrente de uma vida sedentária, má alimentação, estresse. Assustado, pensa em como essa doença poderia ter começado, mesmo ele sendo tão jovem, com apenas 30 anos. Pensa na vida que poderia estar chegando ao fim. Lembra de seu filho, sua família, em quanta gente poderia estar deixando para trás. Doenças não escolhem pessoas, cor ou idade. Elas aparecem. Mas ele estava disposto à lutar por sua vida.

Para Adair, esse susto bastou para que ele acordasse para outra realidade. Afinal, ele sabia o que fazer para manter uma vida saudável. Não fazia por falta de tempo. Com o tratamento e alimentação adequados, agora era a hora de voltar a praticar alguma atividade física. Sair do sedentarismo era fundamental para sua recuperação.

Foi quando se lembrou dos tempos de criança. O futebol sempre o fez feliz e sentiu vontade de jogar futebol, chegou a hora de voltar à correr atrás da bola. No começo, o médico recomendou uma atividade mais leve. De início a caminhada, depois corrida. Após dez meses de treinos leves, estava liberado seu futebol.

“Nunca mais deixarei de jogar. Estes dias em que me encontro com meus amigos para jogar nossa “pelada”, renovam minha mente. O cansaço vai embora. As dores nas articulações acabaram”, diz Adair Júnior.

Hoje, com 32 anos, volta aos gramados. “Me sinto um novo homem. Sinto mais energia, voltei a ser feliz! Nos dias que não têm futebol, faço minha caminhada, sempre

alternando com a corrida! Hoje me vejo como uma grande inspiração para minha família e amigos. Minha esposa passou a frequentar as aulas de musculação, cinco vezes por semana. Meu filho joga na escolinha do Goiás Futebol Clube. Hoje, me sinto mais feliz, de bem comigo mesmo. Espero que minha história sirva de exemplo para outras pessoas. O futebol é mais que um hobby pra mim, porque me proporciona alegria, saúde, bem-estar. Eu amo jogar futebol”, diz Adair Júnior.

O sonho perdido

EVANDRO ANDRADE

O jovem Wilmar Junior Teixeira, 25 anos, pelo menos duas vezes na semana calça a chuteira e sai de sua casa a caminho do gramado. Faz isso à noite, pois o trabalho e o pouco tempo extra, não permitem que ele pratique essa atividade durante o dia. Ele teve o sonho de ser um jogador profissional, mas acabaram surgindo outras oportunidades. Mesmo não conseguindo o engajamento em um time profissional, é praticante ativo do bom futebol amador, que apesar de não render dinheiro, ajuda-o a manter a saúde e a boa forma.

Campo de futebol amador, Videira. Foto: Evandro Andrade.

Wilmar Junior começou a jogar aos dez anos. Aos quinze tinha o objetivo  na cabeça de ser um grande jogador de futebol. Junior procurou as famosas peneiras e foi no Vila Nova,em 2006,  no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga,  sua primeira prova de fogo. Ele joga no meio de campo, posição bastante concorrida nos times de futebol, é o responsável por passar a bola para o atacante, nessa peneira, dez anos atrás, eram trezentos jogadores disputando vaga, e por incrível que pareça, somente Junior e mais três jovens jogadores conseguiram chamar a atenção dos olheiros. Junior foi convidado a partir do teste, a compor a base do time Vila Nova.

O resultado de ter passado na peneira tão concorrida foi uma notícia boa, mas as condições para custear suas despesas o preocupava, pois o clube não ofereceu o suporte mínimo necessário para que ele se mantivesse na equipe, não dispuseram calção, chuteira, meião.

Cecília Teixeira, mãe do jovem jogador, falou que “tinha que dar o seu próprio sitpass para que o filho chegasse ao treino”. A situação do jovem jogador nas categorias de base, não se sustentou por muito tempo, pois faltava dinheiro até para ir aos treinos, participou de alguns jogos e desistiu.

Marcelo Teixeira Meneses, primo do jogador, falou que “conheço a trajetória de Junior, ele é bom de bola, é uma pena que não tenha conseguido chegar ao profissional”.Além do Vila Nova, Junior jogou também nas categorias de base do Goiás, mas a história se repetiu, não tinha dinheiro nem para pagar o ônibus.

O garoto jogou por mais dois anos, participando de campeonatos amadores e com a ideia de ser um grande jogador de futebol ainda viva. Mas, aos dezoito a ficha caiu, a idade já estrava avançada para começar uma carreira de jogador profissional. Vendo a necessidade de sua mãe mergulhou no trabalho, começou como aprendiz de açougueiro no mercado do seu bairro, e foi aí que o projeto profissional tomou outro rumo.

Hoje, aos 25 anos, Junior trabalha em uma empresa que vende materiais elétricos, na função de almoxarife, disse que não pretende ser mais jogador profissional de futebol. Joga somente para manter a boa forma, e por pura esportividade. Mas, engana-se quem pensa que o jovem é um frustrado, falou que “pretendo construir uma família, sou evangélico e,almejo ser um pastor”. A história de Junior é bastante comum, projetos que são mudados pela experiência no tempo.

Camila Santos uma carateca franzina, mas dura na queda

JOÃO MESSIAS E MARA VIANA

Em meio aos cantos dos pássaros, em um final de tarde de domingo, estava a entrevistar uma dedicada jovem carateca, no bairro distante do centro da cidade, na região conhecida como Trindade Dois, por ficar a 12 km do centro de Trindade. Ela conta sua rotina de treinos, trabalho e estudo, envolta de vários livros e um notebook, na casa do namorado Gabriel Lopes de Amorim, que também é carateca e treinam juntos na mesma academia Deay Fit, no Setor Cristina, com o professor (sessei) Xexeu.

Camila Santos de Souza conheceu o Karatê quando cuidava de umas crianças e as levava para treinar “fiquei observando, na última vez que fui, o professor me perguntou se queria treinar, aí, quando cheguei em casa conversei com minha mãe e ela deixou, fui treinar e gostei”.

Camila começou a competir em 2011, com 15 anos e hoje com 20 está usando faixa roxa “agente começa com a faixa branca e se já estiver bem, apto a algumas lutas, aí muda de faixa com seis meses”. Ela diz que sempre foi dura na queda e quando começou os homens tinha preconceito com as mulheres no tatame mas hoje é normal. Ela já disputou o Campeonato Goiano e a Copa Trindade e nunca ficou fora do pódio “sempre estava ali, quando não era primeira, era segunda ou terceira, mas nunca fiquei fora do pódio”. Ela considera o título mais importante, o do Campeonato Brasileiro disputado na Bahia em 2015, que garantiu em equipe.

Camila Santos de Souza, carateca da Federação Esportiva Educacional Goiana de Karatê.

Em 2020, na Olimpíada do Japão, o esporte será disputado pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, e Camila diz que “seria um sonho disputar os Jogos de Tóquio” e acrescenta, “o karatê terá mais visibilidade e mais pessoas vão passar a treinar, lá na academia muitas pessoas já voltaram, quando souberam que o karatê se tornou olímpico”.

Treinar, estudar e trabalhar

“Eu tenho 24 horas para tentar dividir, tem dia que dá outros não, a gente vai manuseando para dar tempo o dia inteiro”. Camila treina, principalmente, nos finais de semana, pois trabalha de estoquista em um supermercado de Goiânia, durante o dia, e a note estuda graduação em Marketing e o tempo que sobra é mais no final de semana, que faz cata, e exercício físico além de lutas.

Ela ressalta a necessidade de um patrocínio para a academia e que muitos atletas não conseguem competir em outros campeonatos fora da cidade pela falta de verba, pois, os pais não têm condições de pagar viagens e hospedagens para os filhos.

O sonho de um gigante

Os desafios do dia a dia e a vontade de conseguir um dia chegar na seleção brasileira de futebol.

ANA CAROLINE SOUZA

Guilherme jogando pelo FC-hansa 2016. Foto: Anton Bernhard.

Guilherme Esteves Lima estava preste a completar seus oito anos em 1999 quando seu pai Devair Fernandes Lima o levou pela primeira vez em um campo de futebol. Como Guilherme mesmo diz, “ não era o campo, mais sim um  terrão, cheio de pedra, mato, uma terra vermelha, um espaço bem precário.” campo apelidado por ele e seus colegas por “escolinha do peixe”, localizado no setor Vera Cruz em Aparecida de Goiânia.  Devair resolveu levar o filho ao terrão. Com  pés descalço, meio tímido, porém muito contente  Guilherme se juntou a outras crianças, a maioria mais velha do que ele. Devair logo percebeu que o filho levava jeito para o futebol  gostou do que viu,  continuou levando o filho pra jogar sempre no terrão, onde ele adquiriu experiência jogando cada vez melhor até completar seus treze anos.

Vendo o talento de Guilherme muita gente falava para Devair, seu filho tem talento, tem que procurar um time melhor. Um certo dia terminando o treino, Guilherme recebe o convite de um olheiro pra jogar no time do clube dos oficiais (Asberg), pai e filho como sempre juntos, se enche de alegria e esperança. Chegando na Asberg, Devair conta que Guilherme ficou emocionado  e feliz com a estrutura do local, já tinha outros garotos com experiências e que se destacava.

Guilherme logo se adaptou, foi ganhando experiência e se destacando. Não demorou muito aos 15 anos  veio a oportunidade do Guilherme ir pra escolinha do Vila Nova, adquiriu mais experiência, mais conhecimento do mundo do futebol  e assim ficou um ano e meio.

Em seguida mais um vez Guilherme recebe um convite de jogar no Goiás no Parque Anhanguera.  Iniciou no na escolinha do Goiás , passou pela pré equipe, logo começou a aparecer outras oportunidades começou a jogar com outras equipes, equipes melhores.

Com dezoito anos Guilherme começa jogar no Goiânia , dessa vez já  com contato profissional onde disputou o sub 20 e  o sub 18 pelo Goiânia, continuou jogando por dois anos no Goiânia, porem, só jogando futebol Guilherme não tinha como ajudar o pai em casa, onde estavam passando por dificuldades, foi ai que ele tomou uma decisão que contrariou muito Devair. Guilherme abandonou o futebol e começou a trabalhar em uma marcenaria e estudar a noite.

“magoei muito meu pai, mesmo contrariando os   sonhos dele , parei de jogar futebol’’. diz Guilherme.

Parecia ter desistido dos sonhos de jogar futebol, focava só no trabalho e nos estudos Devair continuava a incentivar o filho, pedindo pra ele voltar para o futebol. Guilherme voltou a jogar  futebol, mas com os amigos, tipo “pelada”. Certo dia, em uma dessas peladas, mais uma vez é observado por um empresário que o convida pra jogar fora dos Pais. Chegando em casa Guilherme  teve uma conversa com seu pai, e contou a novidade a seu pai Devair não cabia em si de alegria,  logo aconselhando o filho a aceitar e convite.

Chegando na Alemanha logo despertou a atenção de um time que se chama FCStahl, que o contratou, era um time de sexta divisão, foi contratado com um salario baixo no inicio, mas com moradia  e o visto que ele precisava pra ficar.  Mesmo com as dificuldades do clima, da língua, e ficar longe família, Guilherme viu ali uma grande oportunidade de mudar de vida, acabou ficando um ano e meio.

Foi foi para outro time, de quinta divisão chamado Malchow,  ficou seis meses. Guilherme, hoje com 23 anos, joga profissionalmente no FC Hansa Rostock mesmo longe ele diz que está feliz e  realizado por conseguir dar uma vida melhor para sua família. E cresce cada vez mais a vontade  de conseguir chegar a seleção brasileira de futebol.

“Sinto orgulhoso e feliz de ter conseguido chegar até aqui, mesmo com todas as dificuldades, quero realizar meu maior sonho de chegar a seleção brasileira de futebol’’.

A política no picadeiro

A Política no Picadeiro – O Programete  de rádio é uma sátira aos discursos políticos no Brasil. Os estudantes Bruna Martins, Jaqueline Silva, Vinicius Marques e Fábio Lucas coletaram áudios da internet, do rádio, da televisão e das ruas e criaram metaforicamente um espetáculo circense, onde os políticos e eleitores sãos os personagens.  O Programa realizado na disciplina de Produção Radiofônica dos Cursos de Publicidade e Propaganda da Faculdade Araguaia,  é uma sátira aos discursos políticos e trabalha com a noção de espetáculo da forma mais elucidativa possível – o circo.

Encontro de Egressos reúne ex- estudantes da Faculdade Araguaia para troca de experiências

Jornalistas e publicitários graduados na Faculdade Araguaia, em Goiânia, trocaram experiências com estudantes durante Encontro de Egressos na Semana de Integração Acadêmica dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Com experiências em TV, Rádio, Agências de Propaganda e Jornal os egressos demonstraram sua habilidade no mercado e deram dicas aos futuros profissionais. A reportagem é de Jonathan Cavalcante com produção de Vinicíus Martins, Naddiny Ferreira e Avelino Matheus.

A pequena gigante do crossfit

Dedicação da aluna Renata Rodrigues contribui para que mulheres superem desafios e preconceitos nessa modalidade.    

RENATA BASTOS

Já se passavam das 9h da manhã de um sábado de agosto, em Goiânia, e o dia dava sinais que aquela manhã seria de “treino intenso e prazeroso”, assim definido por Renata Rodrigues Silva. O crossfit passou a ser uma espécie de amigo fiel e encorajador em que a cada treino, a dedicação e o esforço permanecem rentes a sua postura, carregando consigo a certeza gratificante de mais um propósito que será concluído. Pelos caminhos, um olá amigável e abraços confortantes de quem acabou de cumprimentar, são colegas que treinam diariamente com Renata. Ela retribui com sorriso sincero, entre abraços e apertos de mãos que em cada olhar atento, observa as particularidades do desafio que está por vir. O professor vai iniciar o treino, mas antes faz anotações no quadro negro, alguns colegas se divertem enquanto grupos de meninas ajeitam suas roupas e outros alongam. Os rapazes competem qual físico é mais definido e gargalhadas são inevitáveis. Pode-se ouvir alguém dizer “hoje eu vou queimar!” e nisso o professor que acaba de realizar suas anotações rebate “prepara que este é o desafio de hoje.” Todos se assustam.

Aluna Renata Rodrigues treinando crossfit. Foto: Renata Bastos

Aos 31 anos, Renata segue cheia de otimismo, talvez por acreditar que todos os anos, incansavelmente debruçados sobre uma escrivaninha de estudos, dessem força e motivação para realizar qualquer atividade. Desde os 23 anos, os livros são os seus parceiros diários, a luta incessante, abdicação de parte da vida não poderia trazer outros resultados, e é por isso que aos 24 anos teve como mérito sua primeira aprovação num concurso público conceituado. As noites de sono e trabalho gratificante ficam para traz em forma de boas lembranças e conquistas, agora ela percebe que outra batalha está por iniciar e tem pela frente alunos de crossfit que almejam a superação de seus limites, dia após dia. Renata arruma os cabelos, cada vez que os dedos entrelaçam entre eles, um rabo de galo se forma. Toque daqui, ajuste ali, finaliza com batom de cor suave. É a sua autoestima que agora aflora. Para completar, tênis apropriado e uniforme da academia completam o visual desse dia de treino. “Se prepare, hoje será pesado!”, esbraveja o treinador e amigo, Bruno Leonardo.

Renata leva nas costas, na altura dos ombros e em forma de tatuagem, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a fé é espécie de amuleto e assim ela segue a vida protegida pela sua crença. A regata azul faz questão de mostrar o desenho, essa decisão de marcar o corpo está movida por razões pessoais. Medindo 1,63 de altura, ela se torna grande o bastante para realizar exercícios que exigem força e preparo físico. Magra, aparência jovem, sorridente, seus cabelos pretos que outrora estavam amarrados, agora dão lugar a trança molhada. Suas têmporas regadas a suor requerem descanso. Hoje, Renata convidou uma amiga para o treino experimental, Marianna Novais, 29, mulher alta de olhos claros e cabelos castanhos parece exausta. É nesse momento de descanso que Marianna seca com a própria roupa o seu rosto suado pelo esforço. O apoio surge em forma de palavras “parabéns, estou gostando de ver Marianna, é bem puxado não é?”, e o balançar de cabeça afirmando soa como forma de sentença, fazendo as duas rir momentaneamente e logo Renata retoma o treino.

“ As noites de sono e trabalho gratificante ficam para traz em forma de boas lembranças e conquistas, agora ela percebe que outra batalha está por iniciar e tem pela frente alunos de crossfit que almejam a superação de seus limites, dia após dia”.

Espaço grande, espécie de galpão, pintado em branco e preto, centraliza o símbolo da academia a alguns metros do chão na parede. Na camiseta de Renata a mesma insígnia aparece, está ligada a cultura dos guerreiros Maoris e significa “resiliência”. O lugar possui cordas penduradas, caixas de madeiras, argolas suspensas e pesos que se prendem numa barra de ferro podendo ficar mais pesados conforme cada peso é inserido. Isso a faz refletir por um instante sobre essa descrição simbólica, pois sabe que precisa de muita força para prosseguir com o objetivo. Em outra parte do galpão, aparelhos de musculação tomam conta do território e estruturas de ferro formam um retângulo para apoio. Tudo é utilizado por Renata no treinamento de resistência.

A música alta trata de animar o pessoal que pouco a pouco chega. Várias bolas estão disponíveis para os alunos, cada um pega a sua esperando o sinal do professor para indicar o tipo do treino e os minutos a serem executado. Para aquecer, espécie de dança das cadeiras, brincadeira de criança, só que agora trocada por bolas. Todos correm em círculos e à medida que a música começa, algumas bolas são retiradas e quando o som para, alguém deixa de sentar. A diferença é, se a pessoa ficar sem a bola, não é convidada a se retirar, ela realiza exercícios orientados pelo professor: flexões, abdominais segurando pesos, burpees, entre outros. A música para. Renata fica em pé e nesse momento é definido o tipo de exercício que ela irá executar. Os burpees são escolhidos, Renata e mais três colegas realizam o que Bruno pede. O treinamento continua cerca de mais dez minutos e encerra com aplausos de todos.

Uma corrida em volta do quarteirão dá sequência ao comando da lista de exercícios que foram escritos no quadro negro. Mais de quarenta pessoas, incluindo Renata e Marianna, correm, freneticamente, a fim de concluir a etapa proposta. O sol quente lá fora e céu azul sem nuvens, típico das manhãs de agosto, parece deixá-los cansados, apenas uma leve brisa refresca momentaneamente à medida que eles retornam para aos suas colocações. O professor da academia não para. Não há descanso quando o objetivo é resistência. Bruno Leonardo, 27, é quem comanda essa turma neste sábado. Enfático e otimista, ele grita eufórico um “bora, bora, anima aí pessoal!”. Renata puxa Marianna que rebate com sorriso forçado, mas ao mesmo tempo determinado a não desistir.

Os alunos já observam o próximo exercício e enfileiram caixas de madeira no chão, deixando pequeno espaço para não baterem uns nos outros. Eles pulam e descem sobre elas várias vezes, sob o comando de Bruno. Esse exercício tem finalidade de fortalecer os músculos das pernas, barriga e lombar. Cerca de 30 pulos subindo e descendo encerra essa etapa. Renata demonstra força e equilíbrio ao concluir sua atividade no mesmo ritmo que começou e isso é resultado do crossfit, a mesma já não sente tantas dores e fadigas como antes. Já Mariana, sua amiga e convidada, sofre com as pernas trêmulas e um cansaço visível, sinal que a corrida não foi fácil e o treino com as caixas a deixou exausta.

A inspiração

Fabrício Silva, 34, irmão, amigo e referência de Renata. Assim é definido o carinho, respeito e amor por ele. A paixão pelo irmão vem seguida de uma voz embargada, olhos rasos d’água e sorriso trêmulo. Algo é certo, Fabrício é o tipo de irmão que tem os mesmos princípios de Renata, a parceria e a cumplicidade fizeram companheiros de luta, estudos e de vida. Isso deve ao fato de Fabrício também conquistar a aprovação num concurso público e ver seus sonhos realizarem na medida em que seu esforço era demonstrado. Ao ingressar no crossfit, ele levou a irmã a conhecer e apaixonar pelo esporte e agora ela supera desafios, começando com o preconceito neste esporte. Cada vez mais mulheres treinam, competem profissionalmente e Renata já sofreu na pele ao ver suas mãos calejadas, sendo assunto de deboche numa roda de amigos. E isso a incomodou? “Pouco, mas não pelas mãos calejadas e sim pela falta de respeito com a minha escolha”, enfatiza. Ela acredita que gerar essa inquietação e reflexão quanto ao papel feminino em esportes que exigem força e resistência, proporciona nova forma de enxergar a mulher na sociedade.

A competição de crossfit, ocorrida no mês de junho no Goiânia Arena, na Capital, contou excelentes atletas de nível nacional. A academia em que os irmãos treinam, fez a seleção de duplas e trios (por equipe) dos alunos para o campeonato e Renata não participou. Apesar de estar há algum tempo no crossfit, ela acredita não ser preparada para competições ainda, mas foi torcer pelo irmão, que iria disputar a competições por equipes com três competidores cada. A academia saiu bem na competição nesse seguimento, dentre oitenta participantes por equipe, conseguiu o 25º lugar no ranking do campeonato. Para Renata, colocação como essa, foi sem dúvida divisor de águas para o irmão e motivação para ela. O mérito veio após ele ser diagnosticado com diabetes do tipo 1.

Não é por acaso que os irmãos se preparam para realizar o próximo exercício. Eles amam a companhia do outro e fazem questão de estarem juntos. O treino, agora orientado pelo professor e amigo Umberto Filho, 31, exige atenção e resistência. Trata-se do levantamento de barras, Renata ajusta quinze quilos em cada lado, enquanto Fabrício coloca sessenta, no total. Fabrício segue atrás de Renata observando-a. Cada movimento é acompanhado pelo professor, que anda do lado para outro identificando possíveis falhas na execução, e também, pelo irmão. A preocupação com essa atividade deixa claro, qualquer movimento incerto pode lesioná-los. Os pesos agora são erguidos e Renata solta um gemido na última sequência de três levantamentos, sentindo cada músculo de seu corpo contrair. Ela agora reveza com outra amiga, questão apenas de beber água e retomar o lugar.

Umberto Filho reitera o quanto Renata e Fabrício são importantes para ele, amizade que nasceu de um esporte, vai muito além dos treinos e cobranças. Renata admira o amigo e treinador, argumenta que os resultados adquiridos ao longo dos treinamentos são frutos do empenho e seriedade do professor. Ele acredita na força das mulheres no crossfit, vê essa realidade como promissora uma vez que o preconceito contra as mulheres no esporte em geral tem se superado dia após dia. “Hoje temos mais mulheres que homens aqui na academia, Renata é uma delas, e é bacana ver essa evolução. Não existe diferença entre homens e mulheres aqui, o preconceito existe na cabeça de quem desconhece o esporte.”, diz Umberto.

“Hoje temos mais mulheres que homens aqui na academia, Renata é uma delas, e é bacana ver essa evolução. Não existe diferença entre homens e mulheres aqui, o preconceito existe na cabeça de quem desconhece o esporte”.

Quando Renata encontra pela frente cordas, percebe que precisa subir até o teto usando apenas os braços e pernas como apoio, se alegra ao dizer que foi o seu maior desafio, não acreditava que conseguiria algum dia. Excitada, demonstra com segurança para a Marianna que seus medos foram superados. A cada movimento feito para se elevar, expressão fechada tomava-lhe a face, a decida necessita de segurança, tombo ou simples torção no pé poderia afastá-la por muitos dias do crossfit. Ao pisar no chão, levou a mão sobre a perna dizendo que a corda a queimou, mas já se acostumou, deixando assim amiga menos tensa. Seus olhos atentos almejam o próximo exercício, ela vai levantar peso mesmo acompanhando a amiga no treino dos iniciantes. E dizer que esse treino foi para iniciantes acaba desconcertando quem vai para uma aula experimental. Caras e bocas. Longa gargalhada finaliza a seção.

O treino para veteranos consiste em simular um circuito competitivo de levantamento de barras com pesos, subir em cordas numa sequência de vezes, fazer barras erguendo o corpo acima do próprio corpo, corridas, abdominais com pesos todos cronometrados. Renata faz esse treinamento pesado e apesar de ser nova no esporte, batalha há muito tempo pela igualdade quando o assunto é a luta contra o preconceito. Ela vai à academia ao menos quatro vezes por semana, quase sempre acompanhada de Fabrício. Sua condição física melhorou, ganhou resistência, equilíbrio e força com os treinamentos e não pensa em abandonar o esporte tão cedo. Marianna fala na possibilidade de se matricular no crossfit, Fabrício foca cada dia mais nos treinos e quanto ao futuro do esporte, Renata reitera a vontade de popularizar cada vez mais entre as mulheres, atrair parceiros para essa modalidade e ser reconhecido também como “o esporte de mulheres de força em prol da igualdade.” finaliza. O treino de hoje é encerrado e alguns alunos dispersam.O sábado foi como Renata esperava. Intenso e prazeroso.

“… quanto ao futuro do crossfit, Renata reitera a vontade do esporte popularizar cada vez mais entre as mulheres, atrair parceiros para essa modalidade e ser reconhecido também como “o esporte de mulheres de força em prol da igualdade social”.

Longe dos treinos, a vida de Renata segue normal. O uniforme azul fica pra traz, dando lugar à sapatilha, shorts, blusa e brincos prateados para acompanhar. Ela vai num passeio com sua mãe que a recebe com alegria. Tarde agitada com compras e risadas, elas se divertem. Nas sacolas, roupas de ginástica e tênis novo, mesmo distante da academia ela não esquece os treinos. A intensidade liga a Renata ao esporte, talvez seja esse um dos motivos para tanta dedicação. Essa característica a faz almejar os resultados que lhe dão prazer e recompensa. A persistência nesse esporte seja contra o preconceito ou a superação de seus próprios medos, de fato resta dizer que o crossfit ensina a ela grande lição: lugar de mulher é onde ela quer estar e não onde a sociedade determina.

Z no Tatame

A arte-suave e o exemplo como referência

CRISTIANA SOARES E KARINY BIANCA

O calor de Goiânia circula pela academia de Jiu-Jitsu, O treinador, Zé Branco, demonstra uma série de alongamentos. Alguns polichinelos, puxões de perna e de braço. Na hora do aquecimento, os alunos correm em volta do tatame, em círculos. Descontraída, Z solta uma gargalhada em resposta ás gracinhas dos colegas, sua filha Marília Rafaela, de 14 anos, observa atenta. As duas, mãe e filha, treinam juntas, toda semana. O filho caçula, Fabrício, de 10 anos, acompanha a mãe e a irmã, nos treinos, ele pratica o esporte na modalidade infantil.

Zenaide (em pé), Marília Rafaela (esquerda) e o colega de treino, Aécio (direita). Foto: Kariny Bianca.

Cabo da Polícia Militar de Goiás (PMGO) e com 19 anos na corporação, Zenaide Moreira de Freitas, escolheu sua profissão seguindo o exemplo do pai. “Ele me levava no quartel e eu achava muito bonito as mulheres de farda, ficava olhando”, explica.   O sargento, Ivaldi Alves de Freitas, é aposentado, mas deixou o seu exemplo como referência para a família, ele ainda presta seus serviços ao Colégio Militar Miriam Benchimol.

“Z de Zenaide”, imaginei enquanto olhava aquela tatuagem. Como um zumbido de uma abelha. É um desenho tatuado no ombro esquerdo, uma abelha e vários Z’s. Ir para a academia é um prazer que ela tem, apesar das dores musculares. “É normal sentir dor nos músculos após o treino, mas isso não é problema pra mim. A dor mostra que o músculo está crescendo, está causando efeito”, esclarece.

Treinar, malhar e trabalhar sua força física é o que a Z gosta.  Está ai mais um motivo para lutar Jiu- Jitsu, que significa arte-suave, é considerada a mais antiga das artes marciais. Antes de ela pensar em competir, o treinador Zé Branco já incentivava: “Você pode lutar no circuito goiano, você tem força, pode ganhar”. Mas Zenaide ainda não estava convencida “Não sei, tem gente treinando a mais tempo do que eu”, ela insistia.  O tempo foi passando e a vontade de competir era mais forte a cada dia, quando ela está no tatame é notável a sua concentração. “Eu esqueço de tudo lá fora, quando estou lutando parece que os problemas desaparecem”, explica.

De quimono azul e um coque no cabelo, “Será que eu vou ganhar?” ela pensava.  Era 26 de junho, dia da primeira etapa do circuito goiano de Jiu-Jitsu de 2016. A arquibancada cheia fazia ecoar o barulho das pessoas gritando nomes diferentes, no Ginásio de Esportes do Colégio Hugo de Carvalho Ramos, em Goiânia.

Vários lutadores juntos, cada um com uma faixa amarrada na cintura, algumas encardidas, outras nem tanto. No Jiu-jitsu, não lavar a faixa é uma tradição, mostra o tempo de treino de um lutador, simboliza o conhecimento. Muitos, por perceberem essa evolução técnica na faixa, depositam nela um carinho muito grande, como se fosse uma extensão de sua alma.

Z aguarda o momento da luta com ansiedade, depois de muito tempo de espera, a organização do evento informa ao treinador Zé Branco que a primeira adversária de Zenaide foi desclassificada por não ter o quimono regular exigido na competição. Mas tudo bem, ainda faltava um competidora. Nem precisou esperar muito, Z descobre que sua próxima adversária desistiu da luta. “Como assim?”, Zenaide dizia sem acreditar. Com uma medalha no peito, ela não sabia exatamente o que tinha acontecido, mas estava feliz. Sem luta, mas orgulhosa mesmo assim.

O esquerdinha – marrento, moleque e muito bom de bola

Os altos e baixos de Claudio Filho que busca sucesso na carreira no futebol profissional

LUCAS MARTINS

Já é fim de tarde, a molecada começa a se reunir em um campinho de futebol no setor Lorena Parque e Claudio Filho já está pronto para jogar. A garotada se reúne pra formar os times. Dois garotos, Fellipe Matos e André Alves competem no par ou ímpar para decidir quem começa escolhendo os jogadores. Na soma dos dedos quem venceu foi André e sem analisar muito as opções já foi logo escolhendo Claudio, ou Claudinho como é chamado, que é considerado o melhor jogador no campo. Com as equipes formadas, Fellipe passa com uma expressão séria dizendo ao seu grupo: “Vamos vencer, se jogarmos direitinho vamos vencer sim”. Já André, com o olhar confiante e um sorriso no rosto diz: “temos o melhor do nosso lado, vamos ganhar fácil. E não deu outra! Claudinho, André e companhia venceram de goleada.

Claudio Filho, um jovem que busca o ingresso no mercado profissional do futebol, sabe que está difícil alcançar seu objetivo. Claudio já com 22 anos e se considera velho, comparado com garotos de 13 ou 14 anos que já conseguiram vaga no futebol profissional. A garotada está entrando cada vez mais cedo nesse mercado, fazendo com que jovens como Claudinho, com idade um pouco mais avançada, tenham mais dificuldades de conseguir uma vaga.

Da esquerda para a direita, Claudio é o segundo da fileira dos que estão em pé, junto com o time MDV, do bairro que ele mora.

Nos últimos quatro anos Claudio conseguiu entrar em clubes de futebol, dentro e fora de Goiás. Fez bons jogos nos times que passou, mas não conseguiu prosseguir na carreira. Em 2012 o jogador entrou para o Goiás Esporte Clube, no time reserva da divisão sub-20. Claudinho entrava em campo nos minutos finais do jogo e teve poucas oportunidades de mostrar o seu potencial. Pouco tempo depois foi dispensado. “Não tive muitas oportunidades, isso me desmotivava bastante” disse Claudinho. No final do mesmo ano, um empresário e olheiro fez uma proposta para o Claudio e o chamou para jogar no Avaí Futebol Clube.

Carlos Alexandre, vizinho e amigo de infância de Claudio diz: “O Claudinho estava muito feliz, tomara que agora ele consiga” disse Carlos Alexandre, aos risos. Na adolescência, quando tentou entrar em alguns clubes locais, Claudio Filho não levou o futebol muito a sério. Deixava de ir aos treinos para ficar em casa jogando videogame, para sair com os amigos, soltar pipa e o futebol era sempre deixado de lado. “Hoje ele reconhece que o futebol é uma profissão séria e que ele precisa se dedicar inteiramente. Acho que a ausência da família na vida dele fez com que ele crescesse de forma irresponsável.” disse Carlos, um pouco chateado.

Seria no Avaí a oportunidade perfeita para o jogador. O time estava na segunda divisão do campeonato brasileiro de 2013, que começaria em pouco tempo e já estavam disputando a Copa São Paulo de Futebol Junior, a categoria sub-20 do clube. O Claudinho já chegou jogando, atuou bem nas partidas que fez, com bons passes e assistências. Não marcou gol, mas marcou seu nome no clube. O time não ganhou na categoria sub-20, mas Claudio foi bastante elogiado. Em um dos seus treinamentos o jogador se machucou, teve um deslocamento no joelho esquerdo, na perna que ele tem mais facilidade de jogar. A propósito, Claudinho também era chamado de esquerdinha.

O Campeonato Brasileiro estava começando e Claudinho ainda se recuperava, assistia aos jogos da arquibancada. A vontade de jogar com o seu time era imensurável. “O tempo não passava, minha recuperação era lenta mesmo seguindo todas as orientações do meu médico.” conta o jogador. Apesar de todos os esforços o esquerdinha só voltou aos treinos quatro meses depois. Já estava no meio do ano, no meio da temporada. Ele voltou para o time, mas ficou como jogador reserva, segundo ele por precaução do técnico. O fim do ano se aproximava e Claudio não estava sendo escalado para titular. Algumas vezes jogava os minutos finais das partidas, mas não era tempo suficiente para mostrar o seu potencial.

“Não tive muitas oportunidades, isso me desmotivava bastante”

O jovem jogador não se sentia muito à vontade quando o assunto era os pais, que são divorciados. Claudinho foi criado por sua tia Dalva: “devo muito para minha tia, ela me acompanhou em toda minha carreira, me levava aos treinos, me incentivava. Vou retribuir tudo isso ainda” disse o garoto com lagrimas nos olhos. A tia Dalva teve indício de AVC e está internada.

Dezembro de 2014 havia chegado e Claudinho estava de férias, sua volta estava marcada. “Eu havia pedido uma camisa dele assinada. Ele pode não ter jogado tão bem quanto esperávamos, mas por aqui ele sempre vai ser o melhor. Torcemos muito por ele” contou Nathan Arcanjo, vizinho e amigo do Claudinho desde a infância. “Vamos ter ele de volta no nosso time esses dois próximos meses”, completou Nathan. O time mencionado por Nathan é o MDV (Meninos da Vila), formado pela garotada do setor Lorena parque, que disputava os Campeonatos Interbairros de Futebol Society, também conhecido como “terrão”. Claudinho gostava desses jogos amadores, durante muito tempo ele jogou por vários times em vários bairros diferentes e acumulou muitos prêmios. Ele conta que ganhou todos os campeonatos, por todos os times que passou. Os prêmios eram em dinheiro e assim Claudio se sustentava. “Esses jogos são emocionantes, não joguei nas minhas férias, pois era perigoso eu me machucar de novo. Achei melhor não”, disse Claudinho.

E foi durante as férias que o jogador recebeu uma notícia inesperada, o seu empresário não renovou o seu contrato com o Avaí e encerrou também o seu contrato com o jogador. Claudio estava naquele momento fora do time e sem empresário. “Entrei na justiça contra ele, mas tudo que ele havia feito correu legalmente então não dei andamento com o processo”. Não demorou muito e o esquerdinha já havia encontrado outro empresário e dessa vez, o jogador recebeu convite do Santa Helena Esporte Clube, time do interior de Goiás. Após avaliar a proposta ele aceitou e saiu novamente de Goiânia.

Torcedor do Vila Nova Futebol Clube, Claudinho ficou feliz mas ao mesmo tempo apreensivo. Seu primeiro jogo pelo Santa Helena foi um amistoso contra o Vila Nova, no estádio Serra Dourada. Independente do time que ele torcia, não queria desperdiçar a chance de jogar em casa, com todos os seus amigos assistindo. Claudio jogou os 45 minutos do primeiro tempo e 30 minutos do segundo tempo. Apesar do empate o esquerdinha mostrou todo seu talento, foi elogiado por comentaristas esportivos e por seus companheiros. “O esquerdinha totalmente diferente com o moleque que treinei, jogando sério e sendo uma pessoa mais responsável” disse Vitor Morais, jogador do Goiás. “É um jogador muito talentoso, sua perna esquerda é muito forte, mas ele era muito irresponsável. Faltava aos treinos e quando ia, não levava nada a sério. Ele mudou muito”. Hoje o jogador é um rapaz muito responsável e sério. Bastante dedicado em casa e sempre prestativo com todos que o cercam

No Santa Helena o esquerdinha estava à vontade. Jogava na sua posição de lateral esquerdo e, mesmo não sendo um jogador que chuta muito a gol, já havia marcado dois. “Foram meus primeiros gols como jogador profissional, a felicidade é imensa”, disse Claudio, sorrindo. Infelizmente, sua alegria chegava ao fim. Uma nova lesão afastou Claudio dos gramados e ele ficou afastado até o fim da temporada. E assim como no Avaí, a historia se repetiu, o jogador foi dispensado e novamente ficou sem empresário.

De volta à Goiânia e recuperado, o esquerdinha estava jogando futebol amadorno bairro que mora. Procurou novos contratos, mas sem sucesso. O jogador, sempre confiante, procurava todos os dias novos desafios. Suas experiências mostraram como é difícil o acesso ao futebol profissional. “Os desafios se tornam maiores quando não se tem o apoio necessário da família. Hoje meus amigos são a minha família e é neles que busco meu apoio.” disse Claudinho segurando o choro.

Agora de volta ao “terrão”, o esquerdinha é o artilheiro do seu time e do campeonato, o time que ele joga está próximo de ganhar o campeonato e todo seu potencial está em campo. Claudinho nasceu para o futebol e sua perna esquerda foi preparada pra ser sua melhor ferramenta na busca de seu sonho de jogar futebol profissional.

1-UP: o cogumelo

“O vídeogame sempre esteve em minha vida, muito mais que apenas uma distração, ser apaixonada por jogos é o mesmo que viver a vida daquele personagem que está ali na telinha. É inventar estórias dentro da história do jogo. É se emocionar rir e principalmente se divertir.”

LEOMAR SILVESTRE E MÁRCIO SOUZA

Bárbara França jogando No Man’s Sky. Foto: Leomar Silvestre.

Em algum lugar do Brooklym em 1985, dois encanadores gêmeos chamados Mario e Luigi foram à casa de uma senhora. Enquanto faziam o seu trabalho, os dois irmãos descobriram uma passagem secreta e pararam no reino dos cogumelos. O que poderia ser uma única e simples aventura resultou em mais de 40 milhões de cópias, sem contar as cômicas de “indetectáveis” imitações. Mas, esse foi o começo do Mario, a sua história na vida das pessoas tem um recomeço diário, realizando até mesmo uma união de gerações.

“1-up significa renovação, uma chance de fazer melhor ou pelo menos tentar”. A moça da foto e autora dessa frase é a estudante Bárbara França, futura jornalista apaixonada em Super Mario Bros. Curioso? Então, vamos começar. Nasce em 16 de outubro de 1994 uma garota destinada a quebrar paradigmas sociais, não que ela se importe. Essa não é uma daquelas histórias emocionantes de superação pessoal, portanto controle suas lágrimas. “Eu nunca senti que precisasse ter um lugar fixo no mundo, prefiro fazer tudo que me agrade”.

Nasceu e viveu boa parte de sua vida na capital do país, lugar esse que deu origem a sua ausência de sotaque goiano, sua voz é bem grossa e marcante. Quando criança adorava brincar com jogos de quebra cabeça, mesmo não tendo paciência para concluir todos. Brincar, correr e pular nunca foram a sua praia: “Sempre preferi dançar” diz sorrindo.

Menina falante, extrovertida e curiosa, Bárbara começou a gostar mesmo de games a partir dos oito anos de idade. Ela se lembra que tudo começou em um sábado, quando seu pai a levou de carro até a casa de seus amigos. Chegando na casa, seus amigos estavam na sala, cada um com um controle nas mãos. A jovem, confusa, ficou olhando aqueles meninos manusearem uma alavanca e apertando os botões sem parar. Na tela de 14 polegadas havia dois personagens lutando. Os meninos vibravam a cada golpe. Tudo era estranho e empolgante. Quando ela notou já estava disputando e vibrando com os amigos. Mas, como não dominava o controle, acabou perdendo o jogo. Alguns minutos com os olhos atentos na TV, foram suficientes para a menina se apaixonar. “Naquele mesmo dia pedi ao meu pai um videogame, e que me levasse sempre para jogar com meus amigos.”

 

Com treze anos, pela primeira vez jogou no fliperama. Era nada mais, nada menos que pinball. Paixão à primeira vista. Com quatorze anos ganhou seu primeiro Famiclone. E logo se encantou. “O vídeogame era um daqueles clones de Nintendinho que eu jogava em uma TV que minha mãe ganhou de um vizinho, meio estragada. Ela não podia instalar na TV colorida da sala, pois alguém disse que vídeogame estraga a TV”.

Após isso, veio o Super Nintendo. Depois, o PlayStation. Barbara ficou muito viciada. Seus pais a proibiram de jogar por um período, já que suas notas do colégio estavam caindo. Uma de suas características –  mais amadas e odiadas – é a espontaneidade. Mas essa forma de viver não é sinônimo de desrespeito. Nas férias daquele mesmo ano, ela chamou seus amigos de infância para fazer maratona em vários jogos. Resident Evil sem dúvida foi um dos jogos que mais gostou.

Com quinze anos, Barbara foi trabalhar em uma lan house perto da sua casa. “Nesse primeiro emprego, que aceitei por gostar de computadores, eu aprendi a lidar com pessoas e a dar valor no dinheiro. Acompanhei o mundo dos games a distância. Por mais que goste, o tempo e os objetivos já não eram os mesmos”.

Com dezoito anos, fez sua primeira tatuagem. Pensando em games, decidiu tatuar um cogumelo do Super Mário, no braço direito. Era uma quarta-feira, mais ou menos três e quinze da tarde.

Braço direito tatuado no estilo “tinta jogada”. Foto: Márcio Souza.

Para facilitar, levou no celular alguns desenhos do cogumelo como inspiração e tirou algumas dúvidas básicas. A sessão foi marcada para o dia seguinte e logo pela manhã foi com uma amiga e um primo até o tatuador. O dia amanheceu nublado. Caminharam cerca de quatro quarteirões até chegar ao local combinado.

Depois de duas horas, a tão desejada tatuagem já estava pronta. O processo foi tranquilo, doeu bem menos do que imaginava. “Gostei muito do resultado”, disse com o sorriso de orelha a orelha. Bárbara sempre teve vontade de fazer uma tatuagem e achou que esse era o momento certo já que em breve muita coisa iria mudar em sua vida.

O ensino médio havia acabado e estava mais do que na hora de começar a vida na faculdade e um novo trabalho. Era, realmente, isso que a tatuagem representava: liberdade e não importava o que acontecesse, estaria sempre livre para tomar novas decisões, e deixar o que não te fazia bem no passado.

Bem comunicativa, Bárbara tinha em mente cursar Direito ou Jornalismo. Preferiu a primeira opção. Matriculou-se e aguardou o tão esperado dia das aulas começarem. No seu primeiro dia, ansiosa, ela trocou de roupa pelo menos umas três vezes antes de sair de casa. Primeiro, vestiu uma saia longa e florida, combinando com a bota caramelo, mas logo pensou que estava muito cafona. Trocou de peça. Decidiu tentar um estilo mais social, mas ficou muito séria. Para piorar, a camisa que combinava com o sapato estava sem botão. Sem condições. Trocou novamente. Tentou mais algumas combinações e, finalmente, decidiu usar uma sainha preta com listras brancas, “comportadinha, na altura do joelho”, camisa branca e sapato clássico. Também prendeu o cabelo com um rabo-de-cavalo baixo, bem grudado na cabeça, repartido ao meio. Depois da maquiagem discreta, os óculos de armação moderna vieram completar o visual.

Enfim na faculdade. Chegou em sala, confusa com o novo ambiente, ficou retraída, no seu canto. Aparentemente, ninguém curtia passar algumas horinhas jogando vídeogame. Também pudera, julgar as pessoas como se fossem jogadoras de games. Todos na sala ficavam concentrados, não olhavam para os lados, talvez por ser o primeiro dia de aula. Calouros sendo calouros. “

Já no primeiro semestre do curso, eu via o pessoal de Jornalismo. Via o laboratório, eles gravando lá na porta e fui ficando doida, me vendo fazendo o curso, com vontade mesmo. Um dia eu falei para o meu pai que não estava feliz no Direito e que ia fazer Jornalismo já que tinha habilidade com a escrita. Gosto pela Língua Portuguesa, a emoção de fazer sempre o diferente, saindo do ponto de conforto me conquistou”.

E pouco tempo depois, Bárbara começou a cursar Jornalismo, na Faculdade Araguaia. História da Imprensa foi sua primeira disciplina, o primeiro contato com a faculdade de comunicação. Fez amizades, conheceu pessoas que gostavam de games e, arranjou um namorado. Tudo estava dando certo na vida da jovem. Não demorou muito, já estava fazendo estágio. Também se matriculou em um curso de Zumba. Mesmo com a correria do dia a dia, nunca abandou o vídeogame, sempre marca batalhas com os amigos. Afinal de contas, ela encara os games como um esporte, mesmo não sendo oficializado, mas que sempre faz parte da sua vida desde a infância.

Como sua história ainda está sendo escrita, não existe um fim para esse texto, mas sim um: Continua…

O sonho de uma adolescente lutadora de taekwondo

Lutadora jovem busca conquistar seus objetivos através do esporte

BRUNELLE PORTELA E LETÍCIA COSTA

A vida para quem sonha seguir carreira na área esportiva já não é muito fácil, imagina quando esse propósito é de uma menina de 15 anos que quer ser lutadora de taekwondo. Dangela Guimarães começou a treinar aos seis anos por brincadeira, se apaixonou pelo esporte e não parou mais. Todos ali do bairro onde ela mora e quem a via competir, sabiam que a garota tinha futuro. Depois que começou a treinar, a lutadora mirim foi buscando se desenvolver e hoje é considerada profissional. ‘‘Hoje levo o esporte muito a sério e encaro como um trabalho’’. Considerando o fato de ser uma mulher jovem no esporte o preconceito pode existir, porém, Dangela não se incomoda e percebe uma admiração, pois hoje tudo está diferente, cada vez mais mulheres são reconhecidas no esporte, e a lutadora jovem vai atrás de seu reconhecimento.

Lutadora de Taekwondo, Dangela Guimarães. Foto: Letícia Costa

A lutadora conta com o apoio dos amigos e família para seguir seus sonhos, mas tem uma ajuda especial do seu treinador e pai. Os passos de Dangela vieram como referência do próprio técnico que já seguia no esporte, e sempre incentivou a filha a não desistir e encarar todas as dificuldades de frente. Com o suporte e influências a lutadora já tem vários títulos e não pretende parar. Dangela treina cinco horas por dia, tem uma refeição balanceada por nutricionistas e deve, obrigatoriamente, dormir oito horas por noite. Tem uma vida agitada de uma grande esportista, e garante que para realizar seus sonhos a disciplina vem em primeiro lugar.

Com grandes esforços há mais chances de conquistas, Dangela Guimarães no segundo ano de Seleção Brasileira Junior, é campeã Sul Americana 2015, campeã do Pan Americano Open 2015 e vem se preparando arduamente para o Mundial Júnior que será em novembro, a lutadora está com boas expectativas. Uma semana depois da entrevista, a esportista teria uma competição, o Brasileiro adulto.

Em fase de treinamento para o campeonato a lutadora concedeu a entrevista, e ganhou o Brasileiro adulto. Agora começa a etapa de trabalho duro para preparação das Olimpíadas de 2020 em Tóquio, e a atleta se destaca no adulto. Certo que para se evidenciar em um esporte como o Taekwondo o esportista deve colocar seus objetivos em primeiro lugar e ir atrás de suas metas. A lutadora jovem de um bairro comum em Goiânia é prova disso, Dangela fez viagens para fora do Brasil, ganha reconhecimento, dinheiro, aparece na mídia e considera o esporte um trabalho além de sua paixão. O que nota-se é que apesar de todas as dificuldades, o importante é ir atrás dos sonhos que alimentam a vida.

A lutadora deixa uma frase que ela sempre diz a si mesma ‘‘Para quem tem um sonho no esporte, seja Taekwondo ou qualquer outro, e quer realizar, então tente, trabalhe duro e acredite, a partir daí todos os passos foram dados, então virá à realização’’. Portanto os desafios de um esportista podem começar no seu bairro, é um passo inicial, o apoio da família e o incentivo de todos também é importante. Inicialmente é fundamental uma comissão técnica e a partir daí o sonho do atleta pode ir para todos os lugares do mundo, se tornando realidade.

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