Insegurança no trabalho

Motoristas por aplicativo convivem constantemente com situações de risco

Reportagem: Matheus Pessoa

Já se tornou comum ver nas ruas da grande Goiânia, Motoristas por aplicativo fazendo manifestações pela falta de segurança no transporte. Desde 2016, mais de 16 profissionais foram mortos por causa de políticas de segurança frágeis da empresa de transporte no Brasil.

Em outubro, milhares de motoristas protestaram na região do estacionamento do Estádio Serra Dourada, no Setor Jardim Goiás, contra as mortes de seus colegas de trabalho. No dia 24 de outubro, o motorista Mauro Fernando Pires Dantas, de 26 anos, foi baleado em uma tentativa de assalto por parte dos próprios passageiros, e precisou ser internado no Hugo. No dia 14, outro motorista foi vítima de violência, Carlos Augusto dos Santos Lopes, de 25, não resistiu, o crime aconteceu no Setor Urias Magalhães.

Constantemente, veículos são roubados e incendiados; motoristas são atacados, roubados e mortos. Com quase quatro anos de dirigindo por aplicativo, Marcos Alberto afirma que muitos estão deixando a profissão antes que aconteça o pior com sua vida. “Tem muita gente que, pelas ondas de assaltos que está tendo aos motoristas, está deixando a profissão antes mesmo de acontecer algo, pois, muitos são pai de família e tem medo, continuo nesse ramo por ser minha única fonte de renda. ”

Diante desse cenário, os motoristas estão com medo de exercer a própria função. Contudo, os crimes também assustam os clientes, podendo atrapalhar na demanda, segundo o motorista David Bruno, que atua na área há três anos. “As pessoas ficam desanimadas quando acontece alguma situação dessa (morte), ficamos triste por ser um parceiro nosso de categoria e, infelizmente, isso acontece demais, é em média de dois assaltos por noite praticamente”, afirmou.

Perigos

Foto: Matheus Pessoa

A sensação de insegurança nas cidades brasileiras, atinge tanto cliente, como motoristas de aplicativos que circulam sempre com uma pulga atrás da orelha. Sendo visados por criminosos, eles contam que evitam bairros em Aparecida de Goiânia.

“A gente tenta evitar alguns setores perigosos, como: Bairro Independência, Independência Mansões, Jardim Tiradentes e algumas partes do Madre Germana. Esses setores são os menos policiados, a gente vê que o policiamento é pouco, e com isso, a bandidagem está ali para fazer a coisa errada”, ressaltou o motorista David.

Para os mais leigos, a melhor opção é evitar lugares que não conhece, é o que faz o motorista Marcos. “Aparecida, eu tento evitar, de dia até que eu rodo, mas anoite eu evito.”

David Bruno é morador de Aparecida de Goiânia, e reconhece o perigo da cidade, tendo receio em trabalhar em toda cidade, preferindo trabalhar em Goiânia, em bairros mais nobres, se afastando da bandidagem. “Goiânia tem seus perigos, mas a capital passa mais segurança por causa dos setores mais nobres”, relatou.

Além de evitar alguns setores, os motoristas tentam evitar, também, usuários perigosos. “Infelizmente, a gente julga muito pela aparência, não seria o certo. Mas, a gente vê três homens em um local nada a ver com nada, que não está saindo de residência, que está malvestido ou com um estilo de bandido, nesse caso, o motorista prefere cancelar a viagem por medo”, confessou David Bruno.

As empresas alegam desenvolver mecanismos para minimizar a insegurança dos condutores e passageiros; só que aí o problema vai para o outro lado, e quem passa sofrer é o cliente

Dependendo de onde mora, não vai conseguir chamar um carro de aplicativo, e para quem prefere pagar em dinheiro, também fica mais difícil. Para David Bruno A lógica do mercado fica comprometida por causa da falta de segurança. “Por causa da falta de segurança que a gente tem, muitas pessoas deixam de trabalhar disso, deixa de ganhar seu ganha pão, porque tem medo e não sabe se vai voltar para casa. Como eu não tenho outra opção, eu tenho que enfrentar o perigo. ”

Com políticas de segurança frágeis, a realidade dos motoristas é trabalhar sempre com medo e desconfiando de tudo, muitas vezes não sabem se voltam para casa, alegam continuar no ramo por não ter outra escolha.

Empresas

Para diminuir os riscos, a Uber afirma que exige dos usuários o número do CPF e a data de nascimento e que esses dados passam a ser checados na base do Serasa. Além disso, a empresa informa que adota no Brasil uma tecnologia para bloquear viagens consideradas mais arriscadas. E também é possível compartilhar localização e chegada em tempo real com quem o usuário ou o motorista desejarem, além do caminho que está sendo feito.

A plataforma afirma ainda que “Nenhuma viagem é anônima e todas são registradas por GPS. Isso permite, por exemplo, que em caso de incidentes uma equipe de apoio especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto que foi feito, sempre respeitando a legislação aplicável”.

Já a 99 Pop, permite que o motorista escolha a forma de cobrança das corridas. Além disso, o perfil dos passageiros deve ser validado por CPF ou outros documentos. O aplicativo informa também que todas as chamadas são monitoradas em tempo real por inteligência artificial.

Redação Araguaia Online

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